terça-feira, 11 de maio de 2010

Sindicato homenageia mártir da campanha do petróleo

Jornal A Tribuna, de 1º/10/1949,
anuncia o assassinato de Deoclécio Santana
O Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo inaugura no dia 24 de maio seu auditório, com uma homenagem a Deoclécio Santana, um dos mártires da campanha "O petróleo é nosso", das décadas de 1940/50. Ensacador do porto de Santos, Deoclécio foi assassinado no dia 30 de setembro de 1949.

A história
À medida que anoitecia naquele 30 de setembro, manifestantes se aglomeravam na esquina da Av. Siqueira Campos com a Rua Almirante Tamandaré. Havia alguns dias estava programado um ato público em apoio à campanha O petróleo é nosso (pelo monopólio do petróleo e criação da Petrobrás), mas o governo Eurico Gaspar Dutra, subserviente aos interesses estadunidenses, proibira manifestações desse gênero em todo o país; para garantir a ordem, policiais do Dops (Delegacia de Ordem Política e Social) e da Polícia Marítima de Santos ocuparam o local.
O alfaiate e membro do PCB, Hélio de Mello, subiu em uma mureta do bar Flor do Norte para iniciar um discurso, mas foi impedido por uma coronhada na cabeça, desferida por um policial. Começou o corre-corre. Mello, sangrando, se abrigou sob uma mesa de bilhar e ouviu os tiros e, em seguida, viu o corpo de Deoclécio Santana no chão. "Lembrar e homenagear este guerreiro e mártir é uma forma de mantermos a memória da luta dos brasileiros que deram sua vida por aquilo que acreditavam. O exemplo de Deoclécio nos motiva a lutar ainda mais", avalia o coordenador do Sindicato, Itamar Sanches, que convida a todos para a inauguração do auditório da entidade em São Paulo.

Um lutador consciente
O historiador e jornalista Paulo Matos, estudioso da história de Santos e, em particular, da vida de Deoclécio Santana, anotou em seu blog HTTP://WWW.JORNALSANTOSHISTORIAPAULOMATOS.BLOGSPOT.COM/. "Os registros mostram ser Deoclécio um líder, com participação social antiga até em lutas de caráter internacionalista. Como na greve contra os navios espanhóis do ditador fascista Francisco Franco –, pelo que foi preso em 1946, a 11/3. A riqueza que o país e a cidade anotam hoje deveu a ele, que não teve tempo de ter medo".
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