domingo, 1 de junho de 2008

Fernando, me perdoa, o mais novo lançamento da Limiar


Conto é como corrida de cem metros rasos, tem que ter pegada, não pode perder o fôlego, mas atenta tirar o ar da garganta do leitor. A complexidade dessa aritimética gramatical parece tornar-se simples nas linhas dos contos de Ricardo Lahud.
Desde a epígrafe de cada conto não esconde – ao contrário, escancara – suas preferências. Navega preciso por autores como Kafka, Charles Dickens, Drummond e Nelson Rodrigues; do regionalismo de Simões Lopes Neto ao universo de Clarice Lispector, e, claro, de Pessoa, o Fernando do título. Apesar das díspares referências, os contos selecionados para este livro guardam entre si um fio de Ariadne, invísivel, mas sempre presente, conduzindo o leitor a um universo que mescla o fantástico ao cotidiano, o insólito ao prosaico.
Cada conto vem precedido de epígrafe de um autor cuja obra Ricardo Lahud flerta, às vezes pelo estilo, como em “Amantes”, com epígrafe de Nelson Rodrigues, outras com a gênese da temática, como no conto que dá título ao livro.
Como o poeta, Lahud é um fingidor, finge ser simples escrever sobre a complexidade do cotidiano e transforma palavras em um jogo de mostrar e esconder, instgando o leitor a encontrar outras referências. Como diz Moacyr Scliar no prefácio deste livro, Ricardo Lahud surpreende o leitor: o final de cada conto é um convite para o próximo. Se você não acredita, lanço aqui um desafio: escolha aleato-riamente um conto, leia e veja se consegue parar de ler os demais até esgotar a última linha e ainda ficar com o gosto de quero mais.

Ricardo Lahud é um jovem escritor paulistano que vem construindo uma carreira literária sólida. Nos oito primeiros anos deste século já ganhou uma centena de prêmios literários com contos, poesias e crônicas.
Além de Fernando, me perdoa, é autor de Noite de Colheita (2007, Via Lettera) e O gordinho e o poeta (2007, Ofício das Palavras), todos premiados pelo PAC – Programa de Ação Cultural, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. Foi o único autor com dois projetos literários selecionados nos PACs de 2006 e 2007.

3 comentários:

Susana Serrão disse...

Parece uma excelente pedida: quando terei o prazer desta leitura?

Susana Serrão disse...

Irei na Livraria da Travessa, em breve, comprar - ou encomendar - o dito cujo.

Anônimo disse...

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