sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Kassab fatura com projeto alheio


Em política, a frieza dos números nem sempre revela a real intensidade das disputas, mas sempre é um bom indicador dos ânimos do eleitorado e dos caminhos que políticos tendem a seguir. A um ano das eleições municipais, a disputa na maior cidade do país, São Paulo, dá uma prévia do que será a contenda em nível nacional para a sucessão presidencial.
São Paulo tem importância estratégica para os partidos. Além de ser o terceiro orçamento do país, atrás, apenas, do governo federal e do Estado de São Paulo, uma boa administração pode ser trampolim para pretensões maiores – leia-se governo do Estado e Presidência da República. O tucano José Serra, derrotado na disputa com Lula, lançou-se à prefeitura do município, elegeu-se governador, mas não tira o olho do Palácio do Planalto. Outro emplumado, Geraldo Alckmin, também derrotado por Lula nas últimas eleições, é nome certo para a disputa da Prefeitura paulistana.
Pesquisa divulgada pelo Ibope na semana passada indica que em um segundo turno em São Paulo, o atual prefeito Gilberto Kassab (DEM) venceria a ex-prefeita Marta Suplicy (PT) por 47% a 38% da preferência do eleitorado. Ironicamente, o bom desempenho de Kassab deve-se à continuidade de projetos gestados na administração Marta: a lei da cidade limpa, o bilhete único e os CEUs. Kassab, espertamente, se aproveita para deixar a impressão de que são de sua autoria os projetos. Ironicamente, Marta Suplicy, em cuja gestão foram iniciados os projetos, tem a maior taxa de rejeição entre os três principais candidatos.
Segundo a pesquisa do Ibope, se a eleição fosse hoje, Geraldo Alckmin superaria em um segundo turno tanto Kassab quanto Marta.
Marta Suplicy herdou uma São Paulo falida, após a desastrosa passagem de Celso Pitta, recuperou a cidade, lançou as bases de projetos que hoje são o principal cartão de visita da Prefeitura, mas não superou no imaginário popular a pecha de arrogante, que a fez perder a disputa passada.
Já Kassab, político inexpressivo e que ganhou a Prefeitura de presente com a saída de Serra, se aproveita bem dos projetos alheios para alavancar seu nome e tornar-se forte candidato à reeleição.
PSDB e DEM (ex-PFL), aliados de longa data, devem sair separados na disputa pela maior cidade do país. O PT, por sua vez, deve buscar alianças em um espectro político muito maior do que a da chamada esquerda; das três candidaturas, a menos garantida, ainda, é a da petista, que precisa passar por prévias e disputas democráticas no interior do partido, “problema” que outras legendas não tem por serem nomes tirados de conchavos de lideranças.
A campanha no próximo ano promete ser interessante e uma prévia do que aguarda a sucessão presidencial.
(na foto, Kassab bate boca com desempregado e o chama de vagabundo)
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