sábado, 29 de março de 2008

Cesp: a guerra contra a privatização não acabou

Na manhã do dia 26, dezenas de manifestantes se reuniram no centro da capital paulista para comemorar o fiasco da tentativa de privatização da Cesp, a terceira maior geradora de energia do país.
Oferecida pelo governo tucano de José Serra por R$ 6,6 bilhões, o leilão de privatização não encontrou eco na iniciativa privada, que boicotou a venda à espera de que o preço abaixe. Afinal, se os emplumados deram a Vale do Rio Doce por R$ 3,3 bi, seria de se esperar mamata proporcionalmente idêntica. O governo Zé Serra não pôde fazer isso por estar premido por questões políticas – leia-se, a sua candidatura à presidência em 2010.
Como explicação para o fracasso, citou a crise financeira internacional, que faz com que os bancos sejam mais cautelosos nos empréstimos de vulto, e a possibilidade do fim da concessão das hidrelétricas de Ilha Solteira e Jupiá (no rio Paraná). Juntas, as duas hidrelétricas federais são responsáveis por 2/3 da produção de energia da Cesp.
Ambos motivos pesaram na balança, e também a pressão de parlamentares da Assembléia Legislativa, do sindicato da categoria, da CUT e de entidades da sociedade civil que entendem que setores estratégicos, como a geração e comercialização de energia, não podem ser reféns da lógica do lucro do mercado e da desregulamentação do Estado. São setores que devem estar a serviço da estratégia de desenvolvimento do país.
Para Antonio Carlos Spis, dirigente do Sindicato dos Petroleiros Unificado de São Paulo e membro da executiva nacional da CUT, apesar da vitória momentânea dos movimentos sociais, é necessário não baixar a guarda. "Todos estão de parabéns porque se constituiu um fórum acima das divergências dos sindicatos e dos partidos. Apesar da vitória pela não realização do leilão da Cesp, é preciso ficar alerta porque temos um judiciário corrupto e, por natureza, os partidos de direita, principalmente o PSDB, são entreguistas do patrimônio público. O desafio agora é sensibilizar a sociedade, que já demonstrou ser contra as privatizações. A nossa luta não pode se prender à não privatização da Cesp, mas também deve abraçar a luta pelo cancelamento do leilão da Vale do Rio Doce e contra os leilões do petróleo", destacou o dirigente no ato promovido pelos movimentos sociais em São Paulo.
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