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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

10 anos de unificação dos petroleiros SP: um ato de ousadia






Era uma madrugada fria de julho quando centenas de militantes da categoria se dirigiram para as duas refinarias, sete terminais da Transpetro e três prédios de escritório. Carregavam o orgulho de um sonho alcançado e uma esperança de futuro: naquele 22 de julho de 2002 começava a eleição para a escolha da primeira diretoria colegiada do Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo, agregando as bases das regiões de Campinas, Mauá e São Paulo. Posteriormente, a representação sindical se espalhou para outros locais como Mato Grosso do Sul e Brasília.
Durante os quatro dias de eleição muitos companheiros viram passar diante de seus olhos seis anos de preparação para aquele momento. Em julho de 1996, o congresso estadual da categoria decidiu abrir o processo de unificação.

Desafios
Primeira direção do Unificado 
A partir do ano 2000, uma comissão escolhida para coordenar o processo de unificação, trabalhou à exaustão para conseguir aparar diversas arestas: “eram três bases importantes, com trabalho estabelecido, história de lutas e identidade próprias, não é simples equacionar todos esses fatores, esse era um desafio a ser superado”, relembra o atual coordenador da FUP, João Antonio de Moraes. 
No entanto, nem sempre é possível conciliar todos os interesses e durante o desdobramento do processo dois dos cinco sindicatos que haviam no Estado puxaram o freio da unificação.
Em fevereiro de 2000, a diretoria de São José dos Campos oficializou sua saída. Apesar de não ter sido uma completa surpresa, era óbvio que uma baixa após quatro anos de discussões teria efeitos. “No primeiro momento, a tropa ficou um pouco abalada, alguns companheiros chegaram a pensar que a unificação estivesse fazendo água, como se diz, mas não foi nada disso que aconteceu”, afirma Moraes.
De fato foi um baque, pois a coordenação da Comissão estava à cargo de um diretor de São José dos Campos, mas quem permaneceu agiu com serenidade e rapidez.

Quem sabe faz 
O jornal Petroleiros-SP, – criado em agosto de 1996 para ser o veículo de informação do processo de unificação – abriu o debate com a categoria; o Congresso Estadual foi antecipado para maio: os petroleiros não tinham tempo a perder e decidiram continuar o caminho da unificação. “Não esperaram acontecer”, como nos versos da antiga canção.  
O trabalho exigia das diretorias um esforço a mais, pois o mapeamento da estrutura de cada sindicato deveria ser feito minuciosamente: equipamentos, despesas, receitas, contabilidade, procedimentos administrativos, enfim, tudo.
E, em paralelo, o dia a dia das entidades e as demandas não paravam. “Tínhamos de nos desdobrar, às vezes um companheiro não podia ir a uma atividade porque estava trabalhando na unificação e outro precisava substituí-lo; no contato direto com a categoria aproveitávamos todas as oportunidades para discutir a unificação, tirar dúvidas e anotar sugestões”, relembra o ex-coordenador do Unificado, Itamar Sanches.
Meses após a direção de São José largar o barco, os companheiros do Litoral Paulista também resolveram não aderir à unificação. O sindicato não era filiado à CUT (Central Única dos Trabalhadores) o que se tornava mais um fator de divergência a ser superado. 

Primeiros anos
Ato na Refap em 2012 
A diretoria do Unificado assumiu em julho de 2002 (apesar de a data oficial dE fundação ser 26 de agosto) e logo teve seu primeiro embate, a campanha reivindicatória.
A política do então presidente Fernando Henrique para as empresas públicas – e a Petrobrás não era exceção – era o tratamento a pão e água, com tentativas constantes de corte de direitos. Havia clara intenção de enfraquecer as estatais para facilitar o processo de privatização. Porém, havia um elemento a mais no cenário político, em 2002: a eleição presidencial.
Com a eleição de Lula, os petroleiros puderam manter canais de diálogo mais abertos e transparentes com representantes do governo e da empresa.
Estava inaugurado um novo tempo e novos desafios se colocariam para os petroleiros. Dez anos depois, a Unificação é uma realidade. “Esta experiência inédita na categoria mostra que é necessária vontade política para conciliar três realidades distintas e transformar em um sindicato forte e representativo”, afirma o atual coordenador do Unificado, Danilo Silva.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Adeus a Ana Canônico


Conheci Ana em 2006, ela veio me procurar para editar o livro de poesia de seu filho, Mauro, me contou, quase em confidência e com certo embaraço, que ele sofria de alguns distúrbios e que a edição de seus poemas poderia ser benéfica para o processo terapêutico do filho. Expliquei-lhe sobre as dificuldades de comercialização de poesia, questionei se isso não poderia gerar mais ansiedade e ter efeito contrário ao desejado inicialmente. Ela reafirmou o desejo seu e de seu filho de ver as poesias editadas. Soube, depois, que Mauro sofria de esquizofrenia.
Os poemas tinham qualidade, apesar da irregularidade; escrevi a orelha de apresentação, organizamos um lançamento, Mauro estava radiante, nervoso e confiante em seu trabalho, Ana parecia feliz. Ficou com a maioria dos exemplares da edição e pretendia levar o filho para saraus e eventos literários. O livro, Maura Escritura (Ed. Limiar).

Buscava, pela arte, a cura que a ciência lhe negava. Ana dedicava sua vida a cuidar do filho.
Anos depois ela me procurou para editar outro livro, de qualidade bem inferior, mas dentro do mesmo espírito de dar vazão ao processo criativo.
Nos falamos pela última vez em abril, ela dizia que o filho acreditava que seus livros vendiam 100 mil exemplares por mês e ela, a mãe, ficava com o dinheiro. Queria que eu conversasse com Mauro para explicar que ver a referência de seu livro em algum site não era sinônimo de vendas.
Não houve tempo para essa conversa, no dia 3 de agosto Mauro teve um surto e assassinou sua mãe em sua residência.
Ana Canônico, mulher forte de olhar triste, era guerreira de uma única batalha: salvar o filho de seus próprios demônios. Ambos perderam.
Reproduzo, a seguir, uma poesia de Mauro, publicada no livro Maura Escritura.

 


Obsessão

Dos anjos um ser profano

eu vi o diabo

criador da mentira com engano

o ser do profeta tirano

fazendo rima ao som do dano

pra música vil e leviana

velar a quem se dana

se ao ver o horizonte o adorasse

faria ao meu fruto soberano

e pedi então que num momento ele passasse

a rota do passar dos anos

que à sua vista já estava se movendo

e a causa dos meus dissabores

e ele disse que se muito funda e falsa

solta a alça de terrores

e depois os desenlaça

mas o vi na encruzilhada

dizendo ser um santo

e da palavra ao ar roubada

transformá-la em espanto

e ao sabor de suas oferendas

falou da causa das contendas

e do tom em obscura magia

que à inveja ele fazia

e do rodear a Terra à sua via

do descanso dos hipócritas

fazer peso à hipocrisia

que se transfigurando leva escrituras

aos santuários para os adentrar

e com Deus aí travarem lutas

que num raio à Terra o fez chegar

ao poder sua mente

ver ao cigarro e cachaça

lhe dar prazer no que aos outros embaraça

perguntei de algum vão nele escondido

no relincho à sua gargalhada

e onde mora o perigo

da sua paixão desvirtuada

por uma bruxa conhecida

que lhe deu uma vassourada

quando eu gastava em drogas meu dinheiro

por que não me deu aviso de primeiro

e como a loucura por inteiro

faz ao órgão obstruído

mas ele foi ao nada

e ainda hoje ouço

o eco de sua risada

e lembro do relance do céu onde vivia

não há dinheiro

não há vida

eu não preciso do seu conselho

leve meu dinheiro

leve minha vida

eu não preciso do seu conselho

foda-se seu dinheiro

foda-se sua vida

eu não preciso do seu conselho

apenas loucura e obsessão.