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terça-feira, 30 de outubro de 2007

Mandato de resultados: Paulinho dança entre ser oposição e situação




Bastante confortável em seu uniforme de parlamentar – terno e gravata -, mas pouco à vontade no papel de neo-governista de um governo de centro esquerda, o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, converteu-se, nos últimos meses, em um importante interlocutor do Palácio do Planalto com o movimento sindical. Líder do “bloquinho”, composto por 75 deputados de seis partidos, Paulinho, hoje no PDT, concedeu a entrevista a seguir para Edson Sardinha, do sítio Congresso em Foco (www.congressoemfoco.com.br). Leia os principais trechos.

A Câmara deve votar nos próximos dias projeto de lei que reconhece legalmente as centrais sindicais e prevê o repasse para elas de parte do imposto sindical. De que forma essas medidas vão beneficiar os trabalhadores em geral?
O governo Lula repara o erro que existia na legislação de não permitir que as centrais sindicais pudessem existir. O modelo de central sindical brasileiro é de confederação em nível nacional, por setor de produção, federações, por ramos de produção, e sindicato, por município. Essa é a tal unicidade sindical que é defendida pela maior parte dos trabalhadores nos sindicatos. Só que ela tem uma distorção, na medida em que organiza apenas setores de produção. E as centrais sindicais organizam todos os trabalhadores.

O governo Lula repara um erro, então?
Repara, sim. Lá atrás, quando Getúlio Vargas fez a estrutura sindical, a legislação trabalhista e o Ministério do Trabalho, ele cometeu um erro grave, que talvez na época fosse justificável. Pegou 20% do imposto sindical para dar para o Ministério do Trabalho. O que é o imposto sindical? O imposto sindical foi feito para organizar os trabalhadores, assim como o sistema S foi criado para treinar e qualificar os trabalhadores. Mas ele se transformou na grande fonte de receita do patronato, da estrutura sindical patronal. Você pode ver hoje que todas as federações e confederações patronais têm prédios luxuosíssimos. A maioria feita com esse dinheiro. E o imposto sindical, que é muito menos que o sistema S, foi feito exclusivamente para organizar os trabalhadores. Só que, erradamente, deu 20% para o governo. Do nosso ponto de vista, o projeto repara em parte esse erro, 10% voltam para a organização dos trabalhadores em nível nacional, por centrais sindicais reconhecidas. Mas ainda ficam 10% para o governo. O certo era ficar tudo para os trabalhadores. Ainda continua tendo um erro.

Mas o que é que vai mudar no papel das centrais para o trabalhador?
Até hoje as centrais sindicais são um punhado de companheiros que se identificam ideologicamente, por amizade ou até para se proteger. Não são uma coisa organizada. Não têm dinheiro. As contribuições são muito pequenas. Na Força Sindical, por exemplo, a grande maioria dos sindicatos paga R$ 50 por mês, não dá nem para pagar passagem de ônibus. A nossa organização é mais ou menos isso. E, como não tem recurso, não tem como organizar esses trabalhadores. Agora, com dinheiro, vamos poder nos organizar oficialmente. Primeiro, que passamos a ser oficial. A estrutura máxima do sindicalismo brasileiro tem as centrais sindicais. Então passa a ser uma representação dentro de uma estrutura. Você pode agora legalmente juntar sindicatos de metalúrgicos com químicos, de papeleiros, de funcionários públicos. Você pode juntar todos os sindicatos numa mesma organização e isso aumenta a força de negociação. Os trabalhadores vão ganhar na medida que os sindicatos se juntam e aumentam a força de negociação, de pressão. Não só sobre o governo, mas também sobre o Congresso ou o empresariado. E, por último, as centrais passam também a ter legitimidade para entrar com ações no Supremo. Coisa que nós não tínhamos. Para entrar com uma ação direta de inconstitucionalidade contra a CPMF, nós tivemos que pegar uma confederação e dizer que ela é filiada à Força Sindical. Nós poderemos também representar juridicamente os trabalhadores com ação direta no Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Mas não há muita divisão entre as centrais sindicais? Isso não enfraquece o movimento?
A relação dos dirigentes das centrais sindicais melhorou de um tempo para cá. Força e CUT brigavam muito antigamente. Mas agora a nossa relação é muito boa, preservando a independência. Mas naquilo que interessa aos trabalhadores a gente pode se juntar. Foi assim que conseguimos fazer uma política do salário mínimo, que, independentemente do governo que entrar, terá que cumprir essa lei que a gente aprovou, que é dar o aumento da inflação mais o PIB de dois anos anteriores. Alguém pode dizer que é pouco. Mas vou dar um exemplo clássico, as montadoras acabaram de dar 2,5% para os trabalhadores, índice menor, portanto, que a gente conseguiu para o salário mínimo. Nosso sindicato reprovou esse aumento, mas a CUT aceitou. Você vê que tem briga. A CUT acabou de aprovar um aumento que vai nos atrapalhar a vida, porque as montadoras nunca ganharam tanto dinheiro na vida. E os sindicatos ligados à Força nas montadoras reprovaram. Vai dar um problema para resolver essa questão.

Agora reconhecidas legalmente, as centrais sindicais já definiram qual será a sua pauta prioritária?
Nós fizemos um seminário no começo do ano e fechamos um documento comum das centrais. A primeira questão da pauta era legalizar as questões sindicais. A segunda, resolver a questão do comércio aos domingos. E nós conseguimos essas duas questões, que estão na Câmara agora. Tinha mais dois pontos: trabalho decente – que envolve regras para terceirização, cooperativa, redução de jornada de trabalho e informalidade – e a questão das contribuições sindicais. Nós queremos acabar com todas as contribuições sindicais e criar apenas a contribuição negocial. Essas eram as quatro questões principais para este ano. Nós já conseguimos emplacar duas. E decidimos também que não adiantava fazer projeto de lei. Ou a gente pegava projeto de lei que já estava bem avançado aqui, ou a gente tentava transformar em medida provisória. Outra coisa, a idéia é fatiar. Em vez de mandar um conjunto de propostas para Casa, mandar uma por uma. As reformas sindical e trabalhista não funcionaram, porque mandaram um pacote pra cá. A idéia é discutir proposta por proposta, uma a uma. Pegamos a questão das centrais e resolvemos com o governo. Pegamos a questão do comércio aos domingos e resolvemos com o empresariado e o governo.

Em que consiste o “trabalho decente”?
No caso do trabalho decente, nós estamos em um processo de negociação. Porque essa proposta vai envolver uma negociação com o governo e com o empresariado. Com o governo, nós temos uma reunião com o ministro (do Trabalho) Carlos Luppi já para tratar desse assunto. Nós queremos que o ministro coordene uma negociação com o empresariado. O que é o trabalho decente? O combate ao trabalho infantil, ao trabalho escravo. Mas como é que se faz isso? Em São Paulo, tem três grandes lojas que terceirizam sua produção. Mas essa produção tem, por baixo, trabalho escravo de boliviano. O ministério não tem que fiscalizar o boliviano que está lá sem registro, ele tem que fiscalizar a empresa. Se ela está fazendo isso, ela tem que pagar por isso. Temos que garantir as condições.


E os problemas da informalidade e da terceirização, como podem ser resolvidos?
Nós estamos propondo tirar da folha de pagamento a contribuição patronal da Previdência, e passá-la para o faturamento. Com isso, achamos que aumenta a formalidade. Além disso, a terceirização no Brasil virou um caos. Aqui o terceirizado é quase um cidadão de segunda categoria, não tem direito a nada. Nós estamos propondo que o terceirizado tenha os mesmos direitos, a mesma convenção da categoria em que ele trabalha. Se ele está dentro de uma metalúrgica, tem que ter a convenção dos metalúrgicos.
Quanto às contribuições, estamos propondo acabar com o imposto sindical, com a contribuição assistencial, com a contribuição confederativa, que são as três que existem hoje. E criar apenas uma contribuição aprovada em assembléia, descontada de todos os trabalhadores. Essa é uma discussão séria, porque no modelo sindical do Brasil o sindicato representa uma categoria. Não é como nos Estados Unidos, onde ele representa só os associados. Não gostamos do modelo americano, porque lá 87% dos trabalhadores não são associados e não têm direito nenhum. Estão completamente abandonados. O sindicato dos americanos representa apenas 13% dos trabalhadores. E esses têm todos os direitos. Achamos que o sindicato tem que representar a categoria, e se representa e faz acordo para a categoria, tem que cobrar uma taxa dela, descontando em folha de todo mundo que for beneficiado com esse acordo. São essas as questões que a gente quer resolver ainda este ano.

O senhor sente clima favorável para a aprovação desse tipo de matéria no Congresso?
Eu acho que sim, nós estamos com um apoio favorável dentro do governo. O presidente Lula tem dado respaldo a essas questões, tanto é que editou as duas medidas provisórias que a gente negociou. Aqui na Casa, com o Arlindo Chinaglia, já tivemos duas ou três reuniões com essa mesma pauta. Ele está propondo fazer uma comissão geral para que a Câmara pare e discuta essa questão do trabalho decente. E vamos fazer uma marcha no final de novembro aqui em Brasília por essas questões. E essa marcha pretende vir pra dentro da Casa discutir.

O repasse do imposto sindical para as centrais não pode ser visto também como um “cala boca” do governo para o movimento sindicalista?
Pelo contrário, você tem isso hoje em todo lugar do mundo. As centrais são legalizadas e cobram de seus trabalhadores. Na Itália, os trabalhadores se filiam não aos sindicatos, mas às centrais. Quando ele entra na fábrica, escolhe em qual das três centrais ele quer se filiar. Na Alemanha, também é assim. E lá na Europa, qualquer central que trabalhe para o governo fazendo qualificação é paga oficialmente. É lei isso. E ninguém diz que eles são bandidos. Na medida que você organiza os trabalhadores, você tem mais força de negociação independente de quem é o governo.

É possível dizer que, com mais dinheiro em caixa, haverá uma tendência de as centrais endurecerem com o governo e o empresariado?
Eu acho que nós da Força Sindical vamos continuar no mesmo ritmo, independentemente de quem for o governo. Se o governo errar, a gente critica, se acertar, a gente aplaude. Nós sempre fizemos isso. Fazíamos isso no governo FHC e continuamos fazendo no governo Lula. Quem mais criticou o governo nesse período? No ano passado, nós fizemos uma guerra contra mudanças no FGTS. Não foi só a Força. Todo mundo fez, porque o governo queria fazer aquele fundo e não dava garantia. Na questão do salário mínimo, nós tínhamos acordo com uma parte do governo, mas a equipe econômica era contra. Foi uma derrota que a equipe econômica teve com o negócio do aumento.

Quanto às críticas à política econômica, você pode pegar em todos os jornais, toda vez que o Copom se reuniu tem crítica nossa e da CUT. E pesada. Quem mais critica somos nós. As declarações mais duras somos nós que fazemos. Então acho que nós vamos continuar fazendo isso. Quem faz oposição são os partidos, as centrais têm a obrigação de defender aquilo que está certo e criticar aquilo que está errado.

A discussão sobre a reforma sindical se arrasta há quatro anos. Ela tem alguma chance de prosperar?
Nós estamos indo por parte. A reforma sindical previa contribuições sindicais, negociação coletiva. Nós estamos querendo fazer isso por parte. Isso com certeza está na nossa pauta. São pontos que nós vamos fazer um por um, porque já descobrimos que não adianta fazer um punhado. Então vamos fazer essa reforma sindical por partes.

A reforma trabalhista seria da mesma forma, na seqüência?
A reforma trabalhista é uma questão muito complicada para nós. Ela com certeza terá muitas dificuldades de passar na Casa. Enquanto não tivermos um quadro claro da reforma sindical, não tem como discutir a reforma trabalhista. Reforma sindical você organiza como no futebol, arrumando primeiro as regras do jogo. Para ter reforma trabalhista, eu topo, desde que tenha representação no local do trabalho, contribuições resolvidas e contrato coletivo em nível nacional. Aí dá para fazer e até abrir mão da CLT. Na Europa você tem contrato coletivo, com direitos e deveres, em nível nacional. Em todas as fábricas da Itália você tem representação sindicato dentro delas. A maioria nem trabalha, fica lá só para organizar trabalhadores. Aí dá.

Só assim o senhor apoiaria a reforma trabalhista?
Você vai abrir mão dos direitos? Como abrir mão disso em um país pobre como o nosso, que tem até trabalho escravo ainda? Você não pode abrir mão de reforma trabalhista em um país pobre como o nosso.

Então a reforma trabalhista sequer será discutida por esta legislatura?
Esquece. Pode ter uma atualização da CLT, uma discussão de atualização. Até porque esta legislatura tem só mais um ano e meio. Depois não tem mais nada. Depois vem a eleição municipal e aí ninguém vota mais nada. Depois vem a presidencial e aí acabou de vez. Se não aprovar até o meio do ano que vem, não dá mais nada.

E a reforma da Previdência passa?
Do jeito que eles querem, não. A proposta que o Luiz Marinho está falando não tem a menor chance de passar.

Quais são as principais “maldades” embutidas na reforma?
Primeiro, que seria uma reforma para quem vai começar a trabalhar. E é até justo porque não mexe em ninguém que está nessa regra atual. Mas a proposta é muito dura, aumentar para 67 anos combinado com o tempo de contribuição de 40 anos? Isso significa que vamos morrer todos antes da aposentaria. Oficialmente, as pessoas vivem hoje até 72 anos. Você tem que trabalhar com isso ao longo dos anos, não dá para trabalhar com uma reforma assim. Os meus anúncios do partido em São Paulo estão falando disso, batendo duro nisso aí.

E a CUT tem se pronunciado nesse sentido?
Até agora não. Mas acho que eles não concordam, não. As centrais não vão concordar com isso e eles vão ter que recuar.

Mantida essa proposta de reforma, as centrais vão pra rua protestar?
Com certeza, isso aí é a única coisa que faz o peão brigar. É mais fácil tirar a mulher do cara (risos).

O senhor disse que a redução da jornada de trabalho também está na pauta das centrais. Há clima para esse tipo de mudança?
Está nessa pauta do trabalho decente, que a gente está querendo levantar. Essa é uma possibilidade porque, no Brasil, em vez de estar diminuindo, a jornada de trabalho está aumentando. No comércio chega a 50 horas por semana. Nós achamos que se reduzirmos para 40 horas de uma vez só, você cria dois milhões de emprego. Mas essa redução a gente tem que combinar. Como pagar esse custo. A gente tem defendido que tenha uma redução de imposto. Se a jornada custa 10%, o governo poderia arcar com uma parte. Com isso a gente aumenta o emprego e o governo arrecada de volta.

Mas não é uma proposta utópica hoje?
É mais difícil, mas bem combinada dentro do governo, acho que pode caminhar.

Não é a hora de rever o sistema de contribuição do chamado sistema S?
Vai ter até uma reunião no Rio sobre isso. Acho que está na hora de a gente fazer ali uma administração tripartite, os trabalhadores e o governo, como é em todos os fundos que têm dinheiro de trabalhador. Essa é uma discussão que a gente quer fazer. Não acabar, porque é uma coisa boa, mas do jeito que está hoje, só o empresariado ganha com isso.

O bloco já está sinalizando uma aliança para as eleições do ano que vem. Esse bloco se sustenta até 2010, para as eleições presidenciais?
Estamos pensando só em 2008. O bloco foi feito quase que exclusivamente para conseguir cargos na Mesa Diretora. E não deu certo. Nós ficamos do mesmo tamanho que a gente era. Mas decidimos que deveríamos ter uma atuação conjunta. Funcionou. Aí começamos a discutir que esse bloco deveria atuar conjuntamente nas eleições de 2008. Os partidos deveriam assumir. Cada partido está fazendo um levantamento por estado de quais são as prefeituras em que vai disputar. Vamos fazer todo um esforço para que naquela prefeitura que o partido tal for mais forte os outros partidos o apóiem. Estamos fazendo isso muito bem em São Paulo com o Márcio França (PSB). Se isso funcionar em 2008, nós podemos começar a falar em 2010. Mas 2010 ainda está muito longe e falar nisso agora dá muito problema.

Falar disso agora compromete a unidade da base governista?
Cria muito problema interno. O lançamento que a gente fez em São Paulo pegou mal aqui na Casa. Mas com o povo pegou bem. Teve pressão generalizada. Você começa muito cedo a discussão de candidato a presidente da República. Você expõe as pessoas e aí começa a ter resistência e tal. É melhor não levantar isso agora.

Mas o senhor vê a possibilidade de o PT abrir mão de ter candidato próprio em 2010?
Acho que não. Eu acho que o bloco tem que ter candidato. Tem vários nomes muito bons. Pelo PDT, por exemplo, tem o Cristovam Buarque, o próprio Carlos Luppi, que está crescendo muito, o Jefferson Peres. No PSB tem o Ciro Gomes e o Eduardo Campos. O PCdoB tem o Aldo Rebelo. Se isso der certo em 2008, o que não é fácil, nós podemos chegar, em 2010, com candidato pra ganhar eleição.

Até o ano passado, o senhor era um crítico implacável do governo Lula. Agora lidera um bloco partidário governista. O senhor mudou ou mudou o governo Lula?
No que ele erra eu continuo criticando. E tenho muita independência aqui dentro, até porque sou presidente de uma central sindical e deputado. Estou aqui só para defender os trabalhadores. Tudo o que o governo Lula fizer contra os trabalhadores, eu sou radicalmente contra. Se ele fizer a favor, eu apóio. Eu vou continuar com a mesma política que a gente sempre fez. Sou parlamentar, mas estou aqui por causa dos trabalhadores.

Eu fui um dos deputados mais votados, sou um dos oito mais importantes, segundo o Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), mesmo sem ter feito nenhum projeto. Isso mostra como esta Casa não funciona. Fiquei, no primeiro semestre, basicamente jogando na defesa. Vamos ver se, no segundo semestre, conseguimos marcar um golzinho. Legalizar as centrais e regulamentar o comércio aos domingos já seria um golzinho. Então vamos continuar com essa independência. Sou líder de um bloco da base governista, mas não sou do governo. E o governo sabe disso.

O senhor está no primeiro mandato após uma longa experiência no movimento sindical. A realidade aqui é muito diferente do que o senhor imaginava?
Eu já conhecia bem o Congresso porque vinha uma vez por semana, mas eu vinha como presidente da Força sindical, como sindicalista. Agora estou aqui dentro. A minha visão é que você precisa fazer uma reforma no regimento. O regimento é feito para não funcionar ou para funcionar só por meio de medida provisória. Com um mandato é impossível você pegar um projeto na comissão em que você está e trazer para o plenário. Quem fizer isso é um herói. Com dois mandatos, acho que também não consegue. Ou seja, demora no mínimo oito anos para fazer alguma coisa.

O senhor não vê chance de o Congresso mudar sua própria imagem?
É o regimento que não funciona. Eu acho que, se não tiver reforma, essa Casa vai continuar com a imagem que tem: de que aqui só tem ladrão, vagabundo, que não trabalha. E olha que trabalha. Só que não anda. Eu optei por não fazer nenhum projeto até para mostrar que não adianta fazer projeto porque não aprova. É melhor pegar aqueles que já estão adiantados ou negociar com o governo para que ele mande pra cá por medida provisória. Já que a regra é essa vamos fazer o que a regra manda. E algumas pessoas estão me criticando falando que eu estou defendendo um instrumento da ditadura. Mas é o único instrumento que funciona aqui, porque tranca a pauta. Eles até mandaram um projeto pra mim e eu mandei devolver. Não sou relator, não quero coisa nenhuma. Quero passar quatro anos sem fazer nenhum projeto para poder falar mal disso aqui depois.

E o lobby dos empresários? É forte aqui?
Eu tenho uma boa relação com os empresários. Não sinto que eles tenham tanta influência aqui. Acho que o movimento sindical trabalha mal o Congresso. Até porque o movimento sindical, se trabalhar unido aqui dentro da Casa, tem muita força. Não tem nenhum deputado que tenha coragem de enfrentar o movimento sindical. E se enfrentar ele sabe que não volta para cá. Vai ser deputado de um mandato só.

Quantos deputados compõem a bancada sindical?
Aqui não passa de 100. Na votação a gente tem no máximo 150 votos, sem pressão popular. Com pressão popular, a gente tem mais, porque os deputados têm muito medo da pressão popular. No Senado, eu não tenho avaliação. Mas acho que no Senado a gente não tem muita coisa. Até porque a Emenda 3 passou com unanimidade lá. Acho que passou por descuido. Foi um golpe que tentaram nos dar. Mas acho que, se o movimento sindical aprender a trabalhar na Câmara, ele consegue fazer funcionar. Nenhum deputado tem coragem de enfrentar o movimento sindical.

Algumas centrais sindicais já fizeram campanha pela internet contra parlamentares. Isso mais ajuda ou atrapalha o movimento?
Acho que isso também não ajuda. A gente tem que trabalhar para ganhar os caras e não para que eles joguem contra nós. Eu, por exemplo, optei por não falar em plenário. Sou líder, mas não falo, porque quando você fala, você toma uma posição e uma parte da Casa fica contra. Eu prefiro negociar. Acho que isso vem um pouco do meu perfil de sindicalista. De negociação, de muita conversa. Acho que funciona mais. Tem vezes que o barulho ajuda, mas só ele não resolve.

"Se os meios voltarem a ser de comunicação e não de oposição será ótimo", diz presidente eleita da Argentina


Reportagem do jornal argentino Página 12, desta terça-feira estampa matéria com a presidente eleita do país, Cristina Fernández, esposa do atual presidente Nestor Kirchner. Cristina diz que sua prioridade o “combate a pobreza e desocupação, educação, saúde, e todas as questões que tem a ver com a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos”. Leia os principais trechos da entrevista concedida a Joaquín Morales Sola. Tradução de Norian Segatto.

Relação com a oposição. Cristina criticou o fato de nenhum dos candidatos derrotados tenha telefonado para ela para felicitar-lhe. Disse ter recebido ligação apenas de Gabriela Michetti, vice chefe de governo e do ex-presidente Raul Alfonsín. “Os contatos e diálogos não podem vir somente do governo, devem ser iniciativas de ambos os lados, governo e oposição”.


Inflação. Considerou errado falar em “um fenômeno hiperiflacionário”, atribuindo a especulações pré-eleitorais. Assegurou que a inflação está na margem prevista, com uma estimativa de 12,6% para o próximo ano. Não mencionou o que pensa fazer para evitar a aceleração de preços, mas reiterou que irá adotar a metodologia estado-unidense para realizar as medições de preços [a oposição denuncia que os índices de inflação na Argentina estão sendo manipulados para mostrar uma inflação menor do que a que realmente ocorre].


Seguridade. “Não concebo a seguridade como um plano diferente do modelo econômico vigente”, afirmou, completando que “temos de sustentar um modelo de desenvolvimento social que permita que uma maior quantidade de pessoas tenha trabalho, melhor remunerado e não informal”.


Eleições. “Houve um reconhecimento, não a mim, mas à gestão do presidente Kirchner”, analisou, afirmando, no entanto, que também se sente parte do gestão de seu marido e relativizou o fato de sua votação ter sido menor nos grandes centros urbanos. “Não se pode tomar unicamente como centro urbano lugares como Córdoba, onde ficamos em segundo lugar. Mendoza é um centro urbano de classe média e lá ganhamos com grande margem de vantagem. Há classe média também na Grande Tucumán e ganhamos com folga lá.”

Relação com a imprensa. “Se os meios voltarem a ser de comunicação e não de oposição, será perfeito”, protestou contra os editoriais que não tem “o mesmo tratamento” com os opositores. “Nós somos interrogados enquanto os opositores são ouvidos”. Aconselhou os meios de comunicação a “revisar o que fazem, não por nós, mas porque dão ao leitor ou telespectador uma leitura diferente da realidade”.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Reajuste para jornalistas em assessorias será de 4,92%

Postado por Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo
Neste ano os jornalistas que trabalham em assessorias de imprensa/comunicação terão os salários de outubro serão reajustados em 4,92%. Não haverá o processo de negociação com o sindicato patronal, por conta de uma prorrogação da última convenção coletiva por 20 meses (de 01/10/2006 a 31/05/2008). Tal medida foi acordada na campanha salarial do ano passado, já que ocorreu a mudança da data-base de outubro para junho.
Como essa Convenção ultrapassava o período de 12 meses e para que os jornalistas de assessoria de imprensa não ficassem sem reajuste nos salários neste período, acordamos que em outubro de 2007 os salários seriam reajustados automaticamente pela variação acumulada do INPC de 01.10.2006 a 30.09.2007. De acordo com o IBGE, essa variação foi de 4,92%.
Portanto o piso de cinco horas passará dos atuais R$ 1.750,35 para R$ 1.836,46 e o piso de 7 horas (5 horas + 2 horas extras fixas) passará de R$ 2.800,56 para R$ 2.938,34.
Com a mudança na data-base, a campanha salarial em assessoria de imprensa e comunicação deverá iniciar em maio de 2008. Nessa campanha, além das questões salariais, outros temas de interesse da categoria deverão ser retomados. Como exemplo, podemos citar o Programa de Participação nos Resultados, uma reivindicação que já é antiga junto ao sindicato patronal.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

dia 13 CUT-SP promove carreata pelo desenvolvimento e contra privatizações


A direção da CUT São Paulo patrocinou na nesta sexta-feira,25/10, um café da manhã com jornalistas para explicar os atos que irá realizar dia 13 de novembro, “Dia de Mobilização pelo Desenvolvimento com Distribuição de Renda no Estado de São Paulo”.
Segundo Adi Santos, dirigente da CUT e da Federação dos Metalúrgicos, a proposta é apresentar para deputados e para o governador José Serra uma agenda dos trabalhadores para o desenvolvimento sustentável do Estado, um documento com análises, considerações e propostas práticas.
No dia 13, a Central organiza uma carreata que sairá da sede da entidade, na rua Caetano Pinto, no Brás, até a Assembléia Legislativa, onde ocorre um ato público. Os organizadores esperam contar com a participação de representantes da maioria dos 290 sindicatos filiados à CUT-SP.

O ato servirá, também, para criticar a tentativa de Serra de privatizar as empresas públicas do Estado, um dos maiores desmanches anunciados por um único governo.


O jogo por trás das privatizações

Os tucanos sempre foram mal gerentes da coisa pública e ótimos privatistas; sob o discurso do "estado moderno e eficiente" venderam o que puderam e não tornaram o estado nem moderno nem eficiente. No governo FHC a desculpa pública era a redução da dívida pública, que havia multiplicado por 10 ao final de sua gestão.

Durante o segundo turno das últimas eleições presidenciais, os ataques de Lula à sanha privatista do PSDB deixou Geraldo Alckmin sem ação e colocou o tema no centro do debate sobre concepção de desenvolvimento e de gestão de Estado.

O que Serra - sempre presidenciável - deseja com essa tentativa de privatizar "tudo", além de cumprir a agenda neoliberal, é cacifar o discurso de que é possível manter um Estado forte e atuante tendo vendido todo seu patrimônio e empresas estratégicas para o desenvolvimento, como a Sabesp e o IPT. Serra sabe que nas próximas eleições presidenciais o tema estará de volta e a comparação entre os dois mandatos de Lula e o de FHC estará no centro dos debates. Para não ter que explicar o inexplicável - como a venda da Vale do Rio Doce - Serra prepara esse pacote de privatizações para chegar com argumentos a 2010.

Ao movimento sindical cabe a importante tarefa de denunciar a entrega do patrimônio público e o jogo dos tucanos na tentativa de voltar ao Palácio do Planalto.

Cabral, filho de favelado é marginal, e filho de político o que é?



Para defender uma proposta justa, a descriminalização do aborto, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, mostrou novamente sua face autoritária. Dias depois de louvar a ação do BOPE na matança das favelas, o governador afirma que a legalização do aborto diminuiria a criminalidade, porque as favelas e os morros são “fábricas de marginais”. Faltou defender a esterilizarão de todos os pobres, dar medalha de honra aos esquadrões da morte e por aí vai.
Neste país, quem rouba a iniciativa privada merece todo o rigor da justiça, se for pobre, do contrário pode se livrar com facilidade. Quem rouba o que é público, no entanto, continua impune e sorrindo com todos seus belos dentes. Acho que a maioria dos leitores deste blog concorda que um dos maiores vilões do país é o sistema bancário; que tal, senhor Cabral, evitar que banqueiros possam ter filhos. O que dizer do monopólio da comunicação, dominado há décadas por meia dúzia de famílias, que usam rádios, Tv e jornais para manipular informações a favor de seus interesses privados e corporativos. Vamos propor uma lei, senhor Cabral, para que os Marinho, os Civita, os Frias, os Mesquita, os Saad não possam ter herdeiros e assim acabar com essa “fábrica de manipuladores”.
Quanto a políticos, senhor governador, é desnecessário comentar.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Petroleiros em estado de greve

Os petroleiros de todo o país, em campanha reivindicatória, apresentaram à direção da Petrobrás a pauta de reivindicações contendo 153 cláusulas. O acordo é válido por dois anos, até 2009.
Passado mais de um mês do início da campanha e após várias rodadas de negociação, a empresa apresentou uma contraproposta que não atende as principais reivindicações dos trabalhadores. Além de questões econômicas (reposição da inflação de 1º de setembro de 2006 a 31 de agosto de 2007, calculado pelo ICV-Dieese, e mais 5% de aumento real), os petroleiros lutam por melhorias nas questões de segurança, aposentadoria especial, periculosidade, reposição dos efetivos, auxílio ensino superior, participação na gestão da Assistência Médica e solução das pendências da Petros (fundo de pensão) entre outros.
Na questão econômica, a Petrobrás oferece 4,18% de reposição inflacionária e um abono de 30% de uma remuneração para os trabalhadores da ativa.
Estado de greve
Diante da falta de novas propostas, a Federação Única dos Petroleiros (FUP-CUT) indicou aos seus sindicatos a realização de assembléias setoriais com indicação de estado de greve.
Na base do Sindipetro Unificado do Estado de São Paulo, as setoriais já realizadas apontam que 87% da categoria aprovaram a indicação da FUP e se preparam para paralisar a produção caso não haja contraproposta da categoria.
As assembléias terminam nesta quarta-feira, dia 24, e a tendência é a aprovação do estado de greve com mais de 90%. "Lutamos por nossos direitos e, fundamentalmente, por melhores condições de trabalho, se não conseguirmos isso com o diálogo, não resta outra alternativa a não ser partirmos para a greve", afirma Itamar Sanches, coordenador do Sindipetro Unificado-SP.
A forma e a duração da greve ainda serão definidas pelas direções sindicais e pelos trabalhadores.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Petroquímicos Bahia: STF julga nesta quarta processo de 17 anos

O ministro Marco Aurélio, que pediu vistas do processo da cláusula 4ª, na tarde do dia 15/10, durante o julgamento da ação no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, resolveu adiar para a próxima quarta-feira, dia 24, a apresentação de seu voto. O processo tramita há 17 anos na Justiça. De acordo com o Sindicato dos Químicos/Petroleiros (BA), a ação envolve cerca de 20 mil trabalhadores do Pólo Petroquímico de Camaçari.

Servidores de Ribeirão Preto criam Coordenadoria da Mulher

O Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto (SSM-RP) lança neste 24 de outubro, a Coordenadoria da Mulher. O evento acontece às 19 horas, na sede do Sindicato, localizada na rua XI de Agosto 361.
Segundo o IBGE, as mulheres chefiam 1/3 das famílias brasileiras. Destas, 20% são analfabetas, 39,8% tem mais de 65 anos, enquanto que 27,4% têm entre 15 e 19 anos e são mães solteiras. A criação da coordenadoria é uma boa iniciativa do Sindicato.

Ciclo sobre jornalismo e literatura

De 14 a 18 de novembro acontece no Memorial da América Latina o "I Salão nacional do Jornalista Escritor", que contará com programação de qualidade organizada pela ABI, Associação Brasileira de Imprensa.
Estão programadas tardes e noites de autógrafos, cafés literários, debates e conferências com grandes nomes do jornalismo brasileiro e internacional, num ambiente onde funcionará uma grande livraria com obras de todos os gêneros.Mais informações no site oficial: www.jornalistaescritor.org


DIA 15/11 (quinta-feira)
14h30 Entrevista Luis Fernando Veríssimo
16h00 Entrevista Ruy Castro
17h30 Palestra/Debate – A REPORTAGEM COMO GÊNERO LITERÁRIO
Expositor: Fernando Morais
Debatedores: Heródoto Barbeiro e Ricardo Kotscho
Mediador: Eduardo Ribeiro
20h00 Palestra – GLOBALIZAÇÃO E MANIPULAÇÃO DA INFORMAÇÃO
Palestrante – Ignácio Ramonet
DIA 16/11 (sexta-feira)
14h30 Entrevista Jaguar
16h00 Palestra/Debate – BIOGRAFIAS, JORNALISMO E LITERATURA
Expositor: Alberto Dines
Debatedores: Manuel Carlos Chaparro e Moacir Japiassu
Mediador: Ricardo Viveiros
18h30 Entrevista Carlos Heitor Cony
20h00 Palestra/Debate - FICÇÃO E REALIDADE INTERDEPENDÊNCIA CRIATIVA: DE MACHADO A GRACILIANO
Expositor: José Nêumanne Pinto
Debatedores: Fernando Portela e Audálio Dantas
Mediadora: Vera Rotta
DIA 17/11(Sábado)
11h30 Entrevista Mauro Santayana
14h30 Entrevista Zuenir Ventura
16h00 Palestra/Debate – LIMITES E OUSADIAS DO JORNALISMO LITERÁRIO
Expositores: Eric Nepomuceno, Antônio Torres e
Flávio Tavares
Mediador: Carlos Marchi
18h30 Entrevista Ziraldo
20h00 Palestra/Debate – JORNALISMO COMO ESPAÇO LITERÁRIO: O CASO “REALIDADE”
Expositores: Ignácio de Loyola Brandão, José Hamilton Ribeiro e Mylton Severiano
Mediadora Gioconda Bordon
DIA 18/11(Domingo)
14h00 Entrevista Fernando Gabeira
15h30 Entrevista Moacyr Scliar
17h00 Palestra/Debate – LIVRO-REPORTAGEM, FRONTEIRA LITERÁRIA DO JORNALISMO
Expositores: Caco Barcelos, Domingos Meirelles e Eliane Brum
Mediador: Florestan Fernandes
19h30 Entrevista Mino Carta
Mediando as entrevistas com o público: Claudinei Ferreira
Convidados Especiais
Estão sendo convidados autores estrangeiros: Miguel de Sousa Tavares, Eduardo Galeano, Ignácio Ramonet e outros jornalistas escritores.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Deputados votaram pela guerra com o movimento sindical, diz João Felício, da CUT


Na quarta-feira (17/10) a Câmara dos Deputados aprovou a lei que reconhece as centrais sindicais, mas, no corpo do texto da lei, embutiu diversos penduricalhos, entre eles, o fim do imposto sindical. À primeira vista parece ser uma medida progressista, que vai de encontro a interesses históricos de organizações sindicais como a CUT, no entanto, da forma como está redigido, o texto abre caminho para uma séria crise no movimento sindical.
Um dia após a votação, este blog ouviu a opinião do ex-presidente da CUT e atual secretário de Relações Internacionais, João Felício, a respeito do fim do imposto sindical. Acompanhe as contundentes declarações de Felício nesta entrevista ao jornalista Norian Segatto.

Com o reconhecimento das centrais, a Câmara Federal aprovou o fim do imposto sindical. Qual é a sua opinião e respeito?
João Felício -
O que foi votado no Congresso Nacional é uma aberração, uma emboscada, um golpe, porque a Câmara votou um projeto que aponta a possibilidade do fim do Imposto Sindical para os trabalhadores e não para os empresários; isso é um passa moleque, uma brincadeira de mau gosto. Se for para acabar com o Imposto Sindical que seja para todos, trabalhadores e empresários, mas é necessário que seja criada outra forma de sustentação financeira.

Qual é a proposta da CUT?
Debatíamos no Fórum Nacional do Trabalho a criação de uma taxa de negociação a qual cada categoria, autonomamente, definiria em assembléia o índice a ser aplicado; assim, debateria com os trabalhadores de sua base, de forma autônoma, como sustentar financeiramente a atividade sindical.
O que os deputados votaram é um absurdo, acabam com o imposto dos trabalhadores, mantêm o dos empresários e não colocam nada para sustentar o sindicato de base. A CUT nunca defendeu o fim do Imposto Sindical sem colocar nada em seu lugar, defendemos o fim desse Imposto para trabalhadores e empresários e a criação de formas autônomas de sustentação financeira. Queremos o fim do Imposto Sindical, com a criação de uma taxa negocial além da mensalidade que os sindicalizados pagam. O que o Congresso Nacional fez foi um tremendo retrocesso, parece que tem uma parcela dos deputados que quer acabar com o movimento sindical brasileiro.

Alguns deputados ex-sindicalistas votaram de forma constrangida contra o fim do imposto...
Não sei se teve algum caso particular, o posicionamento dos deputados do PT foi de respeito ao acordo feito entre as centrais e o governo, e votaram corretamente. Havia uma negociação entre as centrais e o Ministério do Trabalho de se reconhecer as centrais sindicais e parte dos recursos do Imposto Sindical que vai para o Ministério viria para as centrais e isso não foi respeitado pelo Congresso. Quem acabou votando contra nós foi a oposição ao governo Lula e aqueles que nutrem ódio pelo movimento sindical e pelos trabalhadores. Quem votou contra nós são aqueles que querem fazer a reforma trabalhista para retirar direitos, aqueles que não querem o reconhecimento das centrais sindicais, aqueles que votam contra a reforma agrária. Quem votou contra nós foram os setores mais reacionários do Congresso Nacional. Pior ainda (elevando o tom de voz): votaram contra os trabalhadores, mas votaram a favor dos empresários, veja o Congresso Nacional que temos, isso é um alerta para todos nós, as reformas que chegarem ao Congresso vão sair de lá pior para os trabalhadores, não acredito que algum projeto de lei, seja reforma sindical, trabalhista ou da previdência possa ser aperfeiçoado por esse Congresso. É bom que nem chegue, porque se chegar vai piorar.

Se o Senado não modificar a lei, qual será a estratégia da CUT?
Vamos nos mobilizar, fazer manifestações, conversar com o Senado porque é inaceitável o que a Câmara fez. Caso o Senado não atenda aos nossos reclamos, vamos pedir para o presidente Lula vetar. Não dá para aceitar algo assim. Liberdade e autonomia sindical não podem acontecer dessa maneira, isso não é liberdade, é libertinagem, é uma emboscada. Quem votou assim tem ódio do trabalhador, do mundo do trabalho e ódio da sociedade organizada, nunca aceitou que os de baixo, os movimentos sociais tivessem direito à organização, essa votação é prova cabal disso. Quando alguém vota para que as organizações empresariais tenham o direito de sobreviver financeiramente, mas considera que os trabalhadores não têm esse mesmo direito é porque é inimigo de classe, está optando por guerra e não vamos aceitar pacificamente esse jogo.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Petroleiros lançam campanha contra leilão


A lei 9478, de 1997, quebrou o monopólio estatal do petróleo, que pertencia à Petrobrás, isto é, ao povo brasileiro que é o verdadeiro dono da empresa. A partir dessa lei, promulgada no governo FHC, foi possível realizar os chamados leilões de petróleo, que nada mais são do que entregar a empresas transnacionais o direito de exploração de blocos onde há viabilidade econômica.
O próximo leilão ocorre nos dias 27 e 28 de novembro, no Rio de Janeiro. O primeiro ocorreu em 15/6/1999 e, desde então, anualmente o governo promove a entrega de parcela das reservas brasileiras. Em 2006, o governo Lula cancelou o oitavo leilão, mas, agora, prepara um novo.
As direções do Sindicato dos Petroleiros de São Paulo e da FUP (Federação Única dos Petroleiros) são contra o leilão, que significa, em última análise, a entrega de um setor estratégico brasileiro para empresas multinacionais, que não têm qualquer compromisso com o desenvolvimento do país. Recentes matérias dos jornais informam que para cada 10 dólares investidos no Brasil, empresas multinacionais remeteram U$ 6 para seus países de origem.

Campanha nacional

Contra mais essa entrega do patrimônio nacional, o Unificado-SP lançou em nível nacional a campanha “leilão é privatização”, envolvendo outros sindicatos de petroleiros, o conjunto do movimento sindical e importantes setores do movimento social, como a UNE e o MST. “Já pautamos essa discussão na Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) e, apesar de o leilão estar próximo, queremos dar ampla divulgação e preparar atos em vários locais do país”, explica Antonio Carlos Spis, diretor do Sindicato e membro da executiva da CUT Nacional.
O Sindipetro-SP pretende, com o apoio da FUP e dos demais sindicatos de petroleiros, realizar debates em universidades, associações, entidades de classe, promover atos públicos e marcar audiências com parlamentares e dirigentes da ANP – Agência Nacional do Petróleo. “Vamos levar nossas posições para todos os locais do país, queremos um debate amplo sobre esse tema”, informa Itamar Sanches, coordenador do Sindicato.
Além das atividades políticas, a entidade irá disponibilizar materiais de divulgação, um deles será um adesivo de carro (veja arte acima), amplamente distribuído para a população. “Temos duas grandes limitações, uma é o escasso tempo para o leilão e outra é a questão financeira, mas vamos procurar divulgar nossa posição por meio de entrevistas em jornais, camisetas, adesivos de automóvel, boletins e o que mais for possível, mas, o mais importante é a participação ativa dos petroleiros nessa campanha”, conclama o diretor de Comunicação do Sindicato, João Antonio Moraes.

Reunião do GT
Nesta terça-feira, dia 23, às 18h, o Grupo de Trabalho (GT) instalado pelo Unificado-SP para discutir o 9º leilão se reúne para definir os próximos passos da campanha. A sede do Sindicato fica no Viaduto 9 de Julho, 160, conjunto 2E, Centro de São Paulo (perto da Câmara Municipal).

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Para tucana, salário é detalhe


O Estado do Acre responde por 0,2% do PIB nacional e possui um PIB per capita de R$ 5.042 (dados de 2004). O PIB paulista é responsável por 30,90% do nacional e o PIB per capita do estado é de R$ 13.725. No entanto, o salário de um professor em início de carreira no AC é de R$ 13,16/hora, enquanto no estado mais rico do país é de apenas R$ 8,05. Ao ser confrontada com esses dados, a secretária de Educação de SP, Maria Helena Guimarães, deu uma de Parreira e afirmou que salário é um mero detalhe. Segundo matéria da Folha de S.Paulo, de 16/10, Maria Helena afirmou que salário não melhora ensino. Ela deve achar, também, que professor não precisa comprar livros, ir a exposições, fazer cursos para se atualizar etc. É assim que tratam a Educação em nosso estado.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Você já foi assediado hoje


Na próxima quinta, 18, acontece no teatro do Sindipetro-NF, em Macaé, o painel "Assédio Moral, uma doença crescente na relação de trabalho". O evento será aberto às 15h com a presença do coordenador geral do sindicato, José Maria Rangel e o vice-presidente CUT/RJ, Darby Igayara.
Depois, o professor e Coordenador Jurídico e Relações de Trabalho da ASUNIRIO, Oscar Gomes da Silva dará um breve histórico do assédio moral no mundo, tratará de alguns conceitos, apresenta pesquisas no setor privado e público; conseqüências físicas e psíquicas do assédio moral; situações e tipos de pessoas com probabilidade de serem vítimas do assédio moral; comentará a probabilidade de alguém se tornar um agressor; as formas de agressão mais usadas; definirá o agressor e os problemas causados pelo assédio moral e a prática médica. Também orientrá sobre tratamento e postura profissional e o que a vítima deve fazer.
Oscar Gomes é autor do livro: "Assédio Moral no trabalho - Uma conduta perversa" editado em 2006.
O Juiz-Auditor Substituto da 2ª Auditoria da 3ª CJM, de Bagé-RS e autor do livro "Assédio Moral no Ambiente de Trabalho", Drº Jorge Luiz de Oliveira da Silva, abordará a caracterização do assédio moral, as diferenças entre assédio moral e sexual no campo legal e abordará genericamente as leis vigentes no país sobre o tema. Também fará parte de sua apresentação a responsabilidade do empregador e do estado pela prática do assédio moral, os aspectos criminais do assédio moral e a a importância da prova.
Qualquer pessoa interessada em debater o tema pode participar. O teatro do Sindipetro-NF fica na Rua Tem. Rui Lopes Ribeiro, 257 – Centro – Macaé.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Sindicato dos Escritores tenta se rearticular

Nesta quinta-feira, 11, na sede do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (Rua Rêgo Freitas), às 15h, um grupo de escritores, intelectuais e jornalistas se reúne para discutir o que fazer com o Sindicato dos Escritores do Estado, entidade atualmente presidida por Luiz Toledo Machado.
Se a organização sindical convencional não é simples, a se tratar de uma categoria difusa como a de "escritor", a situação é ainda mais complexa. Como se negociar, por exemplo, um "piso salarial" para o escritor?
Uma entidade de classe para escritores deve se basear em outros paradigmas que não os do sindicalismo convencional e é sobre isso e como tornar o sindicato mais presente na vida política e social que versará a reunião desta quinta. Um bom apoio virá, com certeza, da União Brasileira dos Escritores-SP, por meio de sua diretoria e, particularmente, de seu presidente, Levi Bucalem Ferrari.
Na reunião devem ser discutidos o papel do Sindicato, como atrair novos sócios e a renovação da diretoria. O provável novo presidente será o economista Nilson Araujo de Souza.

CSC faz coletiva para anunciar saída da CUT

Coube ao vice-presidente da CUT, Wagner Gomes, anunciar oficialmente o que todos já sabem: a saída da Corrente Sindical Classista (CSC) da CUT e a fundação de uma central sindical própria. O anúncio será feito em uma entrevista coletiva dia 15 de outubro, às 15h, na sede do Sindicato dos Marceneneiros de São Paulo (Rua das Carmelitas, 149, centro de São Paulo).
Wagner, eleito recentemente presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, é um dos nomes mais fortes para assumir a presidência da nova entidade, apesar de ele negar, assim como não quis assumir publicamente sua posição em relação à saída da sua corrente da CUT. O mineiro Gilson Reis corre por fora na disputa pela presidência da Central, que deverá ser fundada em dezembro.

Cuba celebra 40 anos da morte de Che


"Os valores morais de Che, sua intransigência e seu internacionalismo são inspirações para continuar criando nossa obra e nosso futuro", afirmou Ramiro Valdés, Comandante da Revolução no ato que celebrou, em Cuba, os 40 anos da morte de Che Guevara.
A comemoração, ocorrida na Praça da Revolução da Cidade de Santa Clara, contou com a presença da Raúl Castro, irmão de Fidel e atual dirigente da ilha.
Além dos falatórios oficiais, familiares dos cinco cubanos presos nos Estados Unidos prestaram homenagem ao líder guerrilheiro e voltaram a exigir a liberdade dos prisioneiros políticos.

Outro dirigente assassinado em Guatemala


Na manhã do dia 23 de setembro, pistoleiros encapuzados dispararam contra Marco Tulio Ramírez Portela, secretário de esportes e cultura do sindicato dos bananeiros (Sitrabi). Seu assassinato foi apenas mais um da onda de violência e ataques a dirigentes sindicais que ocorre em toda América Latina e que continuam impunes.

Na página http://www.iuf.org/cgi-bin/campaigns/show_campaign.cgi?c=309 há uma subscrição ao governo da Guatemala exigindo apuração dos fatos.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Sindicalismo e terceirização

A partir da metade da década de 1990, os sindicatos voltaram a crescer, após um período de queda no número de sindicalizados. Quem afirma isso é o economista Márcio Pochmann, professor da Unicamp e ex-secretário do Trabalho da Prefeitura de São Paulo no governo Marta Suplicy (2001-2004), que fez um balanço da sindicalização urbana no Brasil desde o começo do século 20.
Segundo o pesquisador, o índice de sindicalização teve um leve aumento desde o início deste século, voltando ao patamar de 18% dos trabalhadores ocupados. O número é o mesmo do final dos anos 80.
Os principais fatores apontados pelo pesquisador são a terceirização, a estabilidade na economia e o crescimento do número de mulheres no mercado. Em 2005, por exemplo, a taxa nacional de sindicalização foi 15,7% superior a de 1998.
Para o economista, o avanço do trabalho terceirizado tem permitido construir as bases de uma nova fase de atuação no sindicalismo.
Em uma década (1995-2005), a taxa de trabalhadores terceirizados de São Paulo filiados a sindicatos subiu quase 34 vezes, indo de 0,7% para 27% da categoria.

domingo, 7 de outubro de 2007

Plebiscito da Vale (2)

Publicamente, o Comitê Nacional vai valorizar a quantidade de votos obtidos no plebiscito, mas, internamente, trabalhava-se com um número maior, alguns esperavam mais de cinco milhões de assinaturas.
Um dos motivos - não declarados - para a menor quantidade do que o esperado foi a divergência entre correntes que dizem mais à esquerda e a CUT. Esses setores queriam que o plebiscito tivesse outras perguntas, além da questão específica da Vale, direcionadas a bombardear o governo Lula.
O movimento sindical, CUT à frente, considerou que tais ataques só serviriam à direita, que novamente tenta antecipar o calendário eleitoral. A CUT venceu a queda de braços e mostrou que ainda é, desculpe o termo, a força predominante e mais bem organizada do Comitê Nacional.

Plebiscito da Vale atinge quase 4 milhões de votos

Nesta segunda-feira o Comitê Nacional pela Anulação do Leilão da Vale do Rio Doce divulga os números finais do plebiscito realizado de 1 a 9 de setembro em todo o país. A contagem final não deve atingir os 4 milhões de votos, dos quais mais de 95% pediram a anulação do leilão da Companhia Vale do Rio Doce, privatizadas pelo governo Fernando Henrique, em 1997, por R$ 3,3 bilhões, valor muito abaixo do que a empresa valia na época.
A CUT sai fortalecida nesse plebiscito. A Central e seus sindicatos arrecadaram 907 mil votos, praticamente 25% da soma total dos votos do país.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Veja mira Guevara e dá tiro no pé



Reproduzo, a seguir, texto de Celso Lungaretti publicado em seu blog http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/.

Os 40 anos da morte de Ernesto Guevara Lynch de la Serna, a se completarem no próximo dia 9, dão ensejo a uma nova temporada de caça ao mito Che Guevara por parte da imprensa reacionária, começando por Veja, que acaba de produzir uma das matérias-de-capa mais tendenciosas de sua trajetória.

"Veja conversou com historiadores, biógrafos, antigos companheiros de Che na guerrilha e no governo cubano na tentativa de entender como o rosto de um apologista da violência, voluntarioso e autoritário, foi parar no biquíni de Gisele Bündchen, no braço de Maradona, na barriga de Mike Tyson, em pôsteres e camisetas", afirma a revista, numa admissão involuntária de que não praticou jornalismo, mas, tão-somente, produziu uma peça de propaganda anticomunista, mais apropriada para os tempos da guerra fria do que para a época atual, quando já se pode olhar de forma desapaixonada e analítica para os acontecimentos dos anos de chumbo.

Não houve, em momento algum, a intenção de se fazer justiça ao homem e dimensionar o mito. A avaliação negativa precedeu e orientou a garimpagem dos elementos comprobatórios. Tratou-se apenas de coletar, em todo o planeta, quaisquer informações, boatos, deturpações, afirmações invejosas, difamações, calúnias e frases soltas que pudessem ser utilizadas na montagem de uma furibunda catalinária contra o personagem histórico Ernesto Guevara, com o propósito assumido de se demonstrar que o mito Che Guevara seria uma farsa.

Assim, por exemplo, a Veja faz um verdadeiro contorcionismo retórico para tentar tornar crível que, ao ser preso, o comandante guerrilheiro teria dito: "Não disparem. Sou Che. Valho mais vivo do que morto". Ora, uma frase tão discrepante de tudo que se conhece sobre a personalidade de Guevara jamais poderá ser levada a sério tendo como única fonte a palavra de quem posou como seu captor, um capitão do Exército boliviano (na verdade, eram oficiais estadunidenses que comandavam a caçada).

É tão inverossímil e pouco confiável quanto a "sei quando perco" atribuída a Carlos Lamarca, também capturado com vida e abatido como um animal pelas forças repressivas.

E são simplesmente risíveis as lágrimas de crocodilo que a Veja derrama sobre o túmulo dos "49 jovens inexperientes recrutas que faziam o serviço militar obrigatório na Bolívia" e morreram perseguindo os guerrilheiros. Além de combater um inimigo que tinha esmagadora superioridade de forças e incluía combatentes de elite da maior potência militar do planeta, Guevara ainda deveria ordenar a seus comandados que fizessem uma cuidadosa triagem dos alvos, só disparando contra oficiais...

É o mesmo raciocínio tortuoso que a extrema-direita utiliza para tentar fazer crer que a morte de seus dois únicos e involuntários mártires (Mário Kozel Filho e Alberto Mendes Jr.) tenha tanto peso quanto a de quatro centenas de idealistas que arriscaram conscientemente a vida e a liberdade na resistência à tirania, confrontando a ditadura mais brutal que o Brasil conheceu.

Típica também – e não por acaso – da retórica das viúvas da ditadura é esta afirmação da Veja sobre o legado de Guevara: "No rastro de suas concepções de revolução pela revolução, a América Latina foi lançada em um banho de sangue e uma onda de destruição ainda não inteiramente avaliada e, pior, não totalmente assentada. O mito em torno de Che constitui-se numa muralha que impediu até agora a correta observação de alguns dos mais desastrosos eventos da história contemporânea das Américas".

Assim, a onda revolucionária que se avolumou na América Latina durante as décadas de 1960 e 1970 teria como causa "as concepções de revolução pela revolução" de Guevara e não a miséria, a degradação e o despotismo a que eram submetidos seus povos. E a responsabilidade pelos banhos de sangue com que as várias ditaduras sufocaram anseios de liberdade e justiça social caberia às vítimas, não aos carrascos.

É o que a propaganda enganosa dos sites fascistas martela dia e noite, tentando desmentir o veredicto definitivo da História sobre os Médicis e Pinochets que protagonizaram "alguns dos mais desastrosos eventos da história contemporânea das Américas".

Não existe muralha nenhuma impedindo a correta observação desses episódios, tanto que ela já foi feita pelos historiadores mais conceituados e por braços do Estado brasileiro como as comissões de Anistia e de Mortos e Desaparecidos Políticos. Há, isto sim, a relutância dos verdugos, de seus cúmplices e de seus seguidores, em aceitarem a verdade histórica indiscutível.

E a matéria-de-capa da Veja não passa de mais um exercício do jus esperneandi a que se entregam os que têm esqueletos no armário e os que anseiam por uma recaída totalitária, com os eventos desastrosos e os banhos de sangue correspondentes.

Mensagem a Soninha

Na dança de infidelidades partidárias, a vereadora paulistana Soninha Francine deixou o PT e se filiou ao PPS. Em 28 de setembro publicou em seu blog uma carta "de despedida" elencando superficialmente as razões para a sua decisão.
De modo sereno, como é de seu feitio e profissão de fé budista, Soninha ataca sem atacar, diz sem dizer. "Não saio do PT por causa dos erros graves cometidos por integrantes do partido; o desafio de toda instituição é identificar, punir e criar mecanismos para evitar desvios, deturpações, ilicitudes. Nenhuma está imune a isso. Saio porque acho que algumas de nossas inclinações, hoje, são muito diferentes", afirma em sua carta, sem aprofundar quais diferenças seriam, mas esse não é o central da questão.
Soninha diz que todos os partidos têm problemas, o que é óbvio, mas que escolheu o PPS porque o partido "mostrou interesse em ter em seus quadros alguém 'independente'". As aspas em seu "independente" é bastante revelador, cara Soninha, que para acreditar nas boas intenções do PPS deve acreditar também em papai-noel e duendes.
Porém, logo em seguida, sua carta revela os objetivos da mudança: (o PPS) "ofereceu a oportunidade empolgante de disputar no ano que vem a prefeitura de São Paulo". É isso, Soninha, como toda persona política foi seduzida pelo canto da sereia do poder - o que, vale dizer, é legítimo. O que não é legítimo é insinuar que o PPS é um partido melhor, mais arejado, com menos caciques e outros vícios do que o PT. Também não morro de amores pelo que o PT se tornou, mas trocar o "sujo pelo roto" não resolve os problemas que subliminarmente mencionou.
Quando você foi eleita para a Câmara de São Paulo fiquei contente, acompanhei aqui e acolá sua atividade parlamentar e acho que você não decepcionou seus eleitores - até agora. Não vou votar em você caso seja candidata a prefeita, mas te desejo sorte e fico no aguardo de nova carta pública sua quando sair do PPS, para sabe Buda qual outro partido.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Sobre livros didáticos e as verdades da imprensa


Nos últimos dias a mídia descobriu um novo vilão que perturba a excelente formação de nossos jovens estudantes: livros didáticos que contêm “pregação ideológica” socialista, tendo a Rede Globo como ponta de lança dessa nova campanha, muito através de artigos do jornalista Ali Kamel nas páginas do jornal o Globo. Outros, como Carlos Alberto Sardenberg, apresentador da rádio CBN e comentarista do Jornal da Globo, fazem eco para prevenir a sociedade sobre a “ideologização” dos livros didáticos e exigem mudanças nos critérios de seleção e retirada de tais “propagandistas do demônio” das salas de aula.
Ou seja, em nome da liberdade de mercado querem que o Estado cumpra o papel de inquisitor e censure os livros.
A gênese dessa polêmica é o livro “Nova história crítica”. É a velha e conhecida história: as elites até aceitam um operário bonzinho no governo, mas ficam vermelhos de raiva (ops, “vermelho” não pode) quando se disputa ideologicamente o poder.
O atual processo de seleção dos livros didáticos, criado, aliás, no governo Fernando Henrique, rompeu com poderosos lobbies e esquemas de corrupção que editoras faziam pelos corredores do Ministério da Educação. A impessoalidade e pulverização no processo de escolha romperam com essa prática, para desgosto de vários editores e políticos.
É claro que esse sistema de escolha de livros contém falhas, que devem ser solucionadas, mas não é disso que se trata a grita da imprensa burguesa. Cabe perguntar por que esses arautos da educação “sem ideologia” não esbravejam quando livros apresentam os assassinos bandeirantes como heróis, ou os jesuítas como catequizadores dos índios, ou tratam o golpe militar como “revolução”. Não, para absurdos e ideologia dominante travestida de história, nem uma palavra dos moralistas de plantão.

Proposta
Faço aqui, publicamente, uma proposta ao senhor Ali Kamel, às organizações Globo e demais veículos da mídia: vamos retirar o livro “Nova história crítica” de circulação, até queimá-lo em praça pública se ajudar ao orgasmo dos senhores, mas vamos, também, retirar de circulação toda edição de qualquer jornal que contenha mentiras, manipulação de informações, defesa de grupos financeiros contra os interesses da maioria da população, defesa da propriedade privada como conceito moral, erros históricos e todo tipo de orientação capitalista, visto ser a “orientação socialista” o alvo dos ataques desses setores da mídia. Vocês topam?


(charge de Bira Dantas)

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Seminário do Projeto CUTMulti discute planejamento das redes

Nesta quarta, 3/10, e quinta-feira, a partir das 9h, acontece em São Paulo o Seminário de Planejamento das Redes, organizado pela Secretaria de Relações Internacionais da CUT. Estão sendo esperados representantes das principais redes constituídas através do Projeto Ação Frente às Multinacionais, ou, CUTMulti, como é conhecido. Também participam representantes de cerca de 11 Confederações de Trabalhadores, além do consultor da FNV – central sindical holandesa que financia o projeto -, Patrício Sambonino. O objetivo do seminário é elaborar o planejamento para os próximos 12 meses e apresentar às redes e confederações, a metodologia e as perspectivas da terceira fase do projeto. Após o seminário, no dia 5, acontece a II Oficina de Avaliação e Monitoria do Projeto CUT/FNV.

Tem quem não lamenta a saída da CSC

Na CUT, as avaliações sobre a saída da Corrente Sindical Classista, ligada ao PCdoB, ainda são cautelosas, mas, à boca pequena, alguns ficaram satisfeitos com a decisão da CSC. Por "alguns" entenda-se setores dos bancários e metalúrgicos, que não consideravam a CSC uma parceira confiável.

Políticos e a lista suja do trabalho escravo

Empresas autuadas por manter trabalhadores em condições análogas à de escravo doaram R$ 897 mil para a campanha eleitoral de 25 candidatos em 2006. Levantamento feito pelo Congresso em Foco revela que dois governadores, três senadores, nove deputados federais e cinco estaduais receberam dinheiro de empresas incluídas na chamada "lista suja" do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
A governadora Ana Júlia Carepa (PT), do Pará, estado com o maior número de autuações por exploração de mão-de-obra, recebeu o maior volume de recursos. Foram, ao todo, R$ 252 mil de três empresas: a Companhia Siderúrgica do Pará (Cosipar), a Sidenorte Siderúrgica e a Siderúrgica Marabá S/A (Simara).
Embora não estejam na lista divulgadas neste semestre,
as duas primeiras indústrias figuravam, durante a campanha da petista ano passado, no cadastro criado pelo governo Lula, em 2003, para coibir esse tipo de crime em todo o país. Em nota encaminhada a este site após a publicação da reportagem, a assessoria da governadora disse que Ana Júlia não sabia da inclusão dos doadores no cadastro do Ministério do Trabalho e que o governo do Pará trabalha pela erradicação do trabalho escravo no estado.

Principais doadores
Incluída na lista em julho deste ano, a Simara também aparece como financiadora de outros quatro políticos paraenses: os deputados federais Giovanni Queiroz (PDT-PA) e Wandenkolk Gonçalves (PSDB-PA) e os estaduais Bernardete ten Caten (PT) e Wanderley da Silva Santos (PV-PA).
Ao todo, a empresa doou R$ 190,49 mil. A Simara só fica atrás da Siderúrgica do Maranhão S. A. (Simasa), que destinou R$ 300 mil a nove políticos de seis estados, todos do Nordeste
.
Entre os contemplados pela siderúrgica estão o governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), e os senadores José Maranhão (PMDB-PB) e Garibaldi Alves (PMDB-RN), candidatos derrotados ao governo dos seus estados. A Simasa foi autuada pelos fiscais do Trabalho por se abastecer de carvoarias que mantinham 57 trabalhadores sob condições consideradas subumanas.

Políticos denunciados
A "lista suja" traz ainda o nome de dois parlamentares como doadores. O senador João Ribeiro (PR-TO), condenado pela Justiça do Pará a pagar multa de R$ 760 mil por manter 35 trabalhadores em condições análogas à de escravo, doou R$ 18,75 mil para a campanha da deputada estadual Luana Ribeiro (PR-TO), sua filha. Procurado pelo site, João Ribeiro informou, por meio de sua assessoria, que não comenta o caso.
Outro deputado estadual, Francisco Dantas Ribeiro Filho (PMDB-MA), o Fufuca, doou para si mesmo R$ 79,80 mil. Desde dezembro de 2006, o nome do deputado aparece no cadastro do Ministério do Trabalho. Ele é acusado de manter 12 trabalhadores em condições subumanas em sua fazenda, a Piçarreira, localizada no município de Alto Alegre do Pindaré (MA). O deputado alega inocência: "Eu não merecia estar nesta lista"
.

Ministro do TCU
Este é o segundo levantamento publicado pelo Congresso em Foco com base na lista do MTE e na prestação de contas, na Justiça Eleitoral, de todos os candidatos que participaram das eleições de 2006. Na primeira relação
, divulgada em janeiro deste ano, apareciam 16 políticos e um total de R$ 550 mil. De lá pra cá, esses números aumentaram por causa das retificações de doadores feitos pelos próprios comitês e da inclusão de novas empresas acusadas na lista.
Entre os novos nomes identificados, aparecem o do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) e ex-deputado Aroldo Cedraz (DEM-BA), o do ex-governador de Tocantins Siqueira Campos e o do quarto-secretário da Câmara, José Carlos Machado (DEM-SE).

Corrente Classista decide saída da CUT

Entidade ligada ao PCdoB caminha para a constituição de Central Sindical própria, com os comunistas, nacionalistas e outras tendências que apontem para o socialismo. A CSC integra a CUT desde 1990.
Com a palavra-de-ordem “central classista, futuro socialista”, cerca de 500 delegados deram início ao 7º Encontro Nacional da Corrente Sindical Classista (CSC), na noite de sexta-feira (28), em Salvador (BA). A mesa de abertura, coordenada por Pascoal Carneiro, destacou a trajetória classista e sua pauta de lutas, marcada sobretudo pela defesa da unidade no movimento sindical brasileiro.
Agitação na plenária - O encontro é estratégico para a CSC. No domingo (29), o plenário formalizou a proposta de desfiliar a corrente da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e avançar na construção de uma Central Sindical ampla, classista e democrática. “Estamos aqui para tomar uma das decisões mais importantes de nossa história”, resumiu Pascoal, que é membro da Executiva Nacional da CUT e diretor do Sindicato dos Metalúrgicos da Bahia, quando a proposta foi submetida à apreciação do plenário.
Nivaldo Santana e Renildo Souza, dois dos fundadores da CSC, retomaram a história do sindicalismo classista. Na opinião deles, a corrente sempre se pautou pela unidade - o que ajudou a desenvolver uma trajetória coerente e representativa. Criada em 1988 e formalizada no ano seguinte, a CSC se aliou às Centrais que representavam esse esforço unitário.Nos anos 80, batalhou dentro da CGT (Central Geral dos Trabalhadores). Aprovou, em 1990, a filiação à CUT - e nem as divergências abateram os princípios classistas. A CSC foi crítica contumaz, por exemplo, da adesão da CUT à convenção 87 da OIT (Organização Mundial do Trabalho) - uma convenção que dá margem à fragmentação do movimento, desde a cúpula até a base, das Centrais às entidades. “Mesmo na CUT, onde a CSC permanece há 16 anos, marcamos posição”, afirmou Wagner Gomes, vice-presidente cutista e recém-eleito para presidir o Sindicato dos Metroviários de São Paulo. Ele citou dois congressos da CUT em que a CSC organizou chapas de oposição - em 1991 (“a disputa acabou em cadeiradas”) e em 2006 (“quando houve o combate ao hegemonismo da Articulação Sindical e ao governismo”). Agora, segundo o sindicalista, “é hora de encerrar uma etapa” e partir para a ousadia. “A CSC já soltou o diabo na procissão do movimento sindical. Vamos fazer um debate fraterno, com muita responsabilidade, e começar outra etapa, que vai levar o movimento a um patamar superior de atuação”, conclamou Wagner. João Batista Lemos, coordenador nacional da CSC, lembrou que, em agosto de 1981, havia apenas 30 sindicalistas classistas na 1ª Conclat (Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras). “Hoje somos, reconhecidamente, a terceira maior força sindical do Brasil e temos participação ativa em centenas de Sindicatos de peso.”Evocando o líder comunista João Amazonas, Batista afirmou que as grandes lutas exigem “tanto convicção revolucionária quanto tática”. Segundo ele, “foi correto romper com a CGT e construir o caminho da unidade pela CUT. Acertamos politicamente”.
O caminho pela unidade passa, agora, por uma nova Central.“A corrente, com essa trajetória de 19 anos e cinco meses de luta, está amadurecida, mais do que qualificada e organizada, para dar uma virada histórica no movimento sindical”, conclui Nivaldo Santana. “Historiadores do futuro precisarão dar páginas e páginas para descrever a importância desse encontro, se quiserem traçar os caminhos do sindicalismo brasileiro.”