quarta-feira, 5 de março de 2008

O estranho mundo de Brasília

Não sei se devido ao ar seco ou à secura das mentes, Brasília se torna palco fértil para situações cada vez mais inusitadas, mesmo assim não menos coerentes com a história da vida pólítica do país, movida muito mais por interesses cartoriais - desde antes da existência dos cartórios - do que por posições políticas ou ideológicas.
Vejam dois exemplos recentes:
1) O deputado federal Pompeo de Mattos (PDT-RS) tornou-se presidente da Comissão de Direitos Humanos. Relator do Estatuto de Desarmamento, Pompeo integrou a chamada "bancada da bala", aquela que defende o uso de armas por qualquer sujeito. Mais recentemente defendeu a derrubada da proibição de vendas de bebida alcoólica nas estradas e publicou em seu blog um artigo que é hilário a partir do título "bebida não mata, o bêbado sim". De cabo a rabo, Pompeo se mostra um reacionário de carteirinha, mas seu partido, o PDT, que um dia teve alguma relevância política, o indica para a Comissão de Direitos Humanos.
2) O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, defendeu a privatização do Banco do Brasil e da CEF. Até aí nenhuma incoerência para esse ex-executivo do Banco Santander e um dos responsáveis pela degola dos trabalhadores do Banespa após a privatização do banco paulista. A estranheza, aqui, fica para o governo, que mantém em uma de seus principais ministérios, um representante dos banqueiros que defende propostas antagônicas à política de desenvolvimento do país.
A única postura séria que se espera do governo é pedir o cargo de Miguel Jorge e entregar a quem tenha compromisso com o Brasil, não com bancos estrangeiros.
Postar um comentário