quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

São Paulo submersa na incompetência

Verão, altas temperaturas, chuvas, sujeira nas ruas e bocas de lobo mal conservadas são ingredientes certos para a proliferação do mosquito da dengue, doença que parecia sob controle há alguns anos, mas que volta a crescer na cidade mais rica do país.
E o que faz uma administração competente? Sabendo que nos primeiros meses do ano aumenta a incidência de chuvas, toma providências antecipadamente, certo? E o que fez o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassengue?
Em junho de 2009 terminou o contrato com uma empresa que fornecia para a Prefeitura de São Paulo 500 kombis que eram usadas por agentes de zoonoses fiscalizarem as casas em busca de focos do mosquito. Não foi feito novo contrato o que obrigou os agentes a fazerem o trabalho a pé. “Muita casa fica com larvas não detectadas. A cidade está praticamente indefesa diante da dengue”, alertou na época, uma agente ao jornal Folha de S.Paulo.
Em 19 de janeiro de 2010, a Secretaria Municipal de Saúde divulgou relatório apontando que 29 distritos da cidade estavam em estado de alerta por causa do risco de infecção de dengue. Os distritos em estado de alerta são: Anhanguera, Brasilândia, Casa Verde, Freguesia do Ó, Jaçanã, Mandaqui, Santana, São Domingos, Tremembé, Vila Maria, Vila Medeiros (zona norte); Artur Alvim, Carrão, Cidade Líder, Ermelino Matarazzo, Itaquera, Lajeado, São Miguel, Vila Jacuí (zona leste); Campo Grande, Campo Limpo, Capão Redondo, Cidade Ademar, Socorro (zona sul); Alto de Pinheiros, Butantã, Itaim Bibi, Morumbi (zona oeste); Bela Vista (centro). Em todo o Estado de São Paulo o número de casos quadruplicou, de 323 em janeiro de 2009, para 1.383 em janeiro deste ano.
Chuva, calor, indicadores de aumento nos casos de dengue entre 2008 e 2009, e qual é a atitude que o competente Kassengue tomou? Demitiu 439 agentes de zoonose. Segundo a Prefeitura, esses servidores estavam havia nove anos trabalhando de maneira “temporária” e como o contrato terminou não houve demissão. O Aedes aegypti deve ter adorado a notícia.
São Paulo está submersa não apenas pelas águas, mas principalmente pela incompetência de sua administração.
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