quarta-feira, 29 de março de 2017

ESTUDO DO DIEESE COMPROVA RELAÇÃO ENTRE TERCEIRIZAÇÃO E ACIDENTES DE TRABALHO






As políticas e normas de segurança da maioria das grandes empresas são equivocadas, em vez de priorizar a melhoria condições de trabalho e a segurança, evitando acidentes, focam na produtividade e nos equipamentos individuais de segurança, que ajudam, mas não garantem uma eficaz prevenção contra acidentes.

Não adianta ter uma política de segurança se não há adequada manutenção dos equipamentos ou o necessário treinamento para os trabalhadores, principalmente os terceirizados.

O resultado desse descaso é a quantidade de acidentes que ocorrem no Sistema, que vitimam, principalmente, trabalhadores de empresas contratadas.

A aprovação pela Câmara dos Deputados do PL 4302, que escancara a terceirização em toda a linha produtiva, tende a elevar potencialmente o número de acidentes. Subserviente à Fiesp, Temer vai sancionar o projeto, apesar de ter como opção outro PL, o 4330 (que se encontra no Senado), menos pernicioso que esse votado pela Câmara. Mas Temer prefere a morte de trabalhadores a ter que contrariar interesses dos empresários.

Estudo do Dieese
O mais recente estudo do Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Socioeconômicas (Dieese), datado de 2014, mostra em números a crueldade da política de terceirização (que, voltamos a afirmar, vai piorar com a aprovação do PL 4302). Os dados são assustadores (leia quadro abaixo).  










Além da crua faceta dos acidentes e mortes, há outras consequências, conforme aponta o estudo: os salários são, em média, 24,7% menores para os terceirizados, a jornada de trabalho é maior e o tempo de permanência no emprego é praticamente metade do que o trabalhador próprio.

Fábrica de mortes de terceirizados
Na Petrobrás, de 2005 a 2012, o número de trabalhadores terceirizados aumentou em 2,3 vezes, mas o número de acidentes de trabalho cresceu 12,9 vezes. Nesse período, 14 trabalhadores próprios e 85 terceirizados perderam a vida durante suas atividades. Em todo o sistema Petrobrás, 80% dos acidentes fatais ocorrem com terceirizados.

Segundo o estudo do Dieese, “98% das motivações que levaram a empresa [Petrobrás] a terceirizar mão de obra ocorrem por contratos que objetivam o menor preço, apenas 2% levam em conta melhor técnica e preço (o que explicaria uma terceirização sob determinada concepção). As consequências lógicas desse tipo de contratação são a precarização das relações de trabalho, calotes, intermediação de mão de obra, baixo treinamento, menores custos salariais etc.”.



Outro aspecto a destacar é a relação de fatalidades. Essa é mais uma grave consequência desse modelo de contratação: a terceirização dos riscos. Desde 1995 até 2013,  são mais de 300 vidas ceifadas por acidentes de trabalho na Petrobrás. Mais de 80% das vítimas (249) eram trabalhadores terceirizados, contra 61 próprios. Um quadro estarrecedor, mas sem grandes impactos sobre os gestores da empresa, que continuam resistentes às reivindicações dos trabalhadores e nada fazem de concreto para impedir a continuidade desta matança. Apesar dos fartos discursos de responsabilidade social, os gestores da Petrobrás terceirizam riscos, desrespeitam acordos, precarizam condições de trabalho, enfim, reduzem custos com a segurança. 

Acesse aqui o estudo completo do Dieese feito em parceria com a Central Única dos Trabalhadores - CUT 
Postar um comentário