terça-feira, 23 de julho de 2013

Os arquivos da Petrobrás



Em fevereiro, a Petrobrás entregou à Comissão Nacional da Verdade mais de 400 rolos de microfilmes, além de microfichas e documentos textuais produzidos por uma divisão do Serviço Nacional de Informações (SNI), que funcionava dentro da empresa durante o regime militar. 
Mais do que esse período, a extinta Divin (Divisão de Investigação) atuou na empresa de 1962 a 1992, coletando informações sobre funcionários.
De acordo com edital publicado no dia 5 de julho no Diário Oficial da União, o acesso a essa documentação será liberado em 30 dias. A lista de documentos abrange pareceres e relatórios de investigação sobre empregados da empresa, relação de funcionários demitidos, prontuários, relatórios de comissão de sindicância e fichas de controle de investigação político-social, incluindo dados sobre vinculação partidária e situação econômica.
A coordenadora da Comissão Nacional da Verdade, Rosa Cardoso, confirmou, no dia 17, que a Comissão pretende exigir da Petrobrás e de outras empresas que apoiaram o regime militar o pagamento de indenização aos trabalhadores que foram perseguidos. 
As empresas criavam listas sujas de empregados “subversivos” e entregavam militantes políticos para os militares. Calcula-se que mais de cinco mil trabalhadores foram mortos pela ditadura, 350 sindicatos foram invadidos e mais de 6 mil sofreram intervenção militar. 
A ditadura foi uma operação arquitetada e financiada pelo governo dos Estados Unidos em conjunto com a elite conservadora brasileira e os militares. À imprensa (principalmente Globo, Estadão, Manchete e Folha) coube o papel sujo de enaltecer o golpe contra os “comunistas” que queriam dominar o país.  
Há casos famosos de colaboração fervorosa de empresários com o regime militar. Um deles era o então presidente da Ultragás, Henning Albert Boilesen, que além de financiar a Operação Bandeiras (Oban) trouxe dos Estados Unidos uma máquina de eletrochoque acionada por um teclado para a tortura de militantes políticos. 
É preciso conhecer a fundo qual foi a extensão da colaboração da Petrobrás e de seus ex-dirigentes com a ditadura dos generais, quais trabalhadores sofreram perseguição ou deixaram de ser promovidos por suas convicções políticas.
Recuperar essa história não é revanchismo como afirmam alguns setores militares, é buscar conhecer os porões de um dos piores períodos do país e exigir justiça para as vítimas, muitas que não sobreviveram para clamar por justiça e reparação.  
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