quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Alexandre de Moraes não tem condições de continuar à frente do Ministério da Justiça



As declarações e a postura do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, após a rebelião no presídio de Manaus, não são apenas mais uma das “trapalhadas” do ministro e ex-advogado de empresas ligadas ao PCC; são o uso consciente de seu posto para diminuir o impacto (e, por consequência, a ação a ser tomada) do massacre que resultou em 56 mortes, decapitação e exposição nacional e internacional de quem comanda os presídios no Brasil são as facções criminosas.

É cada vez mais evidente que Alexandre de Moraes não tem condições de continuar à frente do Ministério da Justiça.

Em 21 de outubro, dois meses antes da chacina em Manaus, a jornalista Cecília Olliveira escreveu um artigo para o site The InterceptBrasil, mostrando como a conivência (ou omissão) do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, com o crime organizado, facilitou a ação de facções como o PCC e o Comando Vermelho (CV).

Uma guerra de territórios entre as duas organizações pode ajudar a explicar os trágicos acontecimentos ocorridos no presídio de Manaus. Moraes, imediatamente, correu à imprensa para dizer que o massacre nada tinha a ver com a guerra entre facções. Imediatamente foi desmentido pelo secretário de Segurança de Manaus.

A matéria do Intercept deixa claro que há uma guerra em andamento.
O ministro [Alexandre de Moraes] persiste no erro comum de onde vem — e onde ganhou experiência — e ignora, por exemplo, que o Ministério Público de SP apurou que o conflito entre CV e PCC começou em 2015, quando presos do CV em Roraima, Rondônia e Acre se aliaram à Família do Norte (FDN) e a outros grupos rivais ao Comando da Capital. Segundo o MPE, há cerca de 200 a 300 integrantes do CV espalhados em penitenciárias paulistas dominadas pelo PCC.”.

Em outro trecho, divulga nota do próprio PCC justificando a guerra. 
...“O ‘salve’ encaminhado pelo PCC aos membros espalhados em presídios diz que o CV o desrespeitou, matando pessoas ligadas ao grupo e se aliando à facções inimigas no norte do país:
“A cerca de três (3) anos buscamos um dialogo com a liderança do c.v nos estados, sempre visando a Paz e a União do Crime no Brasil e o que recebemos em troca, foi irmão nosso esfaqueado e Rondonia e nada ocorreu, ato de talaricagem por parte de um integrante do cvrr e nenhum retorno, pai de um irmão nosso morto no Maranhão e nem uma manifestação da liderança do cv em prol a resolver tais fatos.
Como se não bastasse, se aliaram a inimigos nossos que agiram de tal covardia como o PGC que matou uma cunhada e sua prima por ser parentes de PCC, matarão 1 menina de 14 anos só por que fecahava com nós.”
O Ministério da Justiça sabia da existência desse conflito, de suas ramificações com o grupo Família do Norte, e de um plano para a ocorrência de uma rebelião no presídio – como afirmou o próprio Moraes.
Há cada vez mais indícios de que o massacre ocorrido em Manaus foi mais um episódio da guerra pelo comando do crime em todo o país. Uma guerra que começa com as facções e ameaça toda a sociedade, enquanto o ministro da Justiça continua a agir como advogado de defesa de criminosos.  


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