terça-feira, 15 de abril de 2008

2/3 da Comissão de Minas e Energia recebeu doação do setor

Por Erich Decat
A maioria dos novos integrantes da Comissão de Minas e Energia (CME) da Câmara, que assumiu como o colegiado em março, teve parte da campanha eleitoral paga por empresas do setor. Dos 30 titulares que compõem a CME, 20 deputados receberam cerca de R$ 3,5 milhões em doações nas últimas eleições. Entre os beneficiados, estão o presidente da comissão, Luiz Fernando Faria (PP-MG), e a vice-presidente, Rose de Freitas (PMDB-ES).
Cada um recebeu, respectivamente, R$ 355 mil e R$ 130 mil. Para o cientista político Leonardo Barreto, da Universidade de Brasília (UnB), a ligação entre empresas e parlamentares que atuam nas comissões da Casa é um fato “corriqueiro”, que iguala as votações a um "jogo de cartas marcadas".
Entre as doadoras, estão 49 empresas que atuam no setor de distribuição de derivados de petróleo, de instalação de gás, de fundição, de administração de usinas elétricas, de siderurgia, de destilação de combustíveis e de criação de linhas de energia.
A CME atua na realização de políticas e modelos para o setor mineral e energético brasileiro. Trata da busca de fontes convencionais e alternativas de energia, de pesquisa e exploração de recursos energéticos, da política e estrutura de preços, da comercialização e industrialização de minérios, e do regime jurídico do setor.
As empresas ligadas à mineração são as maiores financiadoras das campanhas dos parlamentares da comissão, tendo desembolsado cerca de R$ 2,9 milhões nas eleições passadas, ou cerca de 80% do total. As empresas de energia doaram os outros 20%.
Do montante doado pela mineração, os governistas receberam R$ 1,8 milhão; já os parlamentares da oposição ficaram com R$ 1,1 milhão.
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