quarta-feira, 10 de agosto de 2016

SINDICALISTAS OCUPAM A CÂMARA E ENTREGA DO PRÉ-SAL NÃO AVANÇA





Durante toda a terça-feira (9.ago.2016), dirigentes sindicais petroleiros de diversos estados montaram acampamento em Brasília para acompanhar os debates sobre o Projeto de Lei PL 4567/16, que acaba com a obrigatoriedade da Petrobrás ser a operadora em todos os blocos do pré-sal. Na prática, esse projeto representa entregar o comando da exploração da maior riqueza nacional a empresas estrangeiras. 

O projeto teve origem no senado, pelas mãos de José Serra, compromisso que havia assumido com a estadunidense Chevron, em 2009 (conforme documentos revelados pelo Wikileaks).


Durante o processo de pressão dos petroleiros, dois sindicalistas foram presos, Gustavo Marsaioli, do Sindipetro Unificado-SP, e Claudio Nunes, do Sindipetro-NF. Ambos foram soltos após pagamento de fiança e de os sindicalistas ocuparem o plenário da Câmara exigindo a soltura dos dirigentes. Confira aqui o vídeo da prisão e a truculência policial.

O coordenador-geral da FUP (Federação Única dos Petroleiros), José Maria Rangel, participou de uma Comissão Geral na Câmara na manhã do dia 9, e desmontou as fundamentações da proposta do PL. Segundo Rangel, o debate sobre mudanças na lei de partilha é um erro, porque o regime sequer foi testado na prática. Ele criticou, também, o momento em que se faz o debate. “O mundo inteiro freou investimentos em petróleo. Os países estão, sim, atrás de reservas, mas com barril a US$ 50 ninguém quer investir nada porque o mercado passa por um momento de baixa. Vender qualquer coisa agora é entregar a preço de banana”, ponderou, conforme informações da CUT Nacional.
“A Petrobras foi capitar US$ 5 bilhões, conseguiu US$ 6 bi e queriam oferecer US$ 15 bi. E a história de que a indústria privada está ávida por petróleo é outra mentira, esse mercado está aberto há 20 anos e qual investimento fizeram aqui? Nenhum. A Statoil e a Shell preferem é gerar emprego em suas matrizes”, frisou o coordenador da FUP.

Contrário ao projeto, o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) disse que o texto do Projeto representa o desmonte da legislação atual, que criou o sistema de partilha de exploração de petróleo. Para Zarattini, o texto confere ao governo federal a decisão de abrir ou não para a exploração de determinados campos por empresas estrangeiras. 

Durante a Comissão Geral, o deputado Henrique Fontana (PT-RS) apresentou um projeto de decreto legislativo para realização de um plebiscito popular sobre a posição da Petrobrás na exploração do pré-sal. “Eu tenho convicção de que o povo brasileiro não aceitará abrir mão do pré-sal para entrega-lo às multinacionais”, afirmou.

A sessão terminou sem consenso entre os parlamentares, o que foi considerado uma vitória pelo movimento sindical, que adia, mais uma vez, a votação para a entrega do pré-sal à exploração estrangeira.
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