segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Metalúrgicos do ABC preparam greve

Mais de cinco mil trabalhadores rejeitaram, na manhã de domingo (31), o índice de reajuste salarial proposto pelo Sinfavea (Sindicato Nacional das Indústrias de Veículos Automotores) de 0,5% de aumento real. Em assembléia que lotou a rua do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo, foi aprovado aviso de greve, que será encaminhado às montadoras nesta segunda-feira (1º).Após 48 horas do aviso de greve protocolado, os trabalhadores estarão respaldados legalmente para iniciar paralisações nas fábricas.O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, lembrou, em seu discurso, o excelente momento econômico vivido pelo País e os consecutivos recordes de produção e vendas das empresas. O dirigente destacou também a importância de a categoria conquistar, nesta data-base, o direito de o trabalhador ser liberado pelos patrões para passar por processo de formação sindical.Outro ponto do qual a categoria e o sindicato não abrem mão nesta data-base é um significativo reajuste no piso da categoria, para evitar a rotatividade que hoje já passa dos 40%, apesar da economia forte. O presidente do sindicato não mencionou índices. "Queremos tudo que temos direito, o máximo", afirmou."O momento econômico é bom, mas nunca há negociações fáceis porque os patrões sempre têm uma desculpa para não dar aumento real de salário, por isso a categoria tem de se manter organizada, mobilizada e, se preciso for, iniciar o processo de luta,que prevê a greve como instrumento legítimo de reivindicação", afirmou Sérgio Nobre, sob a aprovação unânime dos trabalhadores.O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC tem 100 mil trabalhadores em sua base (São Bernardo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra), patamar que foi atingido em junho. Em 2003, quando Lula assumiu o seu primeiro mandato na Presidência da República e após a desastrosa política neoliberal de Fernando Henrique Cardoso, a categoria tinha 77 mil trabalhadores.A marca de 100 mil representa um crescimento de 28,8% no número de empregos na base em comparação a 2003, num total absoluto de 22.325 trabalhadores contratados na categoria, aumento que também é resultado da luta do sindicato e da categoria."Nunca vi uma campanha salarial tranqüila, pois os patrões só cedem debaixo de luta", finalizou Sérgio Nobre.
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