quarta-feira, 21 de maio de 2008

Empresa sorteia brinde para fura-greve


Panfleto da empresa para cooptar trabalhadores

A UTC engenharia é uma das gigantes do ramo, com contratos milionários com empresas como a Petrobrás. No balanço de 2006 (o de 2007 ainda não está publicado na página da empresa) registrou receita líquida de R$ 525 milhões e lucro acumulado de R$ 59,3 milhões. Apesar do porte e de empregar milhares de trabalhadores em todo o país, essa empresa continua agindo como uma boca-de-porco de fundo de quintal, sem valorizar os verdadeiros responsáveis por esse excelente lucro: seus trabalhadores.
Após uma greve de 20 dias realizada na Petrobrás, na Refinaria do Planalto (Replan), em Campinas, quando cerca de 1.500 trabalhadores cruzaram os braços para exigir um abono de R$ 200, a UTC passou a perseguir e demitir, inclusive candidatos à Cipa. Agora, junto com outras duas empresas que atuam na refinaria, a Gutierrez e a Zarif, lança nova investida contra a organização dos trabalhadores: para evitar uma paralisação marcada para ter início no dia 21, a UTC prometeu sortear brindes para quem furar a greve. Panfletos distribuídos na Refinaria dizem que o sorteio pode acontecer “qualquer dia” e só irá concorrer quem estiver presente.
O diretor do Sindicato dos Petroleiros Unificado, Jefferson de Paula, diz que os trabalhadores receberam com indignação a notícia do sorteio. “Os trabalhadores da construção civil estão em dissídio coletivo, tal atitude da UTC e suas quarteirizadas é um ataque aos trabalhadores, que querem reajuste digno, auxílio-moradia, melhores condições de trabalho, segurança e aumento real. Essa tática de premiar pelegos e fura-greves remonta à ditadura militar, quando havia o tal do ‘operário-padrão’, que nada mais era do que um trofeuzinho para quem traia a categoria”, afirma o dirigente.

Quanto custa sua honra
Você venderia sua honra e prejudicaria seus companheiros por uns 80 reais? É isso que os patrões da UTC, Gutierrez e Zarif querem que seus empregados façam quando oferecem um aparelhinho de MP3. “Isso parece com os invasores portugueses que vieram ao Brasil, ofereceram espelhinhos para os índios e depois dizimaram quase todos; esses patrões querem acabar com a organização dos trabalhadores oferecendo migalhas”, avalia o diretor do Sindipetro Unificado, Rogério Santa Rosa.

Apesar das ameaças e da tentativa de cooptação, os terceirizados da UTC e de outras empresas da Replan paralisaram as atividades na quarta-feira, dia 21. Cerca de 3 mil trabalhadores aderiram à greve, que faz parte do calendário da campanha salarial da construção civil.

Unidade na luta
A arma do trabalhador é a unidade de classe. Na greve de 1995, na Petrobrás, o governo FHC ameaçou de demissão milhares de trabalhadores caso não retornassem imediatamente ao trabalho. Qual foi a atitude do movimento sindical à época? Todos os trabalhadores assinaram carta de demissão e as deixaram aos cuidados da FUP, se algum trabalhador fosse demitido, no dia seguinte a empresa e o governo receberiam 50 mil cartas de demissão. Diante da postura dos trabalhadores, FHC afinou e a greve prosseguiu por 32 dias.
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