quarta-feira, 4 de maio de 2016

Mais de 1000 mortes por agrotóxicos em São Paulo, informa Portal "escondido" da Secretaria de Saúde



Clique aqui para conhecer o Observatório de Saúde Ambiental do Estado de São Paulo



O Brasil é o segundo maior produtor de alimentos do mundo, atrás dos Estados Unidos, mas é o primeiro em consumo de agrotóxicos. Na safra de 2013/2014 foram utilizados cerca de 1 bilhão de litros, o que gera uma média de 5 litros de agrotóxicos por habitante, de acordo com especialistas. Em 2014, o setor de agrotóxicos no movimentou cerca de R$ 39 bilhões.
É uma indústria forte, com poder de pressão nos legislativos e no Ministério da Agricultura.


Segundo o dr. em saúde pública, Wanderlei Pignatti, da Universidade Federal do Mato Grosso, o Brasil é o destino de diversos agrotóxicos que já estão há muito proibidos na Europa e nos EUA. “Eles (Europa e EUA) limitam o uso de agrotóxicos mais tóxicos. Aqui usamos agrotóxicos que foram proibidos em 1985 na União Europeia (UE), Estados Unidos e Canadá. No Brasil, estamos tentando revisar o uso de 14 tipos há dois anos e não conseguimos, porque dependemos do parecer do Ministério da Agricultura, do Ministério do Meio Ambiente e o parecer do próprio sindicato dos produtores”, afirmou à revista Galileu 

Portal de saúde de São Paulo

No final de 2015, a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, juntamente com o Cealag (Centro de Estudos Augusto Leopoldo Ayrosa Galvão) e outras entidades e parcerias (entre elas a Editora Limiar) desenvolveu o Observatório de Saúde Ambiental, um portal com informações detalhadas sobre consumo e agrotóxicos por cultura e área plantada no Estado e suas consequências, como intoxicações, mortes e tentativas de suicídio.
Segundo o portal, de 2000 a 2012 ocorreram no Estado de São Paulo mil mortes ocasionadas diretamente por intoxicação por agrotóxicos. Deste total, 404 apenas na capital. Em sua apresentação, o Portal avisa: “O impacto ocasionado pelo uso e consumo de agrotóxicos diretamente na saúde são importantes, mas muitas vezes não identificados, envolvendo principalmente grupos específicos de pessoas. mas também todos os consumidores.
"Dados sobre o consumo são conhecidos desde o ano de 2008, porém não disponibilizados de maneira sistemática sejam dados sobre uso e consumo, sejam dados sobre impactos diretos na saúde pública. Não sabemos quantas pessoas apresentam quadros agudos gerados pela exposição, nem quais principais problemas crônicos afetam a população do estado e SP."
"Variados são os estudos e os dados, e é importante a análise e disponibilização destas informações que se referem aos 'saberes científicos', 'saberes populares', 'saberes oficiais e legais' dentre outros para que toda população, em especial os serviços de vigilância em saúde, adotem uma efetiva prática preventiva em saúde."
"Este Observatório, voltado principalmente para os serviços de vigilância em saúde, foi construído com o intuito de aglutinar informações referente ao uso, consumo de agrotóxicos no estado de São Paulo, ao mesmo tempo em que são apresentadas principais análises epidemiológicas sobre notificações no estado de SP nos bancos de dados sobre Internações hospitalares, nascidos vivos, mortalidade, adoecimentos que possam estar relacionados aos agrotóxicos conhecidos. Todas as informações podem ser analisadas por municípios e/ou regiões do Estado de São Paulo. São disponibilizadas ainda levantamentos bibliográficos sobre impactos na saúde e agrotóxicos, visando uma reflexão dos envolvidos na área e fundamentação de práticas em saúde coletiva”.

Pouca visibilidade

O Portal contém extensas tabelas, algumas de difícil compreensão para quem não é da área, mas é um instrumento de fundamental importância para que se avance na pesquisa e no detalhamento de como os agrotóxicos influenciam na saúde das pessoas.
De maneira indireta, o Portal questiona diversas políticas do governo do Estado, talvez por isso não tenha a divulgação e visibilidade que faz jus a sua importância.


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