quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Davos sob o signo da crise




Como ocorre todos os anos, líderes das principais nações se encontraram em Davos (Suíça) para mais uma edição do Fórum Econômico Mundial, que historicamente debate caminhos para a economia mundial, sob a ótica do neoliberalismo e do conservadorismo dos grandes países desenvolvidos, principalmente os Estados Unidos.
Em anos anteriores, quando algum país terceiromundista ou emergente (termo mais simpático, mas que significa, na prática, exatamente a mesma coisa) enfrentava uma crise – México, em 1995, tigres asiáticos em 1997, Rússia e Brasil (1998) e, mais recentemente, a Argentina – era motivo de caudalosos sermões como pais raivosos fazem com filhos que gazeteiam aulas.
Nesta edição do FEM quem esteve sob a mira foi a crise dos Estados Unidos. A tônica dos discursos tentou compreender as causas e, principalmente, a dimensão da crise que abala a bolsa de Nova Iorque e tem reflexos em todo o planeta.
Nenhum analista tem essa resposta; o banco central dos EUA baixou os juros para tentar acalmar os mercados, mas pouco adiantou. A mais poderosa nação do planeta, a maior poluidora mundial, um dos impérios mais sanguinários da história enfrenta uma crise profunda e não tem a mínima idéia de como sair do buraco. Os pitos tradicionalmente destinados a outros países não fazem eco nos ouvidos moucos de Bush e sua gangue.


Blindagem brasileira
Para cada país, individualmente, a grande questão é como se proteger da dor de barriga do tio Sam. No caso do Brasil, especificamente, um dos caminhos é incentivar cada vez no consumo interno, o fortalecimento de suas indústrias, em especial nas áreas estratégicas, como energia, desenvolver a agricultura familiar e promover uma profunda reforma agrária.
Com um mercado interno forte e as bases da economia fincadas, o Brasil passará pela crise do Império com danos mínimos. A histórica dependência aos mercados internacionais – aprofundada no período FHC e que deu origem à crise brasileira de 1998 – deve ser gradualmente substituída pela autonomia.
A atual recessão dos Estados Unidos não significa uma pá de cal no império, longe disso, mas também não é apenas um resfriado de verão; ela vem se esboçando há décadas, e, mais recentemente, se aprofundou com a crise do mercado imobiliário norte-americano, com os expressivos gastos de guerra do governo Bush e com a fragilidade energética estadunidense. Ingredientes que fazem ferver o caldeirão.
O Brasil deve aproveitar esse momento para blindar internamente sua economia (e evitar efeitos nocivos na sociedade) e, se possível, ganhar posições no cenário internacional. A recessão dos EUA afeta todo o planeta, mas como em qualquer crise, uns perdem e outros ganham.
O movimento sindical, por sua vez, não aceitará que, em nome de qualquer crise, venha a se propor a retirada de direitos dos trabalhadores, aumento do desemprego, dos juros e de outras medidas que sempre brilham nas cabeças dos conservadores.
O Fórum Social Mundial, que este ano tem manifestações espalhadas por mais de 70 países, aponta caminhos alternativos à dominação imperialista. Muitas das práticas e idéias apresentadas no FSM servem de inspiração para governos democráticos de esquerda na América Latina, ajudam esses países a se desenvolver de maneira mais autônoma e a enfrentar a crise estadunidense sem grandes abalos.


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