quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Petroleiros se preparam para a greve

Em 1995, no início do governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso, os petroleiros protagonizaram a maior greve da história da categoria, motivada pelo descumprimento de acordos assinados entre os sindicatos, a Petrobrás e o então governo Itamar Franco.

Naquele momento era clara a intenção de FHC de cortar direitos trabalhistas e sucatear a Petrobrás para oferecê-la à privataria internacional, exigência do FMI, assumida com subserviência pelo governo neoliberal tucano.

A resistência dos petroleiros mudou essa história e a Petrobrás se consolidou, no governo posterior, como um dos mais importantes instrumentos de desenvolvimento do país, tornando o Brasil autossuficiente em petróleo, reerguendo a indústria naval, por meio de contratos para construção de navios e plataformas, gerando empregos em todo o país, construindo novas refinarias.

Nesse período, a luta da categoria, tendo a FUP (Federação Única dos Petroleiros) à frente, conquistou aumentos reais e recompôs direitos perdidos durante os nefastos oito anos de gestão de Fernando Henrique.

Em 1995, a greve foi eminentemente contra o governo. Hoje, configura-se uma situação diferente, mas a intransigência da Petrobrás e do governo (que usa a crise para justificar não conceder reajustes e aumentos para os trabalhadores de empresas públicas) pode gerar um nível de conflito que há anos não ocorre.

Os petroleiros têm consciência do importante papel da Petrobrás no cenário nacional, mas se sentem desmotivados devido à falta de segurança, assédio por parte de gerentes e não reconhecimento financeiro do esforço de cada um para construir a maior empresa do país.

Não é atacando salários e direitos que o Brasil irá enfrentar a crise; quem tem de pagar esse ônus é quem sempre lucrou, ou seja, o sistema financeiro especulador.

As reivindicações dos petroleiros são justas. A FUP e seus sindicatos sempre buscaram o diálogo e estão dispostos a conversar à exaustão, mas isso não significa abdicar da mobilização: caso a Petrobrás não responda a contento a pauta da categoria, o Brasil verá que um filho seu não foge à luta.

Se não houver acordo e for a vontade soberana da categoria, a greve será deflagrada. Ela, a princípio, não é contra o governo, mas pode tornar-se caso a administração Dilma mantenha a postura intransigente de tentar impedir que a direção da Petrobrás negocie livremente com os trabalhadores.

O Conselho Deliberativo da FUP estabeleceu um prazo para a empresa e propôs um calendário de mobilização. É hora de nos prepararmos para o confronto.
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