sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Seminário Nacional Energia, Educação e Indústria aponta defesa da Petrobrás

Mais de 150 ativistas de 31 entidades sindicais e sociais, abrangendo 18 Estados, estiveram reunidos em São Paulo nos dias 18 e 19 para participar do Seminário Nacional Energia, Educação e Indústria no Brasil, organizado pela Plataforma Operária e Camponesa.
Diversos dirigentes do Sindipetro Unificado e de outros sindicatos ligados à FUP participaram do Seminário.
O primeiro dia foi destinado a análises da conjuntura nacional no setor energético. Na mesa de abertura, o integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Gilberto Cervinski, afirmou que o principal objetivo do Seminário era fazer um estudo detalhado do modelo energético atual para orientar os próximos passos das organizações populares para combater as tentativas de privatização do setor. Para Cervinski, o capital internacional pretende aplicar na Petrobrás a mesma política realizada com o setor elétrico na gestão de FHC. “O futuro neoliberal do petróleo é a atualidade do setor elétrico brasileiro, que é um centro de especulação muito parecido com um paraíso fiscal”, comparou.
Para a diretora do Sindicato dos Urbanitários do DF, Fabíola Antezana, o setor elétrico é refém do modelo privatizado. “Não adianta a Eletrobras vender energia a R$ 33 por MW/h, se as empresas estão vendendo a R$ 284 por MW/h. No final, o prejuízo é repassado para o consumidor residencial”, explicou.
“O panorama histórico da privatização do setor elétrico e suas consequências tem muitas semelhanças com o momento atual vivido pela Petrobrás e seu plano de desinvestimento”, destacou o diretor do Unificado Marcelo Garlipp.

Perdas para a Educação
Em sua exposição, o coordenador da FUP, José Maria Rangel, destacou a importância da lei da partilha e os prejuízos que o Projeto de Lei do Senado – PLS 131, do senador José Serra pode causar ao país.
O Projeto, que pretende acabar com a obrigatoriedade de participação da Petrobrás como operadora única do pré-sal, pode inviabilizar o financiamento do Plano Nacional de Educação (PNE). A atual lei de partilha assegura a destinação de 50% do montante do Fundo Soberano e a totalidade dos royalties do pré-sal para as áreas de Saúde e Educação. É uma montanha de dinheiro que Serra quer reverter para mais lucro privado.
“A gente só viabiliza o plano explorando o pré-sal pela Petrobrás. Um dos seus pilares é o financiamento, que está alicerçado no pré-sal. Por isso precisamos unir forças para combater o projeto de Serra”, afirmou Zé Maria.
Se dirigindo aos professores, o coordenador da FUP salientou a importância do engajamento do professorado. “Vocês são fundamentais nesse debate da regulamentação da lei. Todos nós somos importantes, mas vocês podem articular um estudante, um professor e um funcionário administrativo em cada canto deste país. A educação pode ser a água que vai mover esse moinho”, comentou.

Atos unitários

Ao final do Seminário, as entidades definiram a realização de novas ações, com atos unitários em Brasília no dia 3 de outubro, aniversário da Petrobrás, e outro na metade de outubro, com data a ser definida (15 ou 16). Também se definiu a criação de uma identidade visual para a campanha e materiais de propaganda, como bonés, camisetas e adesivos.
“Neste momento delicado que o país atravessa é fundamental que haja a organização da classe trabalhadora. Temos que pensar juntos em estratégias que garantam o fortalecimento da nossa luta, envolvendo amplos setores populares da sociedade, para combater as tentativas de privatização”, afirmou a coordenadora do Unificado, Cibele Vieira.
Coube à professora Beatriz Cerqueira, presidente da CUT-MG e a João Antônio de Moraes, ex-coordenador da FUP e diretor do Unificado o encerramento do Seminário. “Na luta pela criação da Petrobrás havia um Centro de Estudo do Petróleo em cada cidade do país e a campanha durou sete anos. Temos de expandir esses debate para toda a sociedade, porque ninguém defende o que não conhece”, afirmou Moraes, destacando a importância da unidade dos movimentos na luta pela soberania energética nacional.

Com informações MAB 
Colaborou Alessandra Campos
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