sexta-feira, 20 de abril de 2012

Solidariedade à soberania energética argentina

(editorial do jornal Petroleir@s 753)


Tanto o Brasil como a Argentina, os dois maiores países do continente sul, são alvos prediletos de predadores euro-estadunidenses. Nas décadas 1940/50, a população brasileira se mobilizou, foi às ruas,  garantiu a criação da Petrobrás e o monopólio das reservas petrolíferas. Por este ideal de nação, muitos – como o trabalhador portuário Deoclécio Santana – deram sua vida.
Nos desastrosos anos neoliberais, a trupe de FHC tentou privatizar o Brasil, Petrobrás no pacote. Foram necessários 32 dias de ferrenha greve dos petroleiros para amainar ímpetos tucanos; mesmo assim, o estrago de FHC sobre a estatal brasileira foi enorme e, com muito custo, a FUP, sindicatos e trabalhadores retomam ano após ano, direitos usurpados.
A Argentina, no mesmo período, viu sua soberania se transformar em pó pelo caricato e perigoso governo de Carlos Menen, que entregou tudo o que foi possível, inclusive as reservas e empresas estratégicas de energia.
Em um ato corajoso, a atual presidente Cristina Kirchner reestatizou a petrolífera YPF, que se encontrava sob controle acionário da espanhola Repsol. A União Europeia estuda retaliações.
É equivocado discutir o conflito dentro dos limites das relações econômicas. A economia é um meio para assegurar a soberania nacional e não moeda de troca no mercado internacional de interesses e pressões.
Não é de hoje que governos espanhóis arrotam arrogância contra suas colônias.  Em 2002, o presidente espanhol José Maria Aznar telefonou para o Eduardo Duhalde (que sucedeu Menen) e o pressionou a aceitar as imposições do FMI, sob risco de represálias. Anos depois, o rei Juan Carlos Zapatero mandou o presidente venezuelano, Hugo Chavez, se calar. As recentes imagens de Zapatero caçando elefantes em Botsuana é a mais perversa parábola da arrogância que tomou conta dos dirigentes europeus.
A expropriação de 51% das ações da Repsol na YPF representa um ato de retomada de soberania do povo argentino e não deve significar nenhum temor para a Petrobrás, que tem reduzido, ano a ano, seus investimentos no país vizinho. Nos últimos três anos, a estatal brasileira vendeu sua área de fertilizantes para a Bunge e se desfez da refinaria San Lorenzo, e de 363 postos de serviços para o grupo Oil M&S A produção de óleo e gás caiu de 140 mil barris por dia, em 2006, para 98 mil, em 2011.
Independentemente da posição comercial da Petrobrás, o Brasil deve respeitar a decisão argentina e os trabalhadores se solidarizarem com a luta do povo portenho por sua soberania, seja nas Malvinas, seja na YPF.

Postar um comentário