segunda-feira, 8 de junho de 2009

REFLEXÕES SOBRE O DIPLOMA DE JORNALISTA

O professor de Comunicação, Elias Novellino, postou o seguinte comentário sobre a matéria que escrevi a respeito do diploma e dos cursos de Comunicação (reproduzo aqui com autorização do autor).
Norian, gostaria de passar para você algumas reflexões sobre o seu texto.
Há alguns anos a FENAJ e os Sindicatos de Jornalistas de todo o país com o apoio do governo Lula tentaram criar um Conselho Federal de Jornalismo e qual foi a reação de toda mídia, criticas ao governo, a Fenaj , aos sindicatos e a antiga acusação que isso seria uma forma de censura ao trabalho dos jornalistas, dos jornais.
Os proprietários de meios de comunicação não querem saber de qualquer forma de critica da sociedade em relação a qualidade da informação que é produzida por jornais, rádios e tvs e o projeto foi retirado do Congresso.
Recentemente entrevistamos na aula de radiojornalismo da P.U.C. no periodo da manhã o presidente da FENAJ, Sergio Murillo , que está preocupado com a qualidade dos cursos , defende um Conselho ou um Ordem de Jornalistas.
Sempre me pergunto porque as centrais sindicais não dão importância a questão da comunicação no país, recentemente li com alegria que finalmente o Sindicato dos Metalurgicos do ABC vai conseguir uma concessão para a criação de uma rádio, essa rádio já fazia parte das reivindicações dos Metalúrgicos desde os anos 80.
Porque o movimento sindical , o movimento popular em geral : associações de moradores, MST,ONGS não se mobilizam pressionam os congressistas para discutir essa questão e finalmente os " sem voz " do país terem condições de ter meios de comunicação.
O que tenho visto nas últimas décadas é a reclamção de partidos de esquerda de manipulação nas eleições , do movimento popular em geral que a imprensa é preconceituosa, parcial e não dá espaço a maioria dos brasileiros em jornais, rádios e revistas.
Acredito que deputados e senadores deveriam ser pressionados, no sentido de pedir votos e apoio para a criação de uma legislação que democratizasse a informação e permitisse acompanhar o que é feito pelos meios de comunicação hoje. É impossivel esquecer que rádios e tvs são concessões públicas que vem sendo renovadas seguidamente no Congresso.
Para mim, a discussão sobre a comunicação no Brasil não deve ficar restrita aos jornalistas,porque essa questão é importante para toda sociedade e porque essa sociedade não se mobiliza para essa discussão.
Sou professor de jornalismo há 19 anos e consegui conviver com gerações de jovens idealistas, interessados nos problemas e nas soluções dessas questões para a maioria do povo brasileiro.
Quando vou assistir a entrega do prêmio Wladimir Herzog percebo quantos jornalistas de vários Estados fazem reportagens excelentes que as vezes não temos acesso em São Paulo, com certeza muitos desses jornalistas passaram por algumas Universidades que se preocupam com a formação do estudante e não sómente com a colocação desse jovem no mercado de trabalho.
Outra dúvida que tenho sobre a discussão do diploma é se o fim do diploma vai permitir que o movimento sindical, sem teto, movimento popular em geral passem a fazer parte do noticiário. Será que é o fim do diploma que vai garantir uma imprensa democrática no país ?
Não seria função do governo proibir que Faculdades tivessem salas com oitenta alunos, não seria obrigação dos pais e estudantes questionarem a qualidade dos cursos ?
Toda discussão sobre como melhorar o jornalismo no país é válida, mas a impressão que tenho que o fim do diploma só iria permitir as empresas aumentar o número de celebridades, puxa sacos , amigos do dono que hoje estão na mídia.
Essas são sómente algumas reflexões de quem vive há trinta e dois anos em redações de rádios e tvs e acompanhando como os jornalistas convivem com a suposta liberdade de imprensa.
Desde 1.977 acompanho como os meios de comunicação são " imparciais " nas coberturas de Diretas, Greve dos Metalúrgicos do ABC, Eldorado de Carajás, morte de Chico Mendes , etcc.

Um abraço, Elias Novellino
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