terça-feira, 7 de junho de 2016

SÔNIA BRAGA RESPONDE AO MINISTRO DA CULTURA


Protesto de atores e diretor de Aquarius, em Cannes


O ministro da Cultura, Marcelo Calero, criticou duramente os atores e o diretor do filme Aquarius pelos protestos contra o golpe no Brasil, durante o festival de Cannes (França).
É bom lembrar que Calero sequer seria ministro caso a classe artística, intelectuais, estudantes e militantes não pressionassem pela não extinção do Ministério da Cultura. Não haveria ministério para ele.
Reproduzo, abaixo, a resposta da atriz Sônia Braga em sua página no Face, às críticas de Calero.

  

Aula de História para o senhor Marcelo Calero, 33 anos de idade.
Eu, só de profissão, tenho 50.
Na época da Abertura, os artistas não tinham sequer uma lei que regulasse a profissão. Essa lei foi promulgada em 1978, depois de muita luta, da qual tive a honra de participar.
Naquela época, acredito, o senhor Marcelo ainda não havia nascido. Por isso, não deve ainda ter tido tempo de aprender sobre os nossos problemas e os nossos direitos.
E pouco se importou, ou não notou, que uma atriz brasileira era campeã de bilheteria do cinema brasileiro e sustentou este título por 30 anos - também ganhando, com filmes brasileiros, além de projeção internacional, muitos prêmios no exterior, promovendo assim o nome de Brasil e de nossa cultura.
Como pode um Ministro dizer que um ato democrático como o nosso é a representação de um País inteiro?
Isso é desconhecimento do que significa plena democracia. Se estivéssemos falando em nome de todos não precisaríamos, evidentemente, fazer o ato.
Uma coisa é certa: estamos juntos.
O Ministro da Cultura ofendendo artistas é inadmissível. O senhor está nesse cargo para dialogar, para nos ajudar, para fazer a ponte com quem nos explora.
A propósito, as críticas para Aquarius foram fabulosas. Quatro estrelas em jornais franceses, italianos, poloneses, russos e três citações no The New York Times. Ponto grande para a imagem da cultura brasileira no exterior.
Senhor Ministro, não podemos perder as nossas conquistas. Sobretudo a mais importante delas, o respeito.
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