terça-feira, 2 de outubro de 2007

Corrente Classista decide saída da CUT

Entidade ligada ao PCdoB caminha para a constituição de Central Sindical própria, com os comunistas, nacionalistas e outras tendências que apontem para o socialismo. A CSC integra a CUT desde 1990.
Com a palavra-de-ordem “central classista, futuro socialista”, cerca de 500 delegados deram início ao 7º Encontro Nacional da Corrente Sindical Classista (CSC), na noite de sexta-feira (28), em Salvador (BA). A mesa de abertura, coordenada por Pascoal Carneiro, destacou a trajetória classista e sua pauta de lutas, marcada sobretudo pela defesa da unidade no movimento sindical brasileiro.
Agitação na plenária - O encontro é estratégico para a CSC. No domingo (29), o plenário formalizou a proposta de desfiliar a corrente da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e avançar na construção de uma Central Sindical ampla, classista e democrática. “Estamos aqui para tomar uma das decisões mais importantes de nossa história”, resumiu Pascoal, que é membro da Executiva Nacional da CUT e diretor do Sindicato dos Metalúrgicos da Bahia, quando a proposta foi submetida à apreciação do plenário.
Nivaldo Santana e Renildo Souza, dois dos fundadores da CSC, retomaram a história do sindicalismo classista. Na opinião deles, a corrente sempre se pautou pela unidade - o que ajudou a desenvolver uma trajetória coerente e representativa. Criada em 1988 e formalizada no ano seguinte, a CSC se aliou às Centrais que representavam esse esforço unitário.Nos anos 80, batalhou dentro da CGT (Central Geral dos Trabalhadores). Aprovou, em 1990, a filiação à CUT - e nem as divergências abateram os princípios classistas. A CSC foi crítica contumaz, por exemplo, da adesão da CUT à convenção 87 da OIT (Organização Mundial do Trabalho) - uma convenção que dá margem à fragmentação do movimento, desde a cúpula até a base, das Centrais às entidades. “Mesmo na CUT, onde a CSC permanece há 16 anos, marcamos posição”, afirmou Wagner Gomes, vice-presidente cutista e recém-eleito para presidir o Sindicato dos Metroviários de São Paulo. Ele citou dois congressos da CUT em que a CSC organizou chapas de oposição - em 1991 (“a disputa acabou em cadeiradas”) e em 2006 (“quando houve o combate ao hegemonismo da Articulação Sindical e ao governismo”). Agora, segundo o sindicalista, “é hora de encerrar uma etapa” e partir para a ousadia. “A CSC já soltou o diabo na procissão do movimento sindical. Vamos fazer um debate fraterno, com muita responsabilidade, e começar outra etapa, que vai levar o movimento a um patamar superior de atuação”, conclamou Wagner. João Batista Lemos, coordenador nacional da CSC, lembrou que, em agosto de 1981, havia apenas 30 sindicalistas classistas na 1ª Conclat (Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras). “Hoje somos, reconhecidamente, a terceira maior força sindical do Brasil e temos participação ativa em centenas de Sindicatos de peso.”Evocando o líder comunista João Amazonas, Batista afirmou que as grandes lutas exigem “tanto convicção revolucionária quanto tática”. Segundo ele, “foi correto romper com a CGT e construir o caminho da unidade pela CUT. Acertamos politicamente”.
O caminho pela unidade passa, agora, por uma nova Central.“A corrente, com essa trajetória de 19 anos e cinco meses de luta, está amadurecida, mais do que qualificada e organizada, para dar uma virada histórica no movimento sindical”, conclui Nivaldo Santana. “Historiadores do futuro precisarão dar páginas e páginas para descrever a importância desse encontro, se quiserem traçar os caminhos do sindicalismo brasileiro.”
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