sexta-feira, 4 de julho de 2008

Ingrid, a mulher de 20 milhões de dólares

Ingrid Betancourt foi libertada após seis anos de cativeiro em uma operação “espetacular”. Agentes do exército, que até então não tinham nenhum indício de onde ela se encontravam, se infiltraram em um acampamento das Farc, retiraram a ex-candidata presidencial, saíram de helicóptero sem que nenhum guerrilheiro visse ou ouvisse nada. E sem disparar um único tiro. Só não dá para dizer que é coisa de Hollywood por lá sempre tem muito tiro nos filmes de ação.
Por pura coincidência, no mesmo dia da operação, o candidato republicano estadunidense, John McCain, estava visitando a Colômbia.
A imprensa internacional alardeou a manobra desencadeada pelo governo Uribe como uma grande operação de “inteligência”, com apoio “logístico” dos Estados Unidos. Todo mundo ficou feliz e ganhou força a idéia de um terceiro mandato para o reacionário Uribe.
O script parecia certinho demais até a Rádio Suíça Romanda apresentar uma versão bem mais verossímil para os fatos. Citando uma fonte confiável, a rádio pública informou que as Farc receberam 20 milhões de dólares para libertar Ingrid e mais 15 reféns. O governo colombiano fez cara de paisagem e não comentou o assunto.

Em visita à 6ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, para lançar o livro O Despenhadeiro (Editora Alfaguara), o escritor colombiano Fernando Vallejo criticou a comoção internacional causada pela libertação da ex-candidata à presidência da Colômbia Ingrid Betancourt. Segundo ele, a ex-presa é mais uma personagem conservadora da classe política colombiana, “Neste momento, as Farc têm pelo menos 700 seqüestrados, mas nenhum deles, exceto Ingrid e Clara Rojas, buscou seu seqüestro. Ela quis ir a San Vicente del Caguán apesar dos avisos do ministro do Interior de que ela não poderia ir lá, de que não poderia garantir sua segurança. Por que foi pra lá? Ela queria dar um golpe publicitário”, comentou o blog “os amigos do presidente” se referindo às declarações de Vallejo.
Tudo posto, não é teoria da conspiração imaginar que o planeta foi vítima de mais uma manipulação, graciosamente repercutida pela mídia internacional.
Postar um comentário