segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Paquistão: quando a mídia convencional falha


O Paquistão vive uma séria crise que pode desaguar em mais uma guerra civil na já conturbada região. Reeleito em outubro para mais um mandato de cinco anos, o presidente Pervez Musharraf suspendeu a Constituição, e declarou estado de emergência no país às vésperas do Tribunal Supremo julgar a legalidade da vitória eleitoral de Musharraf.
A crise se arrasta há meses, o governo contabiliza mais de 500 prisões, enquanto a oposição fala em mais de 2000. O clima de insegurança teve seu ápice no ataque do governo a insurgentes que ocuparam a Mesquita Vermelha, em julho.
Recentemente, o governo censurou todas as redes privadas de TV e jornais, bloqueou acessos a internet, mas não conseguiu barrar todos os blogs, que continuam emitindo opiniões e ajudando a organizar a oposição a Musharraf.

Leia algumas mensagens postadas em blogs:
“Os Estados Unidos irão apoiar a tirania e ilegitimidade do ditador do Paquistão e esperar por outra revolução islâmica”? (http://www.chapatimystery.com/)

“Se as pessoas no Paquistão querem democracia, terão de protestar em grande número” (http://www.pakistanist.com/).

(chamada para manifestação em Karachi) http://www.kidvai.com/windmills/

Os blogs e sítios são em inglês, mas vale a pena dar uma olhada.


Breve histórico da crise

Março - Pervez Musharraf suspende o presidente da Suprema Corte, Iftikhar Chaudhry. Juristas unem-se a favor do juiz, crítico do presidente, que passa a enfrentar protestos populares.

Julho - Após cerco militar de dez dias, Musharraf ordena a invasão da Mesquita Vermelha, em Islamabad, para conter islâmicos que usavam o local como base. Pelo menos 105 pessoas são mortas. A ação é seguida por uma onda de atentados a bomba.

- A Suprema Corte reintegra Iftikhar Chaudhry.
– A ex-premiê Benazir Bhutto, exilada, exige que o presidente deixe o posto de chefe do Exército. Setembro - Nawaz Sharif, primeiro-ministro que Musharraf depôs e forçou ao exílio há oito anos, é detido no aeroporto de Islamabad.

Outubro - Musharraf designa o ex-diretor-geral do serviço secreto como seu sucessor para o cargo de chefe do Exército. Governo anuncia que está retirando as acusações de corrupção contra Benazir, abrindo caminho para que a ex-primeira-ministra retorne do exílio.
- Governo decreta estado de emergência, proíbe transmissões de TV e circulação de jornais. Blogs resistem.
Postar um comentário