sábado, 19 de janeiro de 2008

Trabalho em turnos pode causar câncer, diz estudo da OMS

Recente trabalho publicado pela Agência Internacional de Pesqui-sa em Câncer, da Organização Mundial da Saúde (OMS), adverte que quem trabalha em turnos de revezamento tem maior risco de contrair câncer. A agência classificou o trabalho em turnos como possível agente carcinogênico, o que o coloca na mesma categoria do tabaco, da radiação ultravioleta e das drogas anabolizantes. Outro estudo promovido pela Universidade de Saúde Ambiental e Ocupacional e publicado no American Journal of Epidemiology, concluiu que homens que trabalham em turnos diferentes têm quatro vezes mais possibilidade de desenvolver câncer de próstata dos que os que trabalham em horário administrativo.
Problemas psicossociais
O ser humano dorme à noite não por convenção social, mas porque seu organismo expressa ritmos que são resultados do processo de adaptação da espécie ao ciclo ambiental claro-escuro do planeta. A inversão dos horários de atividade e de repouso que o trabalho noturno impõe sempre tem conse-qüências do ponto de vista fisiológico e está relacionada a uma ampla gama de problemas de saúde como transtornos digestivos, cardiovasculares, reprodutivos e distúrbios de sono. Além de questões de saúde, quem trabalha à noite está mais exposto a problemas de ordem psicossocial, pois seu cotidiano é diferente do de sua família e da comunidade em que está inserido.
Para as mulheres se acrescenta, ainda, outros fatores da vida familiar como as convenções sociais que estabelecem a obrigação da dupla jornada, do cuidado com filhos etc.
As pesquisadoras Cláudia Moreno, Frida Marina Fischer e Lúcia Rotenberg demonstraram que além de problemas sociais e de saúde dos indivíduos, o trabalho noturno gera riscos coletivos. Em matéria publicada na revista Mente&Cérebro (maio/2007) elas citam o acidente nuclear de Chernobyl, a explosão da Challenger (ambos em 1986) e um o vazamento de petróleo no Alasca, em 1989, como desastres relacionados à privação de sono.
Debater alternativas
A sociedade não tem respostas para todos os problemas relacionados ao trabalho noturno e em turnos de revezamento. "Ainda não é possível prescindir do trabalho noturno em alguns ramos de atividades, como no caso dos petroleiros, mas temos de buscar formas para evitar ao máximo danos à saúde do trabalhador, com redução da jornada diária de trabalho, aumento do número de folgas, regulamentação de aposentadoria especial para quem faz essa jornada e mantendo um tipo especial acompanhamento médico entre outras alternativas", reflete o diretor do Sindicato dos Petroleiros Unificado-SP e da Federação Única dos Petroleiros (FUP), João Antonio Moraes. "Só o fato de haver uma remuneração extra, que é um atrativo para muita gente, mostra os efeitos nocivos do trabalho noturno, precisamos buscar novos caminhos", completa Moraes.
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