terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Eleições no PT: Jilmar é melhor nesse momento


Certa vez comentei em tom de brincaderia com Ricardo Berzoini, quando ele pertencia à mesma corrente de Jilmar Tatto, que quem cria cobra não pode reclamar se for mordido depois. Não disse como ofensa a Tatto, mas para sublinhar que cada um tinha um projeto político independente. Berzoini tem o costume de não ouvir ninguém além de si mesmo, e foi o que aconteceu.

A escolha do próximo presidente do PT será em segundo turno, dia 16, entre Berzoini e Tatto, ambos deputados federais e, agora, em lados opostos e cada um querendo dar sua mordida. A disputa ainda contou com o também deputado José Eduardo Cardozo.

Jilmar ganhou de Berzoini no principal reduto petista, o Estado de São Paulo, e isso foi mais do que o suficiente para tirar o sono do atual presidente da legenda. Berzoini sabe que em um colégio eleitoral politizado como o dos filiados do PT, e com acordos políticos já bem estruturados, sobra pouco espaço (e tempo) para articulações.

Jilmar obteve cerca de 21% dos votos em nível nacional; Berzoini cerca de 44% e Cardozo abocanhou quase 19%, resultado que pode tornar seu grupo político - "Mensagem ao Partido" - o fiel da balança dessa eleição. A "Articulação de Esquerda", de Valter Pomar, obteve pouco mais de 10% dos votos, mas não deve se aliar à corrente de Berzoini.


Jilmar é o melhor para o PT agora

Particularmente, acho que será bom para o partido a vitória de Jilmar Tatto. Berzoini pegou o partido em seu momento mais delicado, conseguiu conduzir a legenda em meio à crise, mas sua gestão foi bastante criticada, principalmente após o episódio destrambelhado da tentativa de compra de um dossiê. Do ponto de vista da política, no entanto, não é isso que importa nesse momento, não se trata de julgar o passado, mas olhar para o que o futuro reserva.

A permanência do grupo de Berzoini no comando da sigla significa a manutenção da subserviência acrítica do PT ao governo federal e da priorização de acordos e negociações nas esferas de Brasília em detrimento do fortalecimento das bases partidárias, cada vez mais alijadas dos processos decisórios.

Nas próximas eleições o PT não vai contar, pela primeira vez na história do partido, com a candidatura Lula à presidência, e atualmente não há nome algum que se destaque como alternativa ao atual presidente da República. Sem a "cabeça", o PT vai precisar muito de suas "pernas", os milhões de filiados que se mostram cada vez menos dispostos a fazer campanha pelo prazer da militância.

Tatto não faz oposição ao governo, pelo contrário, suas críticas são focadas no modelo de partido que vem sendo desenhando e será positivo para o PT encarar essa questão de frente e com coragem. Tenho respeito pelo Berzoini, já fiz campanha para ele, mas seu projeto, neste momento, nada acrescenta para o PT nem responde aos desafios que estão por vir, e não serão poucos.


Um comentário:

Susana Serrão disse...

Parabéns, a matéria está muito bem escrita e as opiniões expressas de forma equilibrada, como de hábito.
Certamente é desejo de todos - filiados ao PT, ou não - que a futura "cabeça" esteja em sintonia com um corpo saudável e bem disposto. Como você apontou: há desafios a vencer.