sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Mensagem a Soninha

Na dança de infidelidades partidárias, a vereadora paulistana Soninha Francine deixou o PT e se filiou ao PPS. Em 28 de setembro publicou em seu blog uma carta "de despedida" elencando superficialmente as razões para a sua decisão.
De modo sereno, como é de seu feitio e profissão de fé budista, Soninha ataca sem atacar, diz sem dizer. "Não saio do PT por causa dos erros graves cometidos por integrantes do partido; o desafio de toda instituição é identificar, punir e criar mecanismos para evitar desvios, deturpações, ilicitudes. Nenhuma está imune a isso. Saio porque acho que algumas de nossas inclinações, hoje, são muito diferentes", afirma em sua carta, sem aprofundar quais diferenças seriam, mas esse não é o central da questão.
Soninha diz que todos os partidos têm problemas, o que é óbvio, mas que escolheu o PPS porque o partido "mostrou interesse em ter em seus quadros alguém 'independente'". As aspas em seu "independente" é bastante revelador, cara Soninha, que para acreditar nas boas intenções do PPS deve acreditar também em papai-noel e duendes.
Porém, logo em seguida, sua carta revela os objetivos da mudança: (o PPS) "ofereceu a oportunidade empolgante de disputar no ano que vem a prefeitura de São Paulo". É isso, Soninha, como toda persona política foi seduzida pelo canto da sereia do poder - o que, vale dizer, é legítimo. O que não é legítimo é insinuar que o PPS é um partido melhor, mais arejado, com menos caciques e outros vícios do que o PT. Também não morro de amores pelo que o PT se tornou, mas trocar o "sujo pelo roto" não resolve os problemas que subliminarmente mencionou.
Quando você foi eleita para a Câmara de São Paulo fiquei contente, acompanhei aqui e acolá sua atividade parlamentar e acho que você não decepcionou seus eleitores - até agora. Não vou votar em você caso seja candidata a prefeita, mas te desejo sorte e fico no aguardo de nova carta pública sua quando sair do PPS, para sabe Buda qual outro partido.
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