domingo, 28 de agosto de 2016

UM PAÍS EM ESTADO DE GOLPE



Esta semana o Senado vota o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Salvo algo inesperado, o resultado mais previsto é pelo seu afastamento definitivo do mandato concedido a ela por 54 milhões de votos.
Os crimes de “responsabilidade fiscal” ou as chamadas “pedaladas” são argumentos fracos e dúbios para se retirar a mandatária da Presidência. Foram usados como escudo para tentar ocultar a consolidação de um “golpe branco” (ou seja, sem intervenção armada militar) promovido por partidos de oposição, que saíram derrotados na eleição majoritária, mas obtiveram maioria na Câmara; o judiciário e a mídia – cada um com seus interesses e seu sentido de defesa da classe.


A perda do mandado de Dilma será decorrência da conjunção de vários fatores, entre eles:
1) A crise econômica, que se aprofundou e a qual o governo não soube enfrentar, cedendo, muitas vezes, a fórmulas liberais;
2) Erros na condução política por parte do governo em algumas questões, mas, principalmente, a firmeza da presidente em não tornar o governo balcão de negócios para parlamentares e empresários corruptos, o que acirrou ânimos de vários matizes;
3) Coesão da elite dominante (partidos, mídia e judiciário), que “descobriu” no discurso contra a corrupção um meio aglutinador e catalizador de uma parcela da população contaminada pela intensa e prolongada campanha midiática. 
4) Erros do PT em ceder à “velha política”, que em discurso sempre combateu, e manter a corrupção em importantes estatais

Câmara e Senado de maioria oposicionista obstruindo as propostas do executivo, mídia bombardeando 24 horas por dia contra o governo e judiciário usando a lei para perseguir e incriminar seletivamente, tudo isso aliado aos erros do governo e de seu principal partido, o PT, minou o espaço de governança e abriu campo para as articulações golpistas.
Futuro sombrio
Em pouquíssimo tempo de governo golpista já ficou evidenciado o retrocesso que o país está sofrendo. Programas sociais foram extintos ou sofreram substancial corte de verbas, leis contra os trabalhadores estão sendo diariamente aprovadas (como a da terceirização indiscriminada) e há projetos para a reforma da Previdência, com aumento do tempo de aposentadoria, fim do 13º salário e outros direitos trabalhistas, rebaixamento de salários, aumento da carga horária de trabalho (já foi proposto que se trabalhe 80 horas por semana) e por aí vai. O site Alerta Social é um bom indicador do que ocorre diariamente em Brasília.


No campo econômico, o grande compromisso do governo é com a privatização acelerada de “tudo o que for possível”, nas palavras do próprio Michel Temer.
À frente deste processo está Moreira Franco, que disse textualmente na semana passada que o pré-sal é o carro chefe do processo de privatização. Empregos e direitos arduamente conquistados ao longo dos anos estão sob sério risco.

A disputa que se travou (e se trava) entre os setores democráticos e progressistas e os golpistas não é pelo combate ou não à corrupção, o que está em disputa são projetos opostos de país: um que aposta no Estado como indutor do crescimento social e econômico e outro na entrega ao capital estrangeiro das riquezas do país, no sucateamento do Estado e na prevalência do setor privado em todos os campos da sociedade: da exploração de riquezas naturais à saúde e educação, tudo privatizado, nas mãos de poucos.
A histórica semana que começa é apenas um passo da escalada do golpe conservador. Os exterminadores do futuro estão à solta. 
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