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sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Paulinho na mira

A Câmara Federal apura denúncias de envolvimento do deputado e presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) com desvio de verbas no BNDES. O relator do processo, Paulo Piau (PMDB-MG) recomendou, no Conselho de Ética, a cassação do deputado sindicalista. Além desse inquérito, Paulinho é investigado pelo Supremo Tribunal Federal por desvio de verbas destinadas a cursos de formação profissional. Entre os "alunos" beneficiados pelos cursos da Força Sindical, o Ministério Público identificou 26991 "fantasmas" e 24.948 detentores de CPFs retidos.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Discriminação financeira

Segundo estudo do Seade/Dieese divulgado na semana passada, os negros recebem, em média, metade do salário pago a não-negros (brancos e amarelos) na Grande São Paulo. Enquanto os negros recebem R$ 4,36 por hora, os não-negros recebem R$ 7,98. Maior escolaridade não diminui a diferença segundo a pesquisa, pelo contrário. A diferença de salários pagos a trabalhadores negros (R$ 3,44 por hora) e brancos (R$ 4,10) que não concluíram o ensino fundamental gira em torno de 19%; entre os que terminaram o ensino superior a diferença chega a 40%: negros recebem em média R$ 13,86 por hora contra R$ 19,49 pago a não-negros.

Marcha a Brasília chega a sua 5ª edição com pauta ampliada

Pelo quinto ano consecutivo, as prin-cipais centrais sindicais – tendo à frente a CUT – realizam a Marcha a Brasília. O movimento, que começou com intuito de pressionar o governo pelo reajuste do salário mínimo, ganhou contornos maiores e agora apresenta uma ampla pauta de reivindicações, que será entregue em audiência a ministros e parlamentares.
Essa grande manifestação, que acontece anualmente e reúne cerca de 30 mil trabalhadores, já conquistou a revitalização do salário mínimo em um acordo que envolveu sindicalistas e governo. Este ano, diante da conjuntura de crise internacional, as centrais avaliam que a Marcha deverá enfatizar a luta por medidas de combate efetivo dos efeitos da crise, como a redução de juros e maior investimento nas áreas sociais e de infra-estrutura. "Com a recessão batendo nos EUA, Europa e Japão, e vindo para a América Latina, precisamos priorizar iniciativas em defesa do nosso mercado interno, com uma resposta firme do Estado brasileiro em apoio à classe trabalhadora e ao setor produtivo. As centrais têm propostas, já amplamente debatidas na Jornada pelo Desenvolvimento, e que precisam ser implementadas para que os trabalhadores não paguem a conta da crise que é do sistema capitalista e de sua lógica especulativa", avalia o secretário geral da CUT, Quintino Severo.

A crise da extrema esquerda

Por Emir Sader
Os resultados das eleições municipais vieram corroborar o que o cenáriopolítico nacional já permitia ver: o esgotamento do impulso da extremaesquerda, que tinha sido relançada no começo do governo Lula. A votação emtorno de 1% de dois dos seus três parlamentares, candidatos a prefeito emSão Paulo e no Rio de Janeiro, com votações significativamente menores doque as que tiveram como candidatos a deputados, sem falar na diferençacolossal em relação à candidata à presidência, apenas dois anos antes – sãoa expressão eleitoral, quantitativa, que se estendeu por praticamente todo opaís, do esgotamento prematuro de um projeto que se iniciou com uma lógicaclara, mas esbarrou cedo em limitações que o levam a um beco difícil, se nãohouver mudança de rota. A Carta aos Brasileiros, anunciando que o novo governo não iria rompernenhum compromisso – nesse caso, com o capital financeiro, para bloquear oataque especulativo, medido pelo “risco Lula” -, a nomeação de Meirellespara o Banco Central e a reforma da previdência como primeira do governo –desenharam o quadro de decepção com o governo Lula, que levaria à saída doPT de setores de esquerda. A orientação assumida pelo governo inicialmente,em que a presença hegemônica de Palocci fazia primar os elementos decontinuidade com o governo FHC sobre os de mudança – estes recluídosbasicamente na política externa diferenciada e em setores localizados – e areiteração de um governo estritamente neoliberal davam uma imagem de umgoverno que era considerado pelos que abandonavam o PT, comoirreversivelmente perdido para a esquerda. O dilema para a esquerda era seguir a luta por um governo anti-neoliberaldentro do PT e do governo ou sair para reagrupar forças e projetar aformação de uma nova agrupação. Naquele momento se cogitou a constituição deum núcleo socialista, dos que permaneciam e dos que saíam do PT, paradiscutir amplamente os rumos a tomar. Não apenas cabia uma força à esquerdado PT, como se poderia prever que ela seria engrossada por setores amplos,caso a orientação inicial do governo se mantivesse. Dois fatores vieram a alterar esse quadro. O primeiro, a precipitação nafundação de um novo partido – o Psol -, com o primeiro grupo que saiu do PT– em particular a tendência morenista – passando a controlar as estruturasda nova agremiação. Isto não apenas estreitou organizativamente o novopartido, como o levou a posições de ultra-esquerda, responsáveis pelo seuisolamento e sectarização. A candidatura presidencial nas eleições de 2006agregou um outro elemento ao sectarismo, que já levaria a uma posição deeqüidistância em relação ao governo Lula. O raciocínio predominante foi o deque o governo era o melhor administrador do neoliberalismo, porque além demantê-lo e consolidá-lo, o fazia dividindo e confundindo a esquerda,neutralizando a amplos setores do movimento de massas. Portanto deveria serderrotado e destruído, para que uma verdadeira esquerda pudesse surgir. Ogoverno Lula e o PT passaram a ser os inimigos fundamentais da novaagrupação. Esse elemento favoreceu a aliança – já desenhada no Parlamento, masconsolidada na campanha eleitoral – com a direita – tanto com o blocotucano-pefelista, como com a mídia oligárquica -, na oposição ao governo e àreeleição de Lula. A projeção midiática benevolente da imagem da candidatado Psol lhe permitia ter mais votos do que os do seu partido, mascomprometia a imagem do partido com uma campanha despolitizada eoportunista, em que a caracterização do governo Lula não se diferenciavadaquela feita na campanha do “mensalão”. Como se poderia esperar, apesar dealgumas resistências, a posição no segundo turno foi a do voto nulo, isto é,daria igual para o novo partido a vitória do neoliberal duro e puro Alckminou de Lula. (Se tornava linha nacional oficial o que já se havia dado nasprimeiras eleições em que o Psol participou, as municipais, em que, porexemplo, em Porto Alegre, diante de Raul Pont e Fogaça, no segundo turno, seafirmou que se tratava da nova direita contra a velha direita e se decidiupelo voto nulo.) Uma combinação entre sectarismo e oportunismo foi responsável pelocomprometimento da orientação política do novo partido, que o levou a perdera possibilidade de formação de um partido à esquerda do PT, que se aliasse aeste nos pontos comuns e lutasse contra nos temas de divergência. Osectarismo levou a que sindicatos saíssem da CUT, sem conseguir se agruparcom outros, enfraquecendo a esquerda da CUT e se dispersando no isolamento.Levou a que os parlamentares do Psol votassem contra o governo em tudo – atémesmo na CPMF – e não apoiassem as políticas corretas do governo – como apolítica internacional, entre outras. Esta se dá porque o governo brasileirotem estreita política de alianças com as principais lideranças de esquerdano continente – como as de Cuba, Venezuela, Equador, Bolívia -, que apóiam ogoverno Lula, o que desloca completamente posições de ultra-esquerda – quese reproduzem de forma similar a dessa corrente no Brasil nesses países -,deixando de atuar numa dimensão fundamental para a esquerda – a integraçãocontinental. Por outro, o governo Lula passou a outra etapa, com a saída de vários deseus ministros, principalmente Palocci, conseguindo retomar um cicloexpansivo da economia e desenvolvendo efetivas políticas de distribuição derenda, ao mesmo tempo que recolocava o tema do desenvolvimento como central– deslocando o da estabilidade, central para o governo FHC -, avançando narecomposição do aparelho do Estado, melhorando substancialmente o nível doemprego formal, diminuindo o desemprego, entre outros aspetos. A caracterização do governo Lula como expressão consolidada doneoliberalismo, um governo cada vez mais afundado no neoliberalismo –reedição de FHC, de Menem, de Carlos Andrés Perez, de Fujimori, de Sanchezde Losada – se chocava com a realidade. Economistas da extrema esquerda continuaram brigando com a realidade,anunciando catástrofes iminentes, capitulações de toda ordem, tentandoresgatar sua equivocada previsão sobre os destinos irreversíveis do governo,tentando reduzir o governo Lula a uma simples continuação do governo FHC,reduzindo as políticas sociais a “assistencialismo”, mas foramsistematicamente desmentidos pela realidade, que levou ao isolamento totaldos que pregam essas posições desencontradas com a realidade. O isolamento dessas posições se refletiu no resultado eleitoral, em quetodas as correntes de ultra-esquerda ficaram relegadas à intranscendênciapolítica, revelando como estão afastadas da realidade, do sentimento geraldo povo, dos problemas que enfrenta o Brasil e a América Latina. Aspolíticas sociais respondem em grande parte pelos 80% de apoio dogoverno,rejeitado por apenas 8%. Para a direita basta a afirmação do“asisistencialismo” do governo e da desqualificação do povo, que se deixariacorromper por “alguns centavos”, mas a esquerda não pode comprá-la, porreacionária e discriminatória contra os pobres. Confirmação desse isolamento e de perda de sensibilidade e contato com arealidade é que não se vê nenhum tipo de balanço autocrítico, sequerconstatação de derrota da parte da extrema esquerda. Se afirma que sefizeram boas campanhas, não importando os resultados, como se se tratassemde pastores religiosos que pregam no deserto, com a consciência de querepresentam uma palavra divina, que ainda não foi compreendida pelo povo.(Marx dizia que a pequena burguesia sofre derrotas acachapantes, mas não seautocrítica, não coloca em questão sua orientação, acredita apenas que opovo ainda não está maduro para sua posições, definidas essencialmente comocorretas, porque corresponderiam a textos sagrados da teoria.) Não fazer um balanço das derrotas, não se dar conta do isolamento em que seencontram, da aliança tácita com a direita e das transformações do governoLula – junto com as da própria realidade econômica e social do país –, daconstatação do caráter contraditório do governo Lula, que não deveria ser seinimigo fundamental revelariam a perda de sensibilidade política, o quepoderia significar um caminho sem volta para a extrema esquerda. Seria umapena, porque a esquerda brasileira precisa de uma força mais radical, que sealie ao PT nas coincidências e lute nas divergências, compondo um quadromais amplo e representativo, combinando aliança a autonomia, que faria bem àesquerda e ao Brasil.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Eu não confio em Barack Obama

A mídia internacional em geral, e a brasileira em particular, que possui vasta vocação de puxar o saco dos poderosos, saudou a vitória do senador do Partido Democrata, Barack Obama, à Presidência dos EUA como se tivesse ocorrido uma revolução social no país e fosse ele o salvador do mundo de uma crise criada pelo império que agora irá governar.
Há 20 anos a política dos Estados Unidos é controlada por duas famílias, a Bush e a Clinton. Bush pai exerceu o mandato de 1989 a 1993, sucedido por Bill Clinton até 2001 e este pelo atual presidente, Bush filho da pátria. Se Hillary Clinton tivesse vencido a disputa pela indicação dos Democratas, a história se repetiria como farsa ou tragédia. Deste ponto de vista é salutar a presença de um estranho no ninho. Nem tão estranho, assim. Obama aprendeu em Harvard, onde cursou Direito, como fazer carreira em política.
O fato de ser negro também lhe confere um caráter de quebra de paradigma, em um país declaradamente racista. Mas, a cor da pele, ou a origem social, ou ser um migrante nordestino no Brasil é, em si, garantia de que se fará um governo de ruptura.
O democrata Clinton lançou bombas sobre o Iraque quando seu caso com a estagiária Mônica, regado a charutos cubanos, quase lhe custou o impedimento. Democratas e republicanos são cada vez mais parecidos um com o outro, como os porcos e os humanos da fábula revolução dos bichos, de George Orwell. Em nenhum momento de sua campanha, Barack Obama se comprometeu claramente com a retirada das tropas do Iraque, com o fim dos ataques ao Afeganistão ou com a apuração dos crimes de guerra de Bush filho - por muito menos que Bush, Sadam Hussein foi jogado aos leões. Obama, que também é Hussein, sabe que se elegeu presidente do Império e vai defendê-lo com as armas que dispor. Há mais de 100 anos, dia após dia, os Estados Unidos estão em guerra em algum - ou vários – ponto da terra. Há mais de 100 anos os Estados Unidos combatem diariamente a o mundo.
Obama será menos truculento que Bush, com certeza, mas não abrirá mão do tripé que sustenta qualquer império: a dominação econômica, a supremacia militar e a sedução da ideologia.
Os Estados Unidos continuam a ser inimigos da humanidade. E Barack Hussein Obama Jr. é agora seu principal representante.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Massacre na CSN completa 20 anos




O ano era 1988, o processo de redemocratização do país parecia não ter volta, havia pouco mais de um mês que a nova Constituição fora promulgada, regulamentando o direito de greve entre diversos outros direitos históricos. Naquele clima de tênue liberdade, cerca de 20 mil metalúrgicos cruzaram os braços e ocuparam a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda, exigindo correção de salários solapados pela inflação.
Em 9 de novembro, o exército se posicionou para cumprir um mandato de reintegração de posse da CSN. Militares com rostos pintados para a guerra começaram a atirar contra os grevistas, que resistiam com paus e pedras. Os relatos posteriores mostram que não houve uma batalha, houve caça. Trabalhadores correndo para dentro da empresa para se esconder e cerca de 2 mil militares armados de bombas e fuzis atirando em quem encontravam pela frente.
O resultado da caçada foi o assassinato de três trabalhadores. William Fernandes Leite, de 23 anos, foi baleado no pescoço – estava longe do centro do conflito; Walmir Freitas de Monteiro, 28 anos, teve o tórax atravessado por uma bala de fuzil. O corpo de Carlos Augusto Barroso, 19, foi encontrado com sinais de espancamento e afundamento de crânio.

Prêmio aos assassinos
A população de Volta Redonda, palco dos acontecimentos, saiu às ruas em protesto. Em diversos cantos do país ocorreram manifestações exigindo punição aos culpados; a tragédia ocupou os noticiários internacionais, mobilizou entidades de direitos humanos, mas nada aconteceu.
O Estado não foi responsabilizado pelos crimes. Nenhum militar depôs na Justiça comum, o inquérito conduzido na esfera militar não apontou culpados. Pelo contrário. Em 1999, o general José Luís Lopes da Silva, que comandou o massacre, foi nomeado ministro do Superior Tribunal Militar, pelo então presidente Fernando Henrique.
Lopes da Silva se aposentou em 2004 com polpudos rendimentos, enquanto as famílias dos três operários receberam uma parca indenização a título de “acidente de trabalho”.
Nas comemorações do 1º de Maio do ano seguinte, uma obra de Oscar Niemeyer foi inaugurada em Volta Redonda em homenagem aos três trabalhadores. Menos de 24 horas depois ela estava no chão, vitimada por um atentado a bomba, que também nunca foi investigado com seriedade.