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terça-feira, 22 de julho de 2008

Tempos bororós


Alguns poucos leitores deste blog notaram a ausência de postagens dos últimos dias, devido à correria e acúmulo de trabalho na editora por conta da participação da Limiar na Bienal do Livro, que acontece em sampa, de 14 a 24 de agosto.

Na ocasião, entre outros, a editora estará lançando o Dicionário de Palavras Brasileiras de Origem Indígena, um grande compêndio de verbetes coletados ao longo de 30 anos pelo Dr. Clóvis Chiaradia.

A produção do dicionário está tomando um tempo maior do que o previsto e, assim, outras atividades como escrever para este "importante" espaço ficaram prejudicas.

Logo as coisas voltam ao normal.

O lançamento do Dicionário será no dia 16 de agosto, sábado, ás 17h, na Bienal. Até lá dou mais informações.

Sindipetro-SP: Chapa 1 vence eleição com 83% dos votos

Terminou na manhã do sábado (19) a apuração dos votos para eleger a nova Diretoria do Unificado, do Daesp (Departamento de Aposentados) e do Conselho Fiscal. A Chapa 1 – Unidade Nacional, apoiada pela atual direção, pela FUP e pela CUT, obteve 83,1% dos votos válidos. Segundo o coordenador do Unificado, Itamar Sanches, “esse expressivo resultado demonstra a aprovação dos sindicalizados na atual gestão” (leia entrevista na página 4).
Pela primeira vez desde a unificação duas chapas concorreram ao pleito e a votação não deixa dúvida de que a categoria quer a continuação da política desenvolvida pela atual direção e pela FUP, de enfrentamento, negociação, mobilização constante da base e conquistas, denúncia dos abusos cometidos pelas chefias e gerências e busca da unidade nacional como forma de fortalecer a categoria.


Vamos continuar a política de mobilização e fortalecimento da unidade nacional
Diretor reeleito, Itamar Sanches, avalia os desafios da categoria para o próximo período
O coordenador do Sindipetro Unificado e diretor reeleito para a gestão 2008/11, Itamar Sanches, fala sobre as prioridades da nova gestão e os desafios da categoria para o próximo período.

Itamar, por que o cargo de coordenador e não de presidente, como é mais comum nos sindicatos?
No estatuto do Unificado, assim como o da FUP e de outros sindicatos de petroleiros, não consta a figura do presidente, mais do que um aspecto simbólico, queremos reforçar a idéia de que a direção de uma entidade classista é colegiada, isto é, é de responsabilidade de todos, dirigentes e sindicalizados. Hoje, o Itamar está como coordenador, mas outro companheiro(a) pode assumir; a coordenação é uma função dentro da estrutura do sindicato e não um cargo.

Pela primeira vez duas chapas concorreram. Qual é a sua avaliação sobre a expressiva votação da Chapa 1?
Creio que foram diversos fatores que fizeram a categoria votar e apoiar a chapa 1. Primeiro, a atual direção desenvolveu um trabalho sério e com resultados concretos tanto para a melhoria das condições de trabalho quanto à remuneração dos trabalhadores. Segundo, creio que a categoria soube entender que mesmo cometendo erros aqui e ali, essa é uma direção que não foge da luta e trata todas as questões com transparência, levando as decisões da base. Pesou também o conhecimento que a categoria tem dos dirigentes, sabe que são pessoas comprometidas com a luta e com a unidade nacional, mesmo nessa semana corrida que foi a da eleição, não deixamos de realizar atos e mobilizações definidos pelo calendário nacional da FUP. E destaco, ainda, o fato de a chapa 1 ter sido comporta por companheiros de todas as bases, enquanto a outra tinha basicamente representantes da Replan.

Não é estranho uma categoria que recebe acima da média nacional fazer greve por PLR?
A mídia vai bater nessa tecla para tentar desgastar o movimento, mas a situação é bem mais complexa. Primeiro, temos que parar de achar que PLR é um favor que a empresa faz, não é! É um direito do trabalhador, garantido por lei e vamos buscar o máximo que a lei permite. Historicamente, há distorções na PLR paga pela Petrobrás para os “peões” e para os gerentes, queremos rever essa matemática, assim como estabelecer uma nova metodologia de negociação. Hoje a empresa privilegia acionistas e gerências em detrimento da maioria dos trabalhadores e a greve é um instrumento legítimo para buscarmos corrigir essas distorções.

De certa forma, uma greve no início de agosto é uma antecipação da campanha salarial.
Não necessariamente, mas é claro que outras reivindicações históricas, como mais segurança e o apoio a reivindicações específicas de outras bases, como a dos companheiros da Bacia de Campos, permeiam as mobilizações, mas a campanha salarial será uma outra etapa de luta.

A diretoria que agora assume irá até 2011. Quais os principais desafios desse período?
Do ponto de vista nacional estaremos na passagem do governo Lula para um outro, que ainda não sabemos qual será. A Petrobrás cresceu e os trabalhadores foram valorizados no governo Lula e precisamos ter uma sólida base de organização para agüentar uma rebordosa, caso o governo volte para os neoliberais privatistas. Temos divergências com o governo Lula, mas temos espaço democrático para sentar na mesma mesa e negociar, o que nunca aconteceu em governos anteriores.
No aspecto da nossa base, essa diretoria vai procurar estruturar cada vez mais o Sindicato, encaminhar todas as demandas da categoria e incentivar a participação dos novos trabalhadores e a formação de novas lideranças.
Um outro ponto que já mereceu atenção destacada nesta gestão e continuará na próxima é em relação aos aposentados. Nesta gestão o Daesp se estruturou, tem um boletim mensal específico e está desenvolvendo diversas atividades. Vamos, também, dinamizar o Departamento Jurídico para que todo sindicalizado possa ter um atendimento cada vez melhor.
Por fim, mas não menos importante, vamos continuar lutando pela unidade nacional da categoria, que sempre foi o grande trunfo dos petroleiros. Vamos fortalecer a FUP e desenvolver campanhas nacionais pelo fim dos leilões do petróleo, por uma nova lei do petróleo, por mais segurança em todo o sistema Petrobrás, pela reincorporação da Transpetro entre muitas outras bandeiras de luta de nossa grande categoria.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Sindipetro Unificado: eleição atinge quorum em seu segundo dia

No final da terça-feira, 15 de julho, segundo dia das eleições para o Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo, foi atingido o quorum mínimo de 30% dos sindicalizados, exigido pelo Estatuto da entidade. "Isso demonstra a maturidade dos petroleiros e petroleiras, que respeitam e valorizam sua entidade sindical", avalia Itamar Sanches, coordenador do Sindipetro Unificado e candidato à reeleição pela Chapa 1 – Unidade Nacional, apoiada pela CUT e pela FUP (Federação Única dos Petroleiros). A estimativa da Diretoria é que cerca de 60% dos sindicalizados votem. "Por ser julho, muitos trabalhadores estão em férias, mesmo assim, temos a espectativa que mais da metade dos sindicalizados votem", informa Itamar Sanches.
A eleição para a diretoria executiva do Sindicato, Conselho Fiscal e Departamento de Aposentados (DAESP) continua até a sexta-feira, dia 18. Até o momento a eleição segue tranquilamente, sem o registro de nenhum incidente.
A apuração e proclamação da chapa vencedora acontece no sábado, dia 19, a partir das 9h.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Ingrid, a mulher de 20 milhões de dólares

Ingrid Betancourt foi libertada após seis anos de cativeiro em uma operação “espetacular”. Agentes do exército, que até então não tinham nenhum indício de onde ela se encontravam, se infiltraram em um acampamento das Farc, retiraram a ex-candidata presidencial, saíram de helicóptero sem que nenhum guerrilheiro visse ou ouvisse nada. E sem disparar um único tiro. Só não dá para dizer que é coisa de Hollywood por lá sempre tem muito tiro nos filmes de ação.
Por pura coincidência, no mesmo dia da operação, o candidato republicano estadunidense, John McCain, estava visitando a Colômbia.
A imprensa internacional alardeou a manobra desencadeada pelo governo Uribe como uma grande operação de “inteligência”, com apoio “logístico” dos Estados Unidos. Todo mundo ficou feliz e ganhou força a idéia de um terceiro mandato para o reacionário Uribe.
O script parecia certinho demais até a Rádio Suíça Romanda apresentar uma versão bem mais verossímil para os fatos. Citando uma fonte confiável, a rádio pública informou que as Farc receberam 20 milhões de dólares para libertar Ingrid e mais 15 reféns. O governo colombiano fez cara de paisagem e não comentou o assunto.

Em visita à 6ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, para lançar o livro O Despenhadeiro (Editora Alfaguara), o escritor colombiano Fernando Vallejo criticou a comoção internacional causada pela libertação da ex-candidata à presidência da Colômbia Ingrid Betancourt. Segundo ele, a ex-presa é mais uma personagem conservadora da classe política colombiana, “Neste momento, as Farc têm pelo menos 700 seqüestrados, mas nenhum deles, exceto Ingrid e Clara Rojas, buscou seu seqüestro. Ela quis ir a San Vicente del Caguán apesar dos avisos do ministro do Interior de que ela não poderia ir lá, de que não poderia garantir sua segurança. Por que foi pra lá? Ela queria dar um golpe publicitário”, comentou o blog “os amigos do presidente” se referindo às declarações de Vallejo.
Tudo posto, não é teoria da conspiração imaginar que o planeta foi vítima de mais uma manipulação, graciosamente repercutida pela mídia internacional.

Companheiro chora, sim


“Companheiro, seja forte, não chore!”

Com essa frase, olhos marejados, o então líder sindical Lula abraçava forte o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, Jair Meneguelli, ambos não continham as lágrimas. Poucas horas antes, a ditadura militar anunciara a intervenção no sindicato. Às 17h recebi um telefonema avisando da intervenção e fui direto para a sede dos metalúrgicos de São Bernardo. Eu não era metalúrgico, mas achei importante estar solidário àquela luta. Durante quase o dia todo estivera nas portarias da General Motors, em São Caetano do Sul, panfletando e chamando os trabalhadores à paralisação convocada por metalúrgicos, bancários e petroleiros entre outras categorias. Era o primeiro ensaio geral de greve orquestrada pelo então embrião da Central Única dos Trabalhadores.

Sindicato lotado, muita exaltação, discursos emocionados. Lula e Meneguelli conversavam com os trabalhadores, pediam serenidade, confiança no futuro e na organização da classe trabalhadores. Cerca de 100 quilômetros dali, a cena se repetia no Sindicato dos Petroleiros de Campinas. Jacó Bittar anunciava que também a entidade dos petroleiros havia sofrido intervenção federal. As refinarias do Planalto, em Campinas, e de Mataripe, na Bahia, foram invadidas e ocupadas pelo exército: 153 petroleiros foram demitidos em Paulínia e 205 em Mataripe.

A causa da greve foi um pacote econômico baixado pelo general de plantão, João Batista Figueiredo, atacando direitos dos trabalhadores. A greve não foi geral como pretendiam os trabalhadores, mas atingiu importantes categorias, como petroleiros, metalúrgicos, metroviários e bancários, cujo sindicato em São Paulo, à época dirigido por Luiz Gushiken, também sofreu intervenção.

A tentativa da ditadura de sufocar a crescente organização dos trabalhadores foi um fiasco. O movimento sindical assimilou o golpe, vergou, mas não caiu, criou formas criativas de mobilização e de manter a organização: comitês de solidariedade foram criados, trabalhadores que continuaram nas refinarias ajudaram com dinheiro e alimentos os demitidos, e a velha máxima, “o que não me destrói, me fortalece”, nunca se fez tão presente. O choro de Lula, Meneguelli, Bittar e tantos outros se transformou na arma dos trabalhadores contra a opressão.

Um mês depois a CUT foi oficialmente criada. Nas ruas, na Justiça e na marra, os trabalhadores reconquistaram suas entidades, reverteram as demissões e saíram ainda mais mobilizados e conscientes de que venceriam a guerra contra a longa noite da ditadura.


Neste dia 5 de julho, o Sindicato dos Petroleiros de São Paulo estará realizando na sede de Campinas um ato para relembrar os 25 anos da greve. As atividades começam a partir das 9h.