terça-feira, 4 de dezembro de 2012

(Nada) sutis aulas de manipulação da informação

 
Nas primeiras aulas de qualquer curso de jornalismo aprendemos que o título de uma matéria deve retratar, o mais fielmente possível, o principal conteúdo da matéria. Muitos devem ter faltado a essa aula...
Vejam a recente notícia divulgada em vários veículos da imprensa (acima reproduzi o portal Terra).
 
Fatos:
- O deputado Antony Garotinho, de suspeitíssima reputação, publica em seu blog que a ex-funcionária do escritório da Presidência em São Paulo, Rosemary Noronha, teria levado 25 milhões de Euros para a Europa e depositado em um banco de Portugal.
 
- O banco em questão (Banco Espírito Santo), negou veementemente a existência de qualquer depósito ou qualquer transação efetuada por Rosemary com a instituição.
 
- O ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, em audiëncia na Cämara neste 4 de dezembro, reafirmou que não há nenhuma evidëncia do fato, conclamou o deputado queixoso a dizer de onde obtivera tal informação e afirmou nem saber quantas malas precisariam para transportar esse valor. Da palteia, o deputado e delegado Protógenes Queiroz, completou: seria necessário um carro forte para transportar essa quantia. Cardozo ironizou: não creio que a Rosemary tenha anexado um carro forte ao avião.
 
Bem, caro leitor, leitora, com esses fatos, qual é a manchete mais óbvia e jornalisticamente correta: dar destaque a uma denúncia sem fundamentação ou dar destaque de que foi feita uma denúncia sem provas? A resposta parece óbvia quando não entra em cena o elemento da manipulação midiática.
 
Mau jornalismo ou bom banditismo
O comentarista da CBN, Kenedy Alencar, disse esta semana que o cehfe de redação da Veja em Brasília, Policarpo Jr, não cometeu crime, cometeu mau jornalismo no caso de suas relações bastante íntimas com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Por isso, concluiu, ele não deveria ser chamado para depor na CPI que investiga os crimes do bicheiro.  
Kenedy, meu coetano de bancos de universidade, que vergonha ouvir uma declaração dessas. Cachoeira pautava as matérias da revista Veja por meio do Policarpo, há mais de 200 ligações telefönicas com assuntos `suspeitíssimos´ entre ambos, a noiva de Cachoeira chegou a chantagear um juiz usando o nome do jornalista da Veja, há evidëncias muito palpáveis de matérias completamente forjadas visando o favorecimento dos "negócios" de Cachoeira.
Isso lhe parece apenas "mau jornalismo"? Esperaria ouvir uma bobagem dessas do Merval Pereira, mas sua, caro, que vergonha.
Policarpo e a Veja devem ser investigados por vínculos com o crime organizado, simples assim.    
 

Postar um comentário