quinta-feira, 18 de junho de 2009

Ensaio geral para o recrudescimento

Confira as imagens da desocupação dos sem teto neste vídeo muito caseiro
http://video.yahoo.com/watch/5335107/14063846





Durante todo o dia 16/6, dezenas de viaturas da Polícia Militar acompanhavam caminhões que desalojavam rotos móveis, utensílios domésticos, colchões e pessoas de todas as idades de um prédio do INSS ocupado pelo Movimento Sem Teto. O destino das centenas de pessoas/objeto foi sob a marquise do viaduto 9 de Julho, na rua Álvaro de Carvalho, local onde tentaram improvisar abrigos para se proteger do inverno de São Paulo; naquela madrugada os termômetros atingiram 11º cobrindo com névoa fria o sonho de dezenas de famílias que cometeram o “crime” de tentar morar.
Na manhã seguinte, novamente a PM estava no local para desalojar os desabrigados – algo que parece um paradoxo. Durante todo o dia a PM e a Guarda Civil Metropolitana se postaram no entorno dos abrigos, retiraram algumas pessoas, mas ao cair da noite os cerca de 50 policiais militares, mais quase o mesmo tanto da Guarda Civil, se lançaram contra os sem teto com bombas de efeito moral. Os desabrigados interditaram a avenida 9 de julho, e durante cerca de duas horas procedeu-se à desocupação total do local, enquanto uma barraca dos sem teto pegava fogo sem que um único carro de bombeiro aparecesse, apesar de haver um batalhão do Corpo de Bombeiros há menos de um quilômetro de distância, na rua da Consolação. Eram apenas pertences de miseráveis pegando fogo, nada que um “cidadão de bem” da classe média usasse, não havia, mesmo necessidade de quem apagasse o fogo. Por sorte, acaso ou destino, não houve feridos graves.
Para a parada gay do final de semana anterior, a PM mobilizou 400 policiais para uma multidão estimada em 3,5 milhões de pessoas. Para desocupar 200 sem tetos debaixo de um viaduto, essa mesma PM paulista utilizou 50 policiais, mais o reforço da Guarda Civil. Onde está a lógica da matemática da repressão.

Aviso para 2010
Repressão na favela de Paraisópolis, repressão brutal a estudantes e funcionários da USP, repressão a todo movimento social organizado. Este é o recado que José Serra quer passar para os setores mais conservadores da sociedade: podem ficar tranquilos e financiar minha campanha para presidente, não deixarei os baderneiros tomarem conta das ruas.
A lógica é bastante clara. Se eleito presidente, Serra tentará desconstruir os programas sociais e a – ainda pouca, mas constante – participação dos segmentos sociais na formulação de políticas de governo e sabe que enfrentará resistência por parte do movimento sindical e popular. O recrudescimento da atitude da polícia paulista – e paulistana – contra os movimentos sociais tem o nítido sentido de sinalizar que na Presidência, o PSDB vai baixar porrada nos movimentos de resistência, enquanto a fina flor do conservadorismo degusta alegremente seu uísque doze anos.
É necessário organizar uma firme resistência desde já, pois mais repressão se verá até 2010.

Um comentário:

Helô disse...

Depois de anos no movimento, foi a primeira vez que vi um despejo de de famílias que já estão despejadas. O cenário era de guerra, revoltante!
Revoltante pq são trabalhadores, mulheres com crainças, idosos, famílias inteiras, correndo pelas ruas como se fossem bandidos e sendo tratados como bandidos. Não há outra forma de descrever a ação do Estado, da Polícia, GCM, ou seja lá quem mais estava nos atacando, foi uma ação IMORAL. Imoral pq defendem um prédio abandonado, mas não defendem a vida das pessoas que ali moravam. Defendem a via pública, mas não defendem quem sob o viaduto mora.
O que eles não sabiam é que queimaram tudo, mas não nos queimaram, não queimaram a nossa luta, não queimaram a nossa força, não queimaram a nossa sede por justiça, sede por JUSTIÇA SOCIAL.
E é por isso que após a violência sofrida, após o confronto ocorrido, as famílias voltaram e continuam morando sob o viaduto, por que não queimaram a nossa carência habitacional.

Helô - FLM ( Frente De Luta por Moradia)