sexta-feira, 3 de outubro de 2008

O Conar e a pamonha de Piracicaba


O Conar, como se sabe, é uma ONG mantida por empresas de propaganda que visa fiscalizar a “ética” na propaganda (apesar de ética e propaganda serem, por princípio, termos opostos). Mas vai lá.
Algumas coisas da propaganda, no entanto, parecem passar despercebidas pelo Conar e pelos legisladores do Congresso que atuam nessa área. Quando uma peça publicitária, travestida de notícia, é veiculada em uma mídia impressa, obrigatoriamente ela precisa vir com a informação no alto da página de tratar-se de informe publicitário. Justo. Isso vale para a mídia impressa, mas não para a eletrônica. Durante uma novela, de qualquer emissora, principalmente da plim-plim, somos bombardeados com atores-personagens fazendo propaganda de banco (que para eles nunca têm fila), de loja de móveis, de SPA, de concessionária de automóveis, de revendedora de motos, de pacotes turísticos e o escambau, pagou, tem “artista” contente a se meter a ficar falando e falando bem do produto ou banco. Em que lugar da telinha aparece que aquilo que estão fazendo não é parte da “trama” da novela e sim propaganda? E aí, Conar?
Como quase nunca assisto novela, essa é uma implicância genérica, porque não chega a me afetar individualmente – apesar de me ofender como cidadão. O que me enche realmente o saco são os carros de som que passeiam pela cidade anunciando aos berros de tudo um tanto.
Um dos princípios da publicidade é oferecer ao consumidor a possibilidade de ele se negar a ver, ler ou ouvir a peça proposta. Posso pular uma página de revista ou jornal, mudar de canal ou de estação de rádio, mas a não ser que eu carregue comigo um eficiente fone de ouvido, não posso deixar de ouvir um carro com alto-falante chiado, música geralmente insuportável e anunciando a última grande oferta, o imperdível show, o melhor candidato ou as deliciosas pamonhas de Piracicaba. Por que, Conar e legisladores, sou obrigado a ouvir que devo comprar algo que não quero nem ouvir sequer adquirir?
Tiraram os outdoors da cidade, é hora de tirar os carros de som de propaganda das ruas.

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