quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Gabrielli: o julgamento político da Petrobrás


José Sérgio Gabrielli esteve à frente da Presidência da Petrobrás por sete anos, de 2005 até 13 de fevereiro de 2012, quando passou o cargo para Graça Foster. Isso não o livrou de estar no olho do furacão das denúncias envolvendo a Petrobrás na Operação Lava Jato, e,  principalmente, no controverso episódio da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.  "Há uma contabilidade política e não técnica", sustenta Gabrielli sobre o caso.
Nesta entrevista concedida ao jornalista Norian Segatto em São Paulo, em 9 de fevereiro, acentua-se o lado do professor universitário baiano. Gabrielli retira a gravata utilizada no compromisso anterior, se ajeita na cadeira e fala pausada e didaticamente sem escapar de nenhuma questão e sustentando que não se pode confundir a ação de pessoas dentro da Petrobrás com a empresa e seus funcionários. Confira.   

Norian - Acabou de terminar a eleição do representante dos trabalhadores no Conselho de Administração. Neste momento de crise o que significa esta eleição?
Gabrielli - É muito importante a participação de um representante dos trabalhadores. O Conselho tem dez membros, a maior parte é de conselheiros de fora da empresa, o Deyvid vai representar a visão de quem está dentro da empresa, do trabalhador. No Conselho há temas que são mais corporativos e não apenas da relação capital trabalho e ele terá um papel muito importante, particularmente com a nova diretoria, que também vai ter uma fase de adaptação.

Você acha que a composição com diretores de carreira e de fora da empresa é um equilíbrio saudável?
Depende, na história da Petrobrás a maior parte dos diretores sempre foi de carreira, com a vantagem de conhecer mais a máquina. Quando entrei na diretoria da Petrobrás, em 2003, o Zé Eduardo Dutra era o presidente, eu e o Ildo [Sauer] éramos os dois únicos de fora da companhia. É interessante notar que os problemas que a empresa enfrenta são provenientes de pessoas de carreira, tanto o Paulo Roberto como o Barusco [Pedro] têm mais de 30 anos de companhia.

A empresa tem sido muito afetada em sua imagem, até mais do que nos resultados, com essa crise. Como isso afeta a importância estratégica da Petrobrás para o desenvolvimento do país?
Essa é uma questão muito importante. A imagem da Petrobrás está sendo afetada porque há uma confusão entre fenômenos que são reais com ilações, suposições e interpretações  de um clima que não é real. Os atos de corrupção confessados pelo Paulo Roberto e pelo Barusco são circunscritos a alguns episódios, são atos graves, mas relativamente pequenos diante do volume de negócios da Petrobrás. Esses atos precisam ser combatidos, mas não se pode confundir atos criminosos com o comportamento da empresa. Nos últimos dez, quinze anos a empresa saiu de uma situação em que estava fracionada, sendo preparada para ser vendida, que valia 15 bilhões de dólares no mercado para se transformar em uma empresa que chegou a valer 380 bilhões e hoje vale cerca de 50, 60 bilhões de dólares, ainda quatro vezes mais do que valia em 2002. Nesse período a empresa saiu de 33 mil empregados para 80 mil, dobrou a capacidade de pesquisa e desenvolvimento, descobriu o pré-sal, cresceu sua área produtora, se transformou na maior empresa do mundo em águas profundas, expandiu a capacidade de refino, é maior produtora de energia elétrica e partir do gás do país, montou a rede nacional de gasoduto, voltou a Petroquímica, expandiu no setor de biocombustíveis, saiu de um investimento de 5 bilhões de dólares ano para 45 bilhões (para 2015 estão previstos 33 bilhões). A empresa tem uma condição praticamente única no mundo, porque tem reservas de mais de 20 bilhões de barris, tem capacidade de produzir, tem um grande mercado doméstico, na ordem de 2,3 milhões de barris por dia de consumo, , o que muitas empresas internacionais não têm. Essa fortaleza que é a Petrobrás está sendo confundida com o comportamento criminoso de algumas pessoas, que caracterizam o conjunto de atividades da companhia. Acho que temos de dizer isso para a sociedade, os casos criminais são tratados pela polícia e justiça, os casos de gestão são tratados pela companhia, não podem tratar as duas coisas como se fossem juntas.

Mas como uma empresa como a Petrobrás, com tantos controles, deixa um caso desses, mesmo que seja pontual,  acontecer durante tanto tempo sem alguém pegar?
Os controles da Petrobrás foram adaptados, em 2006, para a lei americana Sarbanes-Oxley,  criada para enfrentar casos da Enron. Essa lei exige um conjunto de controles para que o balanço seja publicado. Ele foi certificado de 2006 a 2011 pela KPMG, e em 2012 e 2013 pela Price (Waterhousecoopers). Em 2014, com a denúncia de Paulo Roberto, a Price recuou. A Petrobrás tem certificações das principais auditoras do mundo atestando que tudo estava sendo controlado. Depois das denúncias, a empresa contratou dois escritórios internacionais, tem centenas de funcionários trabalhando para checar ao assunto, tem investigação da polícia federal, do Ministério Público e não se consegue chegar a conclusões. Como é que em uma operação normal ia se descobrir? Na delação, tanto o Paulo Roberto como do Barusco ressaltam que os procedimentos internos da Petrobrás foram seguido, o que houve foi a utilização do que os empreiteiros ganhavam. É muito difícil que de dentro da Petrobrás se visse isso e que contabilmente se mensure isso.

A crise na Petrobrás gera, por extensão, crise em vários setores, como estaleiros e empreiteiras, com grande onda de demissões. Isso pode levar o país a uma situação complicada do ponto de vista econômico?

Gabrielli - Esse é o grande perigo que temos em 2015. As principais empresas de construção pesada, que constroem a infraestrutura do pais, estão arroladas na operação Lava Jato. Se essas empresas começarem a enfrentar problemas mais graves,  vão parar de funcionar, haverá uma onda de desemprego que vai se espalhar para metalurgia, para a indústria naval etc.


Já começou.
E isso pode levar a um grave problema de redução da atividade econômica em 2015, e tem efeitos de médio e longo prazos. O pré-sal é um volume muito grande de produção, há o risco da chamada doença holandesa, ou seja, o país produz e tira toda sua renda do petróleo,  não cria nada depois e fica dependente do petróleo. Uma das maneiras de evitar isso é criar uma indústria nacional, fornecedora da indústria de petróleo. O tamanho do pré-sal exige uma indústria nacional que seja capaz de prover os bens, equipamentos e serviços para essa indústria, criando emprego e renda para o conjunto da atividade econômica brasileira. Se essas empreiteiras entrarem em crise, a política de conteúdo nacional vai ter que ser modificada porque não será possível ter as sondas, as plataformas, os sistemas submersos, os dutos, que são produzidos no Brasil. Terá que se buscar no exterior, gerando emprego e renda fora do país. 

O atual cenário de queda no preço do petróleo ajuda ou atrapalha a Petrobrás?
O preço do petróleo está caindo por uma mudança muito importante no mercado mundial. De 1973 a 2013, o ajuste do preço do petróleo dependia muito fortemente da variação da produção da Arábia Saudita, que fazia o ajuste no mercado com sua própria produção. Em 2013 a Arábia Saudita decidiu não fazer isso, por duas razões. Primeiro porque os Estados Unidos estavam se tornando auto suficiente na produção de gás e aumentando muito rapidamente a produção de petróleo leve, o que  tornaria a Arábia Saudita mais vulnerável à pressão norte americana. Por outro lado Irã, a Venezuela e a Rússia, que adversários da Arábia Saudita dependem do preço do petróleo mais alto. Se a Arábia Saudita deixasse o preço cair, tanto o Irã como a Venezuela, que são inimigos dos Estados Unidos ficariam muito frágeis, o que faria com que o governo norte americano ficasse mais interessado em baixar o preço do petróleo. Há um fenômeno de geopolítica dos Estados Unidos contra o Irã, a Venezuela e a Rússia, que leva à queda do preço do petróleo.

Onde isso vai parar?
O que vai parar à queda do preço é a paralisação do crescimento da produção americana de gás de xisto e date oil e isso já começou. Por outro lado existem três novas áreas de expansão da produção mundial; o pré sal brasileiro, o petróleo ultra pesado da Venezuela e o das areias betuminosas do Canadá. Esses dois só se sustentam com o preço acima de 70 dólares o barril, o pré-sal brasileiro resiste acima de 40 dólares. Se o preço fica na faixa de 50, 60 dólares o barril, o pré-sal é viável, mas torna inviável tanto o Shale gas (gás de xisto) norte americano, o ultrapesado venezuelano e o das areias betuminosas canadenses, ou seja tira produtores novos. O mercado do petróleo está geopolitacamente motivado, quem está ganhando neste momento é quem está integrado com refino e produção porque a tendência é que os preços dos derivados não caiam tanto quando o petróleo. Quem produz derivados vai ter margem, como é o caso das refinarias da Petrobrás.




Na sua gestão havia um plano de investimento, ousado por conta do pré-sal, que está sendo revisto para baixo. Foi um erro no sistema de partilha deixar a Petrobrás como operadora única?
Acho que são duas coisas diferentes. Todo ano a Petrobrás faz uma avaliação dos cinco anos seguintes e os planos apresentados levavam em conta a descoberta do pré-sal, a necessidade de investir pesadamente, mas com conteúdo nacional , ou seja criar uma indústria brasileira de fornecimento para a Petrobrás. Por outro lado, com o crescimento do mercado de derivados, era necessário reformular os investimentos no refino, foi quando se pensou em criar novas refinarias para viabilizar a expansão. Esse conjunto de investimento está hoje sob nova avaliação. Pelo que se está sendo anunciado pela Petrobrás, o pré-sal está preservado,  mas vai haver redução do investimento no refino.


Neste caso, manter a Petrobrás como operadora única é importante?
Eu acho que sim, no sistema de partilha, a Petrobrás como operadora única com 30% é a garantia que temos de que vai desempenhar papel chave nas novas áreas do pré-sal . Se o governo brasileiro resolver acelerar o processo das novas áreas a Petrobrás não terá condições, mas o ritmo de abertura de novas áreas vai ser determinado pela capacidade da indústria brasileira de fornecimento crescer. É o conteúdo nacional que está em jogo.

Corre na Petrobrás informações de que vai haver parcerias no refino e esse modelo preocupa muito o movimento sindical.
Não acredito que seja viável o modelo estilo consórcio de exploração para o refino brasileiro, não acho que nenhum grande grupo vai entrar para ser sócio no refino, porque a Petrobrás é completamente controladora do mercado de derivados. Refino é um investimento de longo prazo, cuja margem flutua muito. Vale a pena investir no refino quem é produtor de petróleo, porque a margem do refino compensa quando o preço do petróleo cai. Se você está nas duas pontas, há um equilíbrio, mas se só está no refino, fica muito vulnerável, então não acredito que seja possível ter sócios de refino no Brasil.

A Petrobrás é uma empresa pública, com grande parcela de capital privado, com ações na Bolsa de Nova Iorque, e com um comando que é parte do governo, parte privado. Isso gera uma crise de identidade na empresa?
Sempre defendi que havia certa convergência de interesses entre os acionistas minoritários e o governo. Todos querem aumentar a lucratividade da Petrobrás. Do ponto de vista da política de preço de derivados de gasolina e do diesel pode haver uma contradição no curto prazo, porque não interessaria fazer o preço da gasolina variar como ocorre no mercado internacional; por outro lado, manter o preço da gasolina por muito tempo desconectado do internacional é um problema. Distribuir dividendos ou investir, às vezes também tem contradição, mas o investidor da indústria do petróleo não é de curto prazo, pois sabe que um projeto de exploração leva sete anos entre a descoberta e o primeiro óleo, uma refinaria leva seis, sete anos para ser montada. O investidor que entrou na bolsa para ganhar de um dia para outro não investiu na empresa de petróleo, investiu em um papel que tem grande flutuação e isso é um paraíso para o especulador.

George Soros que o diga...
Não vou citar nomes (rindo).

Voltando à questão da partilha. Essa onda de denúncia tem componentes políticos, e têm setores propagando que o modelo de concessão era melhor para o país. Qual é a sua opinião?
O PSDB está dizendo que tem de voltar ao sistema de concessão. Acho que há um erro fundamental nessa posição. O sistema de concessão pode até ser eficiente quando se tem alto risco exploratório, não se sabe se tem petróleo ou não, onde há investimento de risco. Isso não se aplica para o caso do pré-sal, o investidor tem quase certeza que vai achar petróleo, então não faz sentido a empresa que vai concorrer faça a escolha de qual valor ela espera do futuro. O sistema de partilha dá ao estado brasileiro uma parcela da rentabilidade futura que pode ser até maior do que no caso da concessão. Eu defendo a partilha como o melhor modelo para o caso de áreas em que não há risco exploratório como é o caso do pré-sal.

Até onde existe espionagem industrial contra a Petrobrás?
É possível que haja espionagem, hoje vivemos um problema muito sério que é fato de que os computadores e telefones celulares dos gerentes de primeira linha estão copiados nas mãos de dois escritórios norte-americanos. Isso pra mim é um problema muito grave porque não se sabe o que será feito com essas informações.

Quantos gerentes foram atingidos com essa medida?
Cerca de três mil.

Ou seja, todos os dados de todos os HDs de três mil altos funcionários da Petrobrás estão nas mãos de uma empresa norte-americana?

Gabrielli - Sim, o que é preocupante.


Qual foi o momento mais tenso da sua gestão?
Houve vários momentos tensos, mas acho que a decisão de informar o governo brasileiro da descoberta do pré-sal e propor que o governo repensasse a estratégia foi muito importante. Outro momento foi o processo da capitalização da Petrobrás.  Fizemos em 2010 uma operação de vendas de ações em que aumentamos a presença do governo na Petrobrás, capturamos recursos do mercado financeiro, fizemos a maior capitalização de uma empresa da história do mundo e conversamos com alguns milhares de grandes fundos investidores mundialmente. Eu pessoalmente conversei com cerca de 700 fundos tentando mostrar o que era o pré-sal brasileiro. Fizemos isso com trinta principais bancos do mundo, isso foi uma coisa muito importante.

O movimento sindical te enchia muito o saco?
Não, (rindo), tanto o Zé Eduardo como eu mantivemos um diálogo permanente com o movimento sindical, houve momentos de contradição e conflitos, o que é normal na relação capital trabalho, mas sempre havia uma porta aberta. Um momento de muita tensão foi na repactuação do plano Petros, que foi um elemento importante para dar estabilidade de médio e longo prazo ao plano, que se não fosse feito aquilo estaria em uma situação muito difícil e fragilizada para os aposentados e pensionistas.

Houve o resgate de diversos direitos que haviam sido suprimidos no governo anterior.
Do ponto de vista dos benefícios para os trabalhadores acho que fizemos bons acordos coletivos. Sempre dizia que era bom o trabalhador olhar sua declaração de imposto de renda de 2003 para comparar com hoje. Além do ganho real tivemos um aumento no contingente, 50% dos trabalhadores da Petrobrás têm menos de 10 anos de companhia; acredito que no período em que estive na gestão houve uma intensificação do orgulho de ser petroleiro.

E como se resgata esse orgulho diante de tantas denúncias?
Como disse tem que separar o que é criminal do que é empresarial. Não se pode confundir o que foi o comportamento de alguns criminosos com o da categoria ou da empresa. Se não conseguir separar isso vai ser muito difícil, fica a imagem que a Petrobrás é um mar de lama, todo mundo é corrupto, isso é um absurdo, é um desrespeito a uma empresa fantástica, que tem um quadro de funcionários extraordinário, que tem capacidade de gestão.

Uma última questão. Quem é leigo e lê as notícias sobre a Refinaria de Pasadena fica sem saber o que pensar tamanha são as informações desencontradas. Qual é o seu ponto de vista sobre a compra da refinaria, foi um mau negócio para a Petrobrás?
Primeiro é preciso saber porque a Petrobrás comprou a refinaria nos Estados Unidos. Essa estratégia foi definida em 1997, naquele ano havia a perspectiva de não crescer o consumo de gasolina e diesel no país, de estagnação do consumo de derivados. Também era previsão em 1997, que a produção de petróleo Marlim ia crescer. Se vai crescer a produção de petróleo e não vai crescer o consumo, não tem sentido crescer a refinaria no Brasil e sim buscar refino lá fora. Essa era a estratégia foi implementada pela Petrobrás até 2005. Em 2005, depois de ver várias refinarias, encontramos a de Pasadena, que estava relativamente barata, localizada no centro do refino norte americano, no Texas, que tem três milhões de barris de capacidade de refino, mais do que o Brasil todo refina; estava localizado na boca de um oleoduto de extraordinária capacidade para levar petróleo do Golfo do México a Nova Iorque, ou seja estava em um lugar logisticamente muito adequado.  A refinaria foi comprada por 7.400 dólares o barril, incluindo a refinaria. Como a capacidade de produção era de 100 mil barris, a Petrobrás comprou 50% por 380 milhões de dólares. Em 2006 ocorreram no mundo 11 grandes compras de refinarias, cinco delas nos Estados Unidos, a refinaria mais barata comprada nesse período foi por 3.400 dólares por barril, a mais cara, 19.500 dólares por barril, a média, 9.300 dólares, ou seja, a Petrobrás comprou abaixo da média. Por aí não pode dizer que teve prejuízo.
Uma segunda lógica. Quanto se esperava ganhar com a refinaria? No Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica, a Petrobrás projetava uma margem conservadora de2006 até 2014. Se comparas essa projeção de margem operacional, com o que efetivamente ocorreu, a refinaria gerou 760 milhões de dólares a mais do que a Petrobrás esperava. De onde vem o prejuízo então?
O prejuízo vem de um parecer feito pelo ministro José Jorge, do TCU, que foi ministro de Minas e Energia de Fernando Henrique Cardoso, foi presidente do PFL, foi candidato a vice presidente de Alckmin [Geraldo]. Ele desconsiderou o parecer dos técnicos do TCU, que por três meses ficaram dentro da Petrobrás  e atestaram que não teve erro no cálculo do preço da refinaria. Ele desconsiderou uma segunda auditoria, que também chegou à conclusão que não teve problemas, pegou um assessor de sua confiança que em 30 dias, sem ter ido uma vez à Petrobrás, cometeu vários erros de interpretação e erros técnicos. O principal problema é ele faz um conceito de prejuízo pelo que foi pago pela refinaria e abate de uma das 27 planilhas feita por uma consultoria contratada pela Petrobrás. Por esse cálculo a refinaria deveria custar 1.860 dólares por barril, não existia isso em lugar algum, a mais barata foi 3.400. Consequentemente, o conceito de prejuízo que está neste parecer é politicamente motivado, não é tecnicamente justificado.          

Outro conceito de prejuízo é o olhando para frente. Em dezembro de 2012, a Petrobrás levantou o que foi investido na refinaria, calculou o que ela poderia dar de margem no futuro, com as taxas de juros de 2012, projetou no futuro e identificou um prejuízo de 530 milhões de reais. Esse prejuízo foi lançado no resultado da Petrobrás, não tem nada a ver com o preço de compra. Em 2013 e 2014 aconteceu um fenômeno muito importante nos Estados Unidos, a produção do gás de xisto e o dateoil, que é o petróleo de reservatórios fechados, geraram uma enorme disponibilidade de petróleo leve, barato e disponível, particularmente no Texas, através do campo de Eagle 4. Isso permite que a refinaria de Pasadena seja altamente lucrativa. Então, nos últimos dois anos a refinaria foi lucrativa. Onde está o prejuízo?  É contabilidade política e não técnica.
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