sexta-feira, 16 de maio de 2008

Redução da jornada pode gerar 2 milhões de novos empregos


Estudo publicado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) no final de 2007 aponta que a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais – como reivindica o movimento sindical – poderia gerar mais de 2 milhões de novos empregos no país.
O Dieese tomou como base a Rais (Relação Anual das Informações Sociais) de 2005, quando o Brasil registrou 22.526.000 pessoas com contrato de 44 horas semanais de trabalho. Coma diminuição de quatro horas, novos empregos teriam que ser criados. O Dieese faz o seguinte cálculo: (22.526.000 x 4): 40 = 2.252.600.

Fim das horas extras
Segundo o estudo “para concretizar a criação de empregos, a redução da jornada deve vir acompanhada de medidas como o fim das horas extras e uma nova regulamentação do banco de horas, que não permitam aos empresários compensar os efeitos de uma jornada menor de outra forma que não com a contratação de mais colaboradores”. Essas medidas complementares são importantes para coibir manobras de empresários.
As centrais sindicais estão colhendo em todo o país subscrições para o projeto de lei popular que reduz a jornada de trabalho sem redução de salários e redefine mecanismos como hora extra e banco de horas.
O estudo do Dieese aponta que apenas o fim das horas extras já poderia criar mais de 1 milhão de empregos com carteira assinada. O estudo defende ainda que, no Brasil, os ganhos de produtividade têm beneficiado apenas os empresários. “Por outro lado, a classe trabalhadora sofre com a redução de seus rendimentos e a alta do desemprego”.

Cenário favorável
A campanha lançada pelas centrais sindicais destaca o bom momento econômico do país como um dos fatores favoráveis à aprovação da lei. Ainda segundo o estudo do Dieese, a produtividade do trabalho mais que dobrou na década de 1990. Nos primeiros anos deste século, o ganho de produtividade foi de 27%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Outros fatores que jogam a favor da redução da jornada é o custo com salários, um dos mais baixos do mundo; o peso dos salários no custo total de produção, também ainda muito baixo; e o processo de flexibilização da legislação trabalhista, que teve seu ápice durante o governo tucano de FHC.
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