segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Brasil, chega de burrice, o petróleo é do povo

Durante evento realizado no Pará, dia 14, o presidente Lula disse que "Deus deu a camada pré-sal para o Brasil não fazer mais burrice" e de que o país tem uma dívida histórica com a educação e precisa usar os recursos que virão da descoberta para investir na melhoria da qualidade de ensino.
Apesar dessa positiva constatação, o governo ainda pouco se mexeu para mudar a lei de petróleo, herança maldita de FHC, que há mais de 10 anos sangra as veias negras do país bombeando lucros para empresas transnacionais. É necessário que o governo tenha coragem de dizer claramente à sociedade o que pretende fazer com a camada de pré-sal; que tenha a visão estadista de suspender os leilões de petróleo e apresentar um novo marco regulatório para o setor, discutido democraticamente com todos os setores da sociedade, entre eles o movimento sindical e as forças populares.
Fim da ANP
Nos dez anos de desregulamentação da exploração do petróleo, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) se tornou um balcão de negócios para as transnacionais.
Uma das denúncias mais sérias envolve a estadunidense Halliburton, empresa que já foi presidida por Dick Cheney, vice-presidente dos EUA, e esteve envolvida em diversos contratos fraudulentos na guerra do Iraque. A dita foi protagonista do episódio do roubo de laptops da Petrobrás com informações confidenciais.
Essa empresa, segundo denúncias de várias fontes, controla o Banco de Dados da Exploração do Petróleo (BDEP), da Agência Nacional do Petróleo, ou seja, simplesmente o mapa da mina. Faça um pequeno teste: entre no sítio da empresa (www.halliburton.com), na caixa de pesquisa, no alto da página digite "ANP", logo aparecerá um link para uma matéria que dá uma pequena mostra dos dados que a empresa tem acesso.
Um novo marco regulatório para o petróleo implica, necessariamente, no fim da ANP, e no reconhecimento da soberania do Estado sobre a exploração, produção e comercialização do ouro negro que corre abundante por toda a costa brasileira.
Não enfrentar esse desafio é comprometer as gerações futuras. A disputa por recursos energéticos foi a maior fonte de guerras no século XX e continuará a ser, ainda mais, o centro das disputas deste século.
O discurso do presidente Lula serve para ele mesmo, como chefe da nação: companheiro Lula, não faça a burrice de ceder a interesses menores; escreva seu nome como grande estadista e faça, de uma vez por todas, o petróleo se tornar dos brasileiros.

Um comentário:

Susana Serrão disse...

Muitíssimo bem escrito: parabéns!
Seria muito bom que, depois desta declaração do nosso presidente, não houvesse retorno à inércia.