terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Lula recebe sindicalistas no dia dos aposentados




Nesta quinta-feira, 24, comemora-se em todo o país o dia dos aposentados. Em São Paulo, a data será lembrada com uma caminhada de cerca de dois quilômetros - organizada pelo Sintapi-CUT (Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas) –do centro da cidade até o prédio do INSS. O presidente do Sindicato, o trabalhador do ramo petroquímico Epitácio Luiz Epaminondas (Luizão) fala sobre como está a situação atual dos aposentados e das reivindicações do segmento. Confira

Luizão, como serão as comemorações do Dia Nacional dos Aposentados?
Luiz Epaminondas –
O Sintapi é uma entidade de abrangência nacional, mas sua sede é em São Paulo. Nossa orientação é que haja atividades em todas as regiões, com o envolvimento do conjunto do movimento sindical, associações de trabalhadores, a CUT e suas estaduais e regionais. Em São Paulo vamos realizar uma caminhada na manhã da quinta-feira, até o prédio do INSS e entregar ao superintendente do Instituto um documento com as reivindicações do setor. No dia 27, em Aparecida, haverá uma missa em homenagem aos aposentados, mas a principal atividade do dia será uma audiência com o presidente Lula, em Brasília.

O que vocês irão tratar nessa audiência?
Há tempos solicitamos essa audiência para apresentar ao governo e ao presidente nossas reivindicações e uma radiografia do segmento. Atualmente são mais de 25,2 milhões de aposentados, aposentadas e pensionistas no Brasil, e a maioria sobrevive com apenas um salário mínimo de benefício, o que é muito pouco e tem causado grandes problemas para essa massa de pessoas que dedicou anos e anos construindo o país. O reajuste da aposentadoria é desvinculado da correção do salário mínimo, as aposentadorias, em geral para quem ganha salário beneficio, têm recebido índices menores de correção, só a correção da inflação sem aumento real. Com isso, é cada vez maior o número de aposentados que passa a ganhar apenas o salário mínimo.

E qual é proposta do Sintapi?
Queremos, a exemplo do que foi feito com o salário mínimo, que haja uma política de longo prazo de recuperação do poder de compra das aposentadorias e pensões. Não queremos a vinculação indiscriminada com o reajuste do salário mínimo, no entanto, reivindicamos a recuperação das perdas históricas e a adoção de um índice de reajuste que reflita a realidade do segmento, porque alguns itens, como medicamentos, têm peso diferente para quem é mais novo e para idosos. Outro exemplo, transporte público tem menos impacto para o aposentado, porque na maioria das cidades o transporte é gratuito para idosos.

Seria o caso de se adotar o IPC-3I [Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade]?
Não temos na direção do Sintapi definido que esse é o índice que queremos, estamos abertos ao debate com o governo, mas o IPC-3I é um dos indicadores que podem compor o reajuste das aposentadorias e pensões.

Além da questão financeira, quais outras bandeiras o Sindicato levanta?
Queremos, também, aumentar nossa representação nos fóruns de discussão sobre os temas relativos à aposentadoria e à terceira idade. Participamos, em 2007, do Fórum Nacional da Previdência, temos mantido uma boa interlocução com a Secretaria de Previdência, mas ainda há muito que avançar; muito do que consta no Estatuto do Idoso ainda está apenas no papel como letra morta, temos de lutar para transformar isso em realidade e essa é uma função primordial do movimento sindical.

E como se dá a relação do Sintapi com outros sindicatos que têm setores e departamentos específicos de aposentados, como é o caso de vários sindicatos?
Eu sou trabalhador petroquímico e filiado também ao sindicato dos petroleiros de São Paulo, fui diretor do Sindicato dos Químicos do ABC, trabalhei e me aposentei como trabalhador da Petroquímica União. Queremos aglutinar, pela política e pelas propostas, todos os departamentos de aposentados dos sindicatos, sempre entendendo que cada um tem sua autonomia. Nossa intenção é somar sempre. Com a melhoria das condições de vida e a perspectiva de maior longevidade, cada vez mais aumenta o número de aposentados e idosos no país; ao lado de isso ter grandes impactos nas políticas públicas e na Previdência, haverá um contingente cada vez maior de “velhinhos” e “velhinhas” que necessitarão da representação sindical e, para isso, teremos de realizar um esforço de convergir em nossas propostas e atuar juntos cada vez mais buscando a unidade.
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