quinta-feira, 20 de junho de 2013

PIPOCA MODERNA

A sociologia política ensina que a história se constrói em saltos, ou como diria uma antiga música de Caetano Veloso, “pipoca aqui, pipoca ali, desanoitece amanhã tudo mudou” (Pipoca Moderna). Os acontecimentos das últimas semanas mostram exatamente isso. A poucos dias de um grande evento futebolístico ninguém poderia imaginar que expressiva parcela da população saísse às ruas para protestar e fazer valer seus direitos e deixasse lideranças políticas atônitas e sem reação.
Nesses momentos se revela a verdadeira natureza de classe: enquanto o prefeito de São Paulo buscava o diálogo, o governador elogiava a truculência da Polícia Militar. Nem a mídia reacionária conseguiu se conter: os “baderneiros” das primeiras manifestações se tornaram “jovens utópicos”. Triste papel o do imprensa “tobeniquim”.

No atual momento ninguém se atreve a cravar quais serão as consequências políticas, mas essas manifestações ensejam diversas reflexões. Vamos à algumas.

1) O movimento se expandiu a partir das redes sociais, “saindo do controle” da mídia tradicional. O que esse aprendizado pode trazer para futuras manifestações?

2) Foi um movimento descentralizado, sem lideranças convencionais. Isso impõe um marco de reflexão para organizações sociais, sindicais e partidos políticos de como se estabelece esse novo diálogo com a sociedade.

3) A horizontalidade do movimento, com bandeiras de luta diluídas e sem centralidade pode dar margem à manipulação conservadora, como a mídia e o PSDB já ensaiaram. Qual é o papel das organizações sociais e de esquerda neste debate?

4) Prefeitura e governo disseram em corte de investimentos para subsidiar a revogação do aumento da passagem do transporte. O momento propicia um ótimo debate de como gerir a cidade a partir dos interesses da maioria. Imediatamente após o anúncio, economistas e livres pensadores se manifestaram por outras formas de financiamento – como a taxação de grandes fortunas – sem prejudicar investimentos públicos.

5) As manifestações surgiram por um misto de insatisfação, exercício de cidadania, exemplos de mobilização em outros países, um quê de “oba-oba” (está na moda protestar)  e o aprendizado político que tem sido exercido nos últimos anos, com uma sociedade mais democrática. Mesmo que o atual partido que está no poder central não esteja no protagonismo deste movimento, foi ele, por décadas, o responsável por grandes manifestações que educaram politicamente milhões de brasileiros a sentir orgulho de seu país e lutar por seus direitos. Este é um momento propício para a esquerda se reinventar.  
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