quinta-feira, 5 de abril de 2012

O ménage criminoso entre o senador, o bicheiro e Veja


Os grampos da Polícia Federal na Operação Monte Carlo revelaram não apenas as ligações umbilicais entre o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) e outros parlamentares com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, como a ativa cumplicidade da revista de maior circulação nacional, a Veja.

Os grampos mostraram as ligações incestuosas do diretor da sucursal de Brasília da revista, Policarpo Jr., com o esquema de corrupção, chantagem e negociatas de Carlinhos Cachoeira. A PF interceptou mais de 200 ligações entre o chefe da Veja em Brasília e o bicheiro, que despejava uma cachoeira de informações para a Veja fazer o jogo sujo.

O jornalista Luis Nassif explica como se procede esse ménage do crime entre o senador, o bicheiro e a pior revista do país:

“1. Havia um modus operandi claro. Cachoeira elegeu Demóstenes. Veja o alçou à condição de grande líder político. E Demóstenes se valeu dessa condição – proporcionada pela revista – para atuar em favor dos dois grupos.

2. Para Cachoeira [Demóstenes] fazia trabalho de lobby, conforme amplamente demonstrado pelas gravações até agora divulgadas.

3. Para a Veja fazia o trabalho de avalizar as denúncias levantadas por Cachoeira.

Havia um ganho objetivo para todos os lados:

1. Cachoeira conseguia afastar adversários, blindar-se contra denúncias e intimidar o setor público, graças ao poder de que dispunha de escandalizar qualquer fato através da Veja.

2. A revista ganhava tiragem, impunha temor e montava jogadas políticas. O ritmo frenético de denúncias – falsas, semi-falsas ou verdadeiras – conferiu-lhe a liderança do modelo de cartelização da mídia nos últimos anos. Esse poder traz ganhos diretos e indiretos. Intimida todos, anunciantes, intimida órgãos do governo com os quais trabalha”.

Não é por acaso a capa da revista de 4 de julho de 2007 estampa Demóstenes como um dos “mosqueteiros da ética”.



Panfleto de interesses espúrios

Há menos de um ano, a centenária publicação inglesa, The News of World, do empresário Ruppert Murdoch, teve de fechar após escândalos que desvendaram sobre o trabalho de apuração que incluía escutas ilegais e aquisição de informações com policiais mediante pagamentos em dinheiro.

Ao longo dos anos, a Veja deixou de lado qualquer missão de fazer jornalismo para se tornar um panfleto de interesses espúrios, negociatas e lobbies. Todos que defendem a liberdade de imprensa devem exigir uma profunda investigação entre as relações promíscuas da revista com setores do poder político e do crime organizado – em muitos casos difícil de detectar onde acaba um e começa outro.




Cachoeira, Demóstenes e Veja armaram o mensalão, denuncia ex-prefeito



fonte: http://brasil247.com/pt/247/poder/50208/%E2%80%9CCachoeira-e-Dem%C3%B3stenes-armaram-o-mensal%C3%A3o%E2%80%9D.htm




O mensalão, maior escândalo político dos últimos anos, que pode ser julgado ainda este ano pelo Supremo Tribunal Federal, acaba de receber novas luzes. Elas partem do empresário Ernani de Paula, ex-prefeito de Anápolis, cidade natal do contraventor Carlinhos Cachoeira e base eleitoral do senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

“Estou convicto que Cachoeira e Demóstenes fabricaram a primeira denúncia do mensalão”, disse o ex-prefeito em entrevista ao blog 247.

Para quem não se lembra, trata-se da fita em que um funcionário dos Correios, Maurício Marinho, aparece recebendo uma propina de R$ 5 mil dentro da estatal. A fita foi gravada pelo araponga Jairo Martins e divulgada numa reportagem assinada pelo jornalista Policarpo Júnior. Hoje, sabe-se que Jairo, além de fonte habitual da revista Veja, era remunerado por Cachoeira – ambos estão presos pela Operação Monte Carlo. “O Policarpo vivia lá na Vitapan”, disse Ernani de Paula.

O ingrediente novo na história é a trama que unia três personagens: Cachoeira, Demóstenes e o próprio Ernani. No início do governo Lula, em 2003, o senador Demóstenes era cotado para se tornar Secretário Nacional de Segurança Pública. Teria apenas que mudar de partido, ingressando no PMDB. “Eu era o maior interessado, porque minha ex-mulher se tornaria senadora da República”, diz Ernani de Paula. Cachoeira também era um entusiasta da ideia, porque pretendia nacionalizar o jogo no país – atividade que já explorava livremente em Goiás.

Segundo o ex-prefeito, houve um veto à indicação de Demóstenes. “Acho que partiu do Zé Dirceu”, diz o ex-prefeito. A partir daí, segundo ele, o senador goiano e seu amigo Carlos Cachoeira começaram a articular o troco.

O primeiro disparo foi a fita que derrubou Waldomiro Diniz, ex-assessor de Dirceu, da Casa Civil. A fita também foi gravada por Cachoeira. O segundo, muito mais forte, foi a fita dos Correios, na reportagem de Policarpo Júnior, que desencadeou todo o enredo do mensalão, em 2005.

A Veja adotou um dos lados da briga, e, em conluio com a rede Globo e com José Serra estampou em rede nacional o que seria a arma final para desestabilizar o governo Lula.


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