quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Ato contra bases estadunidenses na América do Sul mobiliza movimentos sociais no RJ

A manifestação que acontece nessa quinta, 6 de agosto, tem concentração marcada para às 16h, na Cinelândia

Fonte: Agência Petroleira de Notícias (www.apn.org.br)

A proposta de instalação de bases militares estadunidenses na Colômbia gerou revolta nos movimentos sociais do Rio de Janeiro. Como resposta a esse ataque à soberania dos povos organizou-se, para a tarde dessa quinta (6 de agosto), um ato contra o acordo Washington-Bogotá, que exige uma posição firme do governo brasileiro de contrariedade à proposta.O ato hoje vem com o mote do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reunir nesta quinta-feira, em Brasília, com o colega colombiano Álvaro Uribe para debater, entre outros temas, a negociação entre Colômbia e Estados Unidos para instalação de bases militares norte-americanas em solo colombiano. A previsão do Palácio do Planalto é que a reunião, marcada para as 15h, dure cerca de duas horas. Antes disso, Lula reunirá ministros e auxiliares para fazer uma reunião preparatória e deve discutir os aspectos de segurança e política internacional envolvidas no acordo no país vizinho.- Desde terça (4) chegaram representantes do Departamento de Estado dos EUA para amansar a posição brasileira. Além disso, quem atravessa a Baía de Guanabara viu, há navios de guerra americanos ancorados no porto. São navios da 4ª Frota, recentemente reativada para monitorar a costa atlântica. Isso acontece justamente quando já é sabida a participação do embaixador americano na articulação do golpe em Honduras em nome de grandes empresas estadunidenses – problematiza Carlos Bittencourt, um dos organizadores do movimento e integrante da direção estadual do PSOL.A concentração está prevista para às 16h, na Cinelândia. Às cinco da tarde, pontualmente, segundo a organização, o ato parte em direção ao Consulado dos EUA. Diversos movimentos sociais, entidades e partidos políticos assinam a convocatória do ato, como o MST, MTD, Sindipetro-RJ, Intersindical, Conlutas, UJC, Comitê de Solidariedade à Palestina, CMP, MTL, PSOL, PSTU e PCB.Entenda a questãoApós o governo de Rafael Correia do Equador iniciar o processo de fechamento da base militar americana de Manta em seu país, o governo dos EUA iniciou conversações com Uribe para instalar bases na Colômbia. Desde então, os países negociam um acordo pelo qual 800 militares e 600 civis estadunidenses serão deslocados para três bases aéreas no país sul-americano - Malambo, Palanquero e Apiay -, a justificativa é de essa atitude representaria um reforço nas operações contra o terrorismo e o tráfico de drogas. As negociações em curso entre Washington e Bogotá podem permitir que os Estados Unidos utilizem mais quatro bases militares na Colômbia, informou nesta terça-feira (4) o comandante das Forças Militares colombianas, o general Freddy Padilla."Seriam três bases aéreas às quais eles teriam acesso, mais duas do Exército e duas navais", disse o general a jornalistas durante conferência em Cartagena. Até agora, o governo do presidente Álvaro Uribe havia indicado que o acordo contemplava apenas o uso por parte das tropas americanas de três bases aéreas e que as demais estavam em estudo.Padilla, que está como ministro da Defesa interino, enumerou as sete bases. São as de Malambo, na província de Atlántico (norte); Palanquero, em Cundinamarca (centro) e Apiay, em Meta (centro). Das bases do Exército são as de Tolemaida, em Cundinamarca, e de Larandia, em Caquetá (sul). E das navais são as de Cartagena, em Bolívar (norte), e Bahía Málaga, no Valle del Cauca (centro-oeste).O general Douglas Fraser, chefe do comando sul do exército americano, que estava presente na renião de Cartagena, disse que "é importante esclarecer que ainda não existe nenhum tipo de acordo firmado". Ele recordou ainda que "já existem militares americanos que estão trabalhando em colaboração com a Colômbia. Isso tem sido feito de forma muito transparente e em coordenação com o Congresso dos Estados Unidos, e vai continuar assim", explicou.Reações distintas na América do SulO presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, anunciou na última segunda um giro pelos países da América do Sul. O objetivo do líder colombiano é explicar pessoalmente o alcance do acordo com os Estados Unidos. Os líderes do continente apresentam reações distintas. Uribe recebeu apoio do presidente peruano Alan García, mas críticas ao seu plano por parte do presidente boliviano, Evo Morales, no primeiro dia do giro, nessa terça. Na quarta, Enquanto Chile e Paraguai sinalizaram que o acordo é um assunto interno da Colômbia, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, disse, através de assessores, que os planos não contribuem "para a redução dos conflitos na América do Sul". Cristina afirmou ainda que o acordo entre Colômbia e Estados Unidos é "um elemento de perturbação" para a região.Nesta quinta-feira, o presidente colombiano reúne-se com o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, antes de embarcar para o Brasil, para uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.“Não me agrada mais uma base americana na Colômbia” diz LulaO governante brasileiro se posicionou contrário a tal ação, mas com ponderações: “Posso dizer que, para mim, não me agrada mais uma base americana na Colômbia. Mas como eu não gostaria que o Uribe [Álvaro Uribe, presidente da Colômbia] desse palpite nas coisas que eu faço no Brasil, eu prefiro não dar palpites nas coisas dele”.Hugo Chávez anunciou várias medidas econômicas para protestar contra a instalação de sete bases norte-americanas na Colômbia e advertiu o Presidente norte-americano Barack Obama de que a presença militar dos Estados Unidos “pode causar uma guerra na América do Sul".Conflito entre Venezuela e Colômbia Como resposta ao acordo militar entre os EUA e a Côlombia, Chávez disse ainda que está prestes e estabelecer, no próximo mês, “um acordo importante de fornecimento de armamento” com a Rússia. “Será um conjunto de acordos, não só de armas, para aumentar a nossa capacidade operacional, os nossos sistemas defensivos e a nossa defesa antiaérea.”As relações entre a Venezuela e a Colômbia tornaram-se particularmente tensas no mês passado, depois de a Colômbia ter acusado a Venezuela de vender às FARC armas de fabrico sueco que foram encontradas em acampamentos dos guerrilheiros. Chávez mandou então regressar o embaixador em Bogotá, Gustavo Márquez, e substituiu importações da Colômbia por outras da Argentina e do Brasil, para além de qualificar como “irresponsáveis” as acusações do Governo colombiano.O facto de vários lança-rockets de fabrico sueco terem sido encontrados nas mãos das FARC foi justificado pela Venezuela com um roubo ocorrido em 1995. Chávez mostrou um relatório em que é referido que “cinco lança-rrockets AT4” foram roubados da base militar de Cararabo, adiantou a AFP, junto à fronteira com a Colômbia e num incidente que terá custado a vida 14 militares venezuelanos.O presidente Lula propôs na semana passada que os recentes conflitos entre Venezuela e Colômbia fossem discutidos na cúpula presidencial da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), que será realizada a partir do dia 10 de agosto em Quito, no Equador.
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