quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Leviandade e falta de segurança na Petrobrás

Diante de uma tragédia, um acidente, uma morte, nossa primeira reação é de solidariedade às vítimas, mesmo para aquelas que não conhecemos pessoalmente; é inevitável vir à mente o sofrimento dos familiares, é inevitável pensar: "podia ter sido comigo ou com algum amigo ou parente".
No dia 23 de setembro, a técnica de Operações da Refinaria de Manaus (Remam), da Petrobrás, Renata Lima Benigno, sofreu um sério acidente dentro da unidade, com queimaduras de 1º, 2º e 3º graus. A trabalhadora foi internada na UTI do hospital de Manaus e, posteriormente, para o Hospital de base do Galeão, onde veio a falecer sete dias depois, em 30 de setembro.
A notícia causou comoção a todos os trabalhadores pela brutalidade e sofrimento a que esta trabalhadora foi submetida. Todos, não, quase todos. Na contramão de uma reação humana e digna é de estranhar o comportamento de certas gerências da Petrobrás que procuram desqualificar as vítimas.
A gerência da Refinaria Paulínia (SP) convocou os trabalhadores de turno para lançar acusações à trabalhadora, dizendo tratar-se de má funcionária, que não cumpria horários etc., como se esse fosse o motivo para o acidente.
O que está por trás deste tipo de discurso é a velha e autoritária tendência de jogar no trabalhador a culpa pelo acidente, isentando a empresa da responsabilidade e, consequentemente, de assumir que deve rever suas políticas de segurança.
Resta saber se as acusações levianas apresentadas por essa gerência tiveram motivação pessoal ou se foi uma orientação da cúpula da Petrobrás.
Os sindicatos de petroleiros há muitos anos denunciam os acidentes e mortes constantes na Petrobrás. Apenas nesse fatídico setembro, outros três trabalhadores - Genivaldo José da Silva, 34 anos, morto em acidente dia 27 de setembro; Milton José da Silva, 51 anos, morreu dia 4 e Marcos Vinícius Pereira, 38 anos, faleceu dia 21 – perderam as vidas vítimas de acidentes de trabalho na segunda maior empresa das Américas.
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