sábado, 2 de maio de 2015

Disputa interna do PMDB ajuda luta contra 4330

Pela primeira vez em muitos anos, o PMDB, tradicional partido de apoio ao governo – seja qual for –, surge com possibilidade de lançar candidatura própria em 2018, abrindo uma terceira via entre a disputa PT x PSDB.
Líderes da legenda começam a digladiar para ver quem chegará em 2018 com chances de concorrer. Parece cedo, mas assim é o relógio político: alguns não saíram ainda da eleição passada, pensando que estão terceiro turno, outros já vislumbram o próximo pleito, acreditando no enfraquecimento das duas grandes agremiações.
Nesse tabuleiro três figuras se destacam no atual cenário: o vice-presidente Michel Temer, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha e o do Senado, Renan Calheiros. A rigor nenhum tem estatura ética e política para alçar ao mais alto posto da nação, mas isso é outra conversa.
Cunha e Renan sabem que se vingar a tese aventureira de impeachment da presidente Dilma, jogam o Palácio do Planalto no colo de Temer e, por terra sonhos de serem candidatos pelo PMDB em 2018, visto que Temer seria o candidato natural do partido. Isso explica declarações de Cunha contra o processo de impedimento de Dilma.
Renan e Cunha também travam uma batalha entre si, turbinados pela cobertura midiática.
No recente lance de holofotes, Renan atacou o projeto de terceirização aprovado pela Câmara e vai tentar mudá-lo no Senado, angariando os louros de uma pretensa “defesa dos direitos dos trabalhadores”. Ao mesmo tempo avançou contra Michel Temer por fazer articulação política à base de favores e cargos – áreas em que o PMDB sempre foi mestre.
Essa disputa interna de interesses favorece a luta contra o PL 4330 e deve ser aproveitada
pelas entidades sindicais e sociais para fazer sucumbir esse projeto – ou, pelo menos, seus aspectos mais nefastos.
Ainda é cedo para dizer quem dos três chegará “vivo” para a disputa de 2018, mas é o momento para enterrar o projeto de precarização do trabalho e outros que avançam na pauta da Câmara Federal.  
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