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terça-feira, 24 de abril de 2018

A HISTÓRIA DE UMA FOTO HISTÓRICA

Lula beija a cédula de votação, em 1989, no segundo turno da eleição presidencial - foto de Cibele Aragão

Em sua primeira disputa à Presidência da República, em 1989, Lula foi ao segundo turno contra Fernando Collor, que acabaria vencendo a disputa.

No dia da votação havia uma dúvida sobre onde Lula iria votar – como candidato poderia escolher qualquer colégio eleitoral. Naquele dia, o então candidato do PT abriu a sua casa em São Bernardo para um café da manhã com a imprensa, conversou descontraidamente e saiu para votar. A multidão de repórteres, fotógrafos e cinegrafistas o seguiram em uma caravana que lembrava um bando de paparazzi ao redor de algum astro de cinema.

Eu não tinha carro. Fiquei para trás, mas por sorte (mais imprudência do que sorte) parei uma moto e pedi para me levar até o colégio onde Lula votaria. O cara fez uma cara de incredulidade, mas aceitou o pouco dinheiro que tinha.

O “primeiro mototáxi de São Bernardo” era habilidoso e consegui chegar lá primeiro do que muitos outros colegas, que ainda procuravam lugar para estacionar.

A multidão já se formava na porta da sala onde aguardavam Lula. Ele entrou e a multidão de fotógrafos tentou entrar atrás. Vi fotógrafa Cibele Aragão no emaranhado e a puxei para dentro enquanto me acotovelava com um cinegrafista da Rede Globo que insistia em dizer “primeiro a televisão”. Claro que ninguém deu bola para ele.

Lula votou, posou para as fotos colocando o voto na urna (ainda não eletrônica), beijou a cédula, depositando ali, mais do que um voto, depositou ali o voto de confiança na democracia – hoje tão abalada pelo golpe.

Lembrei dessa história remexendo no baú de fotos antigas. Encontrei as que tirei dele naquela sala lotada, em 15 de novembro de 1989. Encontrei, também, duas da Cibele, que reproduzo aqui.

Salve, Lula, guerreiro da democracia!  

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Sobre Lula, muletas e truculência...



Lula na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, dia 5.abr.2018. Foto Norian Segatto

Davi Macedo, jornalista do Sindicato dos Petroleiros do PR-SC, mesmo sob restrição médica, foi à Superintendência da PF em Curitiba para acompanhar o ato da prisão de Lula. Aqui ele conta, de maneira direta, sua dupla dor: uma fratura no pé esquerdo e a dor de ver o mais popular líder do país preso injustamente. 

sexta-feira, 6 de abril de 2018

quinta-feira, 11 de maio de 2017

EM DISCURSO EM CURITIBA, LULA ATACA MÍDIA GOLPISTA E LANÇA CANDIDATURA



Fotos e texto: Norian Segatto


Olhos marejados. Esta era uma cena comum entre as cerca de 50 mil pessoas ao final do ato em Curitiba (10.maio.2017) que acompanhou o depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao juiz Sérgio Moro. 

No depoimento, que durou quatro horas, Lula afirmou sentir orgulho da Petrobrás, de ter colocado a empresa entre as maiores do mundo após a descoberta do pré-sal, e atacou a mídia pelo "massacre" que tenta fazer com sua reputação e sua herança política. "Apenas no Jornal Nacional nos últimos 12 meses foram 18 horas de matérias contra o Lula. isso dá 12 partidas entre o Barcelona e o Real Madri", afirmou o ex-presidente, sempre se dirigindo a si próprio em terceira pessoa. 

quarta-feira, 26 de abril de 2017

HOMEM NÃO CHORA





O ano era 1983, julho, o Brasil afundava em uma de suas maiores crises com inflação anual de mais de 100%, ditadura militar ainda intacta, modelo econômico ditado pelo FMI. No primeiro semestre daquele ano, vários projetos propondo arrocho salarial foram enviados ao Congresso, que os iria aprovar sem contestação.
Os movimentos populares e, principalmente, o movimento sindical, vivia uma fase de ascensão, mas não haviam estruturas verticalizadas como federações e centrais sindicais. Seu embrião era a Comissão Nacional Pró-CUT.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A LENDA DO ANGORÁ, O SAPO BARBUDO E O PIG






Em uma distante terra tropical, um grupo de tubarões que se alimentava de petróleo e outros derivativos, por lá chamados de commodities, se uniu a vários bichos – alguns muito rasteiros – para derrubar do poder a rainha vermelha, que comandava com serenidade aquele país.  
Os tubarões, que se tinham na avenida Paulista seu imponente quartel general, chamaram o PIG, uma espécie de bruxo, com poder de influenciar as mentes menos preparadas, e o Simulacro Tribunal de Farsa, uma poderosa instituição comandada por urubus togados. Assim, PIG, tubarões e Tribunal de Farsa, juntaram forças para derrubar a Rainha.   
A Rainha Vermelha contava com o apoio de grande parte da população, mas essa estava confusa com tantas magias que o PIG diariamente lançava sobre suas cabeças. O povo passou a ter mais escola, mais emprego, mais dinheiro, mas o PIG dizia que tudo aquilo era mentira e o povo, confuso, não sabia mais em que acreditar.
A Rainha, então, convocou um de seus guerreiros, o Sapo Barbudo, para lhe ajudar. “Vou te condecorar ministro da Casa Civil”, disse ela a seu mais valoroso súdito.
Temendo o poder do Sapo, o PIG lançou todas as suas magias para nublar a cabeça do povo e deixar o caminho livre para o Tribunal de Farsa não permitir a nomeação do Sapo.
Um dos braços do PIG (sim ele tinha muitos braços), um tal “Estadão” assim lançou sua malevolência no dia 16 de abril de 2016, em um troço chamado “editorial”

terça-feira, 7 de junho de 2016

LULA EM ATO NO RIO: SÓ O ESTADO PODE TRAZER JUSTIÇA SOCIAL


Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil


Por Igo Carvalho - portal CUT
Na noite dessa segunda-feira (6), o palco da Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, recebeu lideranças de movimentos sociais e sindicais para o lançamento da campanha “Se é público, é para todos”, do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, que conta com diversas entidades, entre elas a CUT.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

LULA DEVE APRESENTAR LISTA DE DEPUTADOS CONTRA O GOLPE

Lula durante Plenária da FUP, em 2015. Foto Norian Segatto



É esperado que o ex-presidente e quase ministro, Lula, apresente ainda hoje uma lista de 183 deputados e 30 senadores que se declaram contra o golpe. O governo precisa de, pelo menos, 178 votos na Câmara contra o impeachment para barrar o processo.

Ações no STF

A Advocacia Geral da União entrou com ação nesta quinta (14.abr.2016) no Supremo Tribunal Federal (STF) para barrar o processo de impeachment no Congresso. 

O Supremo se reúne nesta tarde para avaliar este e mais quatro ações que questionam o relatório do deputado Jovair Arantes, aprovado na Comissão Especial de Impeachment esta semana.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Frente Brasil Popular convoca ato nesta sexta em frente ao TJ e mantém ato do dia 18

Após o pedido de prisão preventiva feito contra Lula pelo MP Paulista, A Frente Brasil Popular se reuniu hoje à noite na sede da Apeoesp e programou uma manifestação/vigília amanhã em frente ao Tribunal de Justiça, na Praça da Sé, a partir das 11h. Quem puder comparecer é importante mostrar a indignação perante mais este ato político do Ministério Público, que está sendo usado para promover o impeachment da presidente Dilma, criminalização dos movimentos sociais, derrubada de direitos trabalhistas e civis e retrocesso democrático e institucional.
Está mantido o ato do dia 18 na Avenida Paulista, mas a FBP alerta que o momento é de se manter em permanente mobilização diante de novos fatos que poderão ocorrer nos próximos dias.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Democracia se defende nas ruas



O Brasil viveu, na sexta-feira, um momento histórico, comparado aos grandes acontecimentos que ditam os rumos do país. De maneira coercitiva, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi levado de sua casa para depor na Polícia Federal. A justificativa foi a mais estapafúrdia possível: os agentes alegaram que o uso dessa truculência seria necessária para evitar “tumultos”, por parte dos que defendem e dos que atacam o ex-presidente.
No entanto, os mesmos agentes não souberam explicar por que a notícia da operação já se encontrava nas mãos da grande mídia, em mais um vazamento orquestrado.
Ficou para todos a sensação de que tal operação não passou de mais um lance de efeito da Operação Lava Jato, com o intuito de constranger Lula e criar um clima de que o ex-presidente poderá ser preso a qualquer momento.

O que está por trás de toda essa operação?
Que fique bem claro a quem ainda não entendeu: não se trata de uma luta entre honestos e corruptos, bons e maus, o que assistimos é a revolta de uma elite, que utiliza de todos os seus mecanismos – legislativo, judiciário, mídia e partidos – para derrubar um governo eleito legitimamente, mas que não consegue ter força política para combater o ataque.

Sem maioria no Congresso, com muitos problemas de articulação política e enfrentando grave crise econômica, o governo Dilma Rousseff se tornou um refém dos interesses de opositores e “aliados”.

O objetivo não é “apenas” tirar o mandato de Dilma Rousseff, o que a elite brasileira protagoniza é um dos mais acintosos ataques às conquistas da classe trabalhadora.

A partir das chamadas “pautas bomba”, a Câmara, capitaneada pelo agora réu por corrupção Eduardo Cunha (PMDB-RJ), promove dia após dia a desconstrução do estado democrático e soberano.

Há mais de 1.800 projetos versando sobre questões de mulheres, mas nenhum entra em votação se contiver o termo “gênero”. Direitos civis estão paulatinamente retrocedendo, direitos trabalhistas estão sendo vilipendiados, como no caso do projeto que escancarou as terceirizações – e que muito em breve a classe trabalhadora irá sentir os efeitos.

Com a “cortina de fumaça” de criar uma legislação antiterrorismo, a Câmara discute projetos que criminalizam os movimentos sociais.

No Senado, na mesma toada, apenas na semana passada estava em pauta o PLS 131, que abre para multinacionais a operação dos campos de pré-sal e PLS 555, que torna todas as empresas públicas em sociedades anônimas, decretando, praticamente, a privatização de todo o Estado brasileiro.

Reduzir direitos civis para agradar bancadas evangélicas e conservadoras, reduzir direitos trabalhistas para iniciar um novo ciclo de acumulação de capital financeiro, reduzir direitos sociais e criminalizar movimentos para não ter resistência, e, acima de tudo, acabar com a consciência da necessidade de transformação social, para que a governança de esquerda leve mais um século para novamente assumir outro governo, esse é o projeto que está em curso.

Essa elite não consegue conceber que Lula ou outro representante das forças populares seja novamente eleito, porque cada avanço social é um sinal de alerta contra os privilégios de uma minoria que ainda sobrevive agarrada a preconceitos.

Somos a favor de que todas suspeitas de corrupção sejam apuradas e seus culpados penalizados de acordo com a lei, mas não é isso que ocorre hoje no país.

O judiciário e a mídia escolheram seus alvos, e atuam juntos para atingir seus objetivos. A mesma Operação Lava Jato tem em seu poder denúncias envolvendo graduados políticos da oposição, como o senador Aécio Neves (PSB-MG); pesa contra o ex-presidente Fernando Henrique sérias acusações de corrupção, mas nem mídia, nem judiciário estão interessados em investigar e trazer à luz essas denúncias.

Contra esse sombrio cenário, a Frente Brasil Popular, que congrega dezenas de entidades sindicais e sociais, convocou para o dia 18 uma grande manifestação nacional. Em São Paulo ela irá ocorrer na Avenida Paulista.

Pela velocidade que o golpe assumiu, talvez seja até uma data longínqua, mas essa é e será uma luta permanente. Vamos às rua não para defender um governo, não para defender uma pessoa, mas para defender direitos conquistados (que estão sendo arrancados da população sem ela perceber) e a democracia, palavra tão vital e neste momento tão frágil.

domingo, 6 de março de 2016

BULIRAM COM A JARARACA

“Tentaram dar uma paulada na cabeça da jararaca, mas acertaram no rabo, agora é a nossa vez de ir pra cima deles”, disse Lula na entrevista coletiva que concedeu após sua condução coercitiva à Polícia Federal para prestar depoimento.
Desde as primeiras horas era grande a movimentação em todo o país por conta da notícia (da qual a mídia já tinha conhecimento desde horas antes) da operação que visou a intimidar o ex-presidente da República e acuar ainda mais o governo Dilma. Em Brasília, a oposição dizia abertamente em travar a pauta do Congresso até a votação do impeachment da presidente.
Militantes sindicais e de organizações sociais foram até o aeroporto de Congonhas (onde Lula prestava depoimento) protestar contra a atitude arbitrária e coercitiva da Polícia Federal. “Não precisava nada disso, já fui depor três vezes este ano, era só o juiz Moro enviar o pedido”, afirmou Lula após o depoimento, se dizendo extremamente constrangido com a violência sofrida.

Quadra lotada
A quadra dos bancários é um tradicional ponto de encontro e manifestações políticas, mas há muito tempo não se via tão cheia. O Detran e a PM fecharam a rua para acesso a carros, pois não havia lugar internamente para o número de pessoas que foram chegando, com faixas, bandeiras e indignação estampada no peito.
A ideia inicial da FPB era sair da quadra em passeata pelo centro da cidade, mas a confirmação da presença de Lula ao evento, fez todos aguardarem até às 20h. Por quase duas horas, o ex-presidente fez um discurso emocionado, em que relembrou sua trajetória e seus feitos em oito anos de mandato. “A elite queria que eu fracassasse, mas não fracassei porque ali (no Palácio do Planalto) eu era vocês, era o povo e é isso que a elite não engole. Ela não admite que um trabalhador, torneiro mecânico, semianalfabeto possa ter conseguido ser o melhor presidente que este país já teve, que um trabalhador tenha sido reconhecido como a maior liderança mundial do início do século 21”, afirmou.
Ao final, Lula lançou seu nome à candidatura em 2018. Eu estava quieto no meu canto, já pensando em me aposentar da política, mas mexeram comigo, com minha família, com minha esposa Marisa. Estou à disposição para correr este país e animar nossa militância, vamos para as ruas. Estou com 70 anos, mas com tesão de 30 para mais esta luta”.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Lula e o vestibular para secretário geral da ONU

As negociações protagonizadas por Brasil e Turquia sobre o explosivo – literalmente - tema do enriquecimento de urânio pelo Irã foi um teste vestibular para as pretensões do presidente Lula de assumir a secretaria geral da ONU após o fim de seu mandato – e, de quebra, um prêmio Nobel da Paz. Se vai conseguir sucesso nessa empreitada é outra história, mas Lula passou com méritos no teste, conduziu as negociações com serenidade e enfrentou a desconfiança e o desprezo de Hillary Clinton, secretária de Estado do império.
As negociações abriram caminho para se evitar sanções e uma nova guerra na conturbada região. No Irã, a notícia foi festejada. O analista iraniano, Mohammad Marandi, da Universidade de Teerã, disse à BBC Brasil que o acordo foi uma vitória da diplomacia brasileira e uma resposta aos Estados Unidos.
Em clima de eleições, a oposição brasileira irá tentar minimizar a tacada diplomática de Lula. O principal argumento já foi dado por Washington: o Irã, e seu presidente Mahmoud Ahmadinejad não são confiáveis; assim, Lula teria sido inocente. O destino dos acordos cabe à história, muitos não foram cumpridos. Abro um parênteses para lembrar que neste maio completa 15 anos da greve dos petroleiros de 1995, que ocupou todas as manchetes de jornais por 32 dias. O motivo da maior greve petroleira da história do Brasil foi o fato de Fernando Henrique ter descumprido acordo assinado por seu antecessor, Itamar Franco.
Bem, voltando ao caso Irã. Mesmo que o acordo não vingue integralmente, Lula marcou uma cesta de três pontos. Primeiro: colocou o Brasil no centro da geopolítica mundial, coisa que professor algum da Sorbone jamais chegou perto. Segundo: sedimentou mais um passo de sua biografia como estadista e líder mundial. Terceiro: não tenham dúvida de que este acordo irá propocionar bons negócios econômicos para o país.
O curioso da biografia de Lula é que aquilo que a elite brasileira mais se utilizava para atacá-lo, não ter cultura, não ter faculdade, não falar inglês, sequer todos os dedos ter, são os atributos que lhe conferem a credibilidade internacional. Seus “defeitos” são seus maiores cacifes políticos.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Fórum Social Mundial: Mudamos a relação do Estado com os movimentos sociais, afirma Lula


Lula faz balanço de seu mandato, pede solidariedade ao Haiti e diz que Davos não tem o glamour que o sistema financeiro achava ter

(Norian Segatto, desde Porto Alegre) O segundo dia do 10 Fórum Social Mundial foi marcado pela presença do presidente Lula, que discursou por 56 minutos para uma plateia de aproximadamente 3 mil pessoas, que lotava o Gigantinho, estádio do Internacional.
Representando o movimento sindical, o presidente da CUT Nacional, Artur Henrique, iniciou sua fala lembrando que em seus 10 anos, o Fórum conseguiu unir a diversidade de pensamento em torno de bandeiras comuns, como a luta contra a Alca e o FMI. Artur destacou, também, a importância da eleição de Lula no cenário da América Latina, afirmando que ela “evitou o golpe na Venezuela e abriu caminho para outros governos democráticos na América Latina”. Referindo-se à crise, o presidente da Central alertou que ela não terminou e que é necessário aprofundar as mudanças no Brasil, citando como exemplo a luta das centrais pela redução da jornada de trabalho. “Temos o desafio de construir um modelo de desenvolvimento ambientalmente sustentável e mudar o modo de produção e consumo, para isso temos de impedir o retrocesso e avançar na construção da unidade dos movimentos sociais rumo ao socialismo”, finalizou Artur Henrique.
A segunda oradora da noite, a ativista uruguaia e ex-presa política, Lilian Celiberti, afirmou ter uma relação intensa com Porto Alegre, cidade em que ocorreu seu sequestro, em 1978, pelas forças de repressão da ditadura, na chamada Operação Condor, cidade, também, que hospedou a primeira edição do Fórum Social Mundial. Lilian fez um apelo para a importância da luta contra a criminalização dos movimentos sociais, em referência ao atual debate sobre direitos humanos e instalação da Comissão da Verdade. “Um torturador não pode ser visto da mesma forma de quem lutou pela liberdade e democracia”, afirmou, arrancando aplausos do público.
Sob gritos de “Lula, guerreiro do povo brasileiro”, o presidente da República afirmou que o Fórum Social está “mais maduro” do que em 2003, quando participou pela primeira vez como presidente do Brasil. “Naquela ocasião, como agora, vim para Fórum Social e vou para Davos (no Fórum Econômico Mundial), mas lá, não existe o glamour que o sistema financeiro internacional achava que tinha, porque foi esse sistema o responsável pela maior crise mundial dos últimos tempos”, afirmou.
Ao fazer um balanço de seus dois mandatos, Lula disse “haver uma diferença fundamental entre o que se sonha a vida inteira em fazer e o que consegue realizar quando está no governo”, mesmo assim, considerou que o grande mérito de seus governos foi mudar a forma como o estado se relaciona com os movimentos sociais. Para provar, citou a realização de 60 conferências dos mais diversos ramos, a abertura do Palácio da Alvorada para receber líderes sem terra, deficientes visuais, portadores de hanseníase, entre outros. “Pela primeira vez esses segmentos sociais tiveram acesso às dependências do Palácio e puderam levar suas reivindicações a um presidente da República”.
Sem perder a chance de cutucar seus antecessores, Lula afirmou que quando participou de Davos pela primeira vez, em 2003, o mundo olhava para ele com desconfiança e descrença de que alguém sem instrução formal pudesse governar um país como o Brasil. “Mas foi um torneiro mecânico quem mais fez universidades neste país”, e completou: “de 1909 a 2003 foram feitas 109 escolas técnicas, em oito anos de mandato vamos entregar 214 escolas”.
Lula ainda citou as dificuldades do encontro de Copenhague (ocorrido no final de 2009) de se chegar a um acordo sobre as emissões de CO2. “Os Estados Unidos e a Europa queriam jogar a responsabilidade sobre a China, ora um país que polui o planeta a 200 anos tem que ter uma responsabilidade maior do que quem poluiu a dois, a dez anos”, afirmou o presidente, destacando que “cada país que trate de limpar a sua sujeira, o Brasil está fazendo a sua parte”.
Ao se referir ao Haiti, o presidente defendeu a presença das tropas brasileiras naquele país, mas não polemizou sobre a ostensiva presença de militares dos Estados Unidos, destacando, apenas a tese da soberania de cada povo. Lula conclamou os participantes do Fórum Social a se engajarem na luta pela recuperação do país devastado pelo terremoto. “O Haiti foi o primeiro país negro a se tornar independente, depois sofreu ataques de norte-americanos, franceses e ingleses, o Brasil ensinou ao mundo como manter uma força de paz sem ferir a soberania do povo haitiano e eu acho que de todas as resoluções que este Fórum tomar, a mais importante é que cada um de nós saiamos daqui com o compromisso de ajudar a reconstruir o Haiti, de ajudar aquele povo e é isso que o governo brasileiro está fazendo”, finalizou o presidente.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Passaporte para o futuro com bilhete para o passado

enquanto o presidente Lula anunciava o projeto do pré-sal, petroleiros faziam manifestação no RJ, na frente da Petrobrás. Campanha salarial da categoria ocorre em setembro




Em concorrida solenidade em Brasília, o governo anunciou no dia 31 de agosto o projeto de novo marco regulatório para o setor do petróleo, enviando, em caráter de urgência, quatro projetos de lei para o Congresso. Apesar de o presidente Lula ter feito a defesa enfática da Petrobrás, ironizando o governo anterior que tentou privatizar a empresa e chegou a chamá-la de dinossauro, os projetos apresentados estão longe de atender a proposta da sociedade brasileira de uma Petrobrás 100% pública e estatal. "Em 1997 os adoradores do mercado estavam em alta, tentaram mudar o nome da Petrobrás, colocando um X, que sabe lá o que significava, mas esses exterminadores do futuro não conseguiram destruir nosso querido dinossaurozinho", afirmou o presidente, conclamando toda a sociedade para um amplo debate sobre a questão do pré-sal. "Ele é o passaporte para o futuro", enfatizou Lula em pelo menos três ocasiões em seu discurso.
Os quatro projetos de lei apresentados pelo governo são:

1) Criação do modelo de partilha para as áreas de exploração do pré-sal. As demais continuam como concessão. Pela lei 9478/97, em vigor, o governo oferece em leilão uma determinada área, ganha quem der o maior lance e tudo o que extrair em gás e petróleo fica com a empresa. No sistema de partilha, a empresa recebe uma remuneração em petróleo, mas a maior parte fica com o governo.
No entanto, o projeto enviado ao Congresso não altera os contratos que já estão em vigor, não acaba com os famigerados leilões de petróleo, nem revê as áreas do pré-sal que foram leiloadas, e que somam 28% do total da camada. Segundo a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, a perspectiva mínima de produção dessas áreas de pré-sal já leiloadas é de cerca de 14 bilhões de barris de petróleo, ou seja, igual ao total de reservas brasileiras descobertas até hoje. Em outras palavras, tudo o que a Petrobrás descobriu em 50 anos, o governo já entregou para as multinacionais.

2) Criação da Petrosal. A nova empresa será a gestora e fiscalizadora dos contratos de partilha e não irá concorrer com a Petrobrás, que será a operadora em todas as áreas, com um mínimo de 30% de participação. A criação dessa nova empresa segue modelos internacionais, como o adotado na Noruega.

3) Criação do Fundo Social. Um dos maiores problemas de países que possuem grandes reservas de petróleo é a chamada "doença holandesa", conceito econômico cunhado para designar o desequilíbrio cambial proporcionado pela entrada indiscriminada de dólares no país devido à receita do petróleo. Para combater esse perigo, o governo encaminhou a criação do Fundo Social, que irá captar parte dos recursos do pré-sal para investir em educação, tecnologia e meio ambiente. O movimento sindical apóia a criação do Fundo, mas quer discutir os valores que serão arrecadados e sua destinação, como, por exemplo, para saúde, a reforma agrária e a agricultura familiar.

4) Capitalização da Petrobrás. O governo quer utilizar o potencial de petróleo da camada do pré-sal para capitalizar a empresa em 5 bilhões de barris, em uma complexa fórmula que prevê ajustes anuais. Isso poderá aumentar a participação governamental na empresa, mas não atende à reivindicação dos movimentos sociais, que lutam pela reestatização da Petrobrás.
O governo aponta para o futuro, mas com um "bilhete" para o passado. Cabe à sociedade pressionar para mudar o projeto e aproveitar esta extraordinária oportunidade para o país dar seu segundo grito de independência.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Brasil, chega de burrice, o petróleo é do povo

Durante evento realizado no Pará, dia 14, o presidente Lula disse que "Deus deu a camada pré-sal para o Brasil não fazer mais burrice" e de que o país tem uma dívida histórica com a educação e precisa usar os recursos que virão da descoberta para investir na melhoria da qualidade de ensino.
Apesar dessa positiva constatação, o governo ainda pouco se mexeu para mudar a lei de petróleo, herança maldita de FHC, que há mais de 10 anos sangra as veias negras do país bombeando lucros para empresas transnacionais. É necessário que o governo tenha coragem de dizer claramente à sociedade o que pretende fazer com a camada de pré-sal; que tenha a visão estadista de suspender os leilões de petróleo e apresentar um novo marco regulatório para o setor, discutido democraticamente com todos os setores da sociedade, entre eles o movimento sindical e as forças populares.
Fim da ANP
Nos dez anos de desregulamentação da exploração do petróleo, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) se tornou um balcão de negócios para as transnacionais.
Uma das denúncias mais sérias envolve a estadunidense Halliburton, empresa que já foi presidida por Dick Cheney, vice-presidente dos EUA, e esteve envolvida em diversos contratos fraudulentos na guerra do Iraque. A dita foi protagonista do episódio do roubo de laptops da Petrobrás com informações confidenciais.
Essa empresa, segundo denúncias de várias fontes, controla o Banco de Dados da Exploração do Petróleo (BDEP), da Agência Nacional do Petróleo, ou seja, simplesmente o mapa da mina. Faça um pequeno teste: entre no sítio da empresa (www.halliburton.com), na caixa de pesquisa, no alto da página digite "ANP", logo aparecerá um link para uma matéria que dá uma pequena mostra dos dados que a empresa tem acesso.
Um novo marco regulatório para o petróleo implica, necessariamente, no fim da ANP, e no reconhecimento da soberania do Estado sobre a exploração, produção e comercialização do ouro negro que corre abundante por toda a costa brasileira.
Não enfrentar esse desafio é comprometer as gerações futuras. A disputa por recursos energéticos foi a maior fonte de guerras no século XX e continuará a ser, ainda mais, o centro das disputas deste século.
O discurso do presidente Lula serve para ele mesmo, como chefe da nação: companheiro Lula, não faça a burrice de ceder a interesses menores; escreva seu nome como grande estadista e faça, de uma vez por todas, o petróleo se tornar dos brasileiros.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Terceiro mandato para Lula

Como uma bituca de cigarro jogada aleatoriamente em mato seco, o que era simples sinal de fumaça começa a produzir pequenas chamas e tem combustível - político - para se tornar uma grande labareda.
Da residência oficial, assessores próximos e primeiro escalão dizem que a proposta é inconseqüente e não tem o apoio do próprio maior interessado. Na Câmara, "amigos" do presidente não perdem a oportunidade de assoprar a ramo queimado, para ver se as chamas incendeiam corações e mentes de políticos e da população.
A proposta surgiu com deputado e ex-sindicalista do ABC, Devanir Ribeiro; no PT, seu presidente, Ricardo Berzoini, afirmou que nenhum tema é tabu no partido - pouco mais que meia palavra, que basta para qualquer nem tão bom entendedor. Nos jornais a notícia de que o presidente da Câmara, o petista e também ex-sindicalista, Arlindo Chinaglia, desengavetou, em abril, a pedido de Fernando Ferro (PT-PE), antigo projeto que permite reeleições sem limites.
O governo diz que não, mas não interfere na dinâmica do Congresso; parlamentares governistas querem que a proposta seja levada a plebiscito popular, juristas de diferentes matizes se posicionam lá e cá.
E a oposição? Essa foge da proposta como diabo da cruz, não por princípios, mas por saber que terá de mudar todas as suas estratégias para tentar vencer Lula em 2010, se for o caso. Tarefa difícil e que irá precisar de muita revista Veja para fazer o jogo sujo.