terça-feira, 18 de maio de 2010

Lula e o vestibular para secretário geral da ONU

As negociações protagonizadas por Brasil e Turquia sobre o explosivo – literalmente - tema do enriquecimento de urânio pelo Irã foi um teste vestibular para as pretensões do presidente Lula de assumir a secretaria geral da ONU após o fim de seu mandato – e, de quebra, um prêmio Nobel da Paz. Se vai conseguir sucesso nessa empreitada é outra história, mas Lula passou com méritos no teste, conduziu as negociações com serenidade e enfrentou a desconfiança e o desprezo de Hillary Clinton, secretária de Estado do império.
As negociações abriram caminho para se evitar sanções e uma nova guerra na conturbada região. No Irã, a notícia foi festejada. O analista iraniano, Mohammad Marandi, da Universidade de Teerã, disse à BBC Brasil que o acordo foi uma vitória da diplomacia brasileira e uma resposta aos Estados Unidos.
Em clima de eleições, a oposição brasileira irá tentar minimizar a tacada diplomática de Lula. O principal argumento já foi dado por Washington: o Irã, e seu presidente Mahmoud Ahmadinejad não são confiáveis; assim, Lula teria sido inocente. O destino dos acordos cabe à história, muitos não foram cumpridos. Abro um parênteses para lembrar que neste maio completa 15 anos da greve dos petroleiros de 1995, que ocupou todas as manchetes de jornais por 32 dias. O motivo da maior greve petroleira da história do Brasil foi o fato de Fernando Henrique ter descumprido acordo assinado por seu antecessor, Itamar Franco.
Bem, voltando ao caso Irã. Mesmo que o acordo não vingue integralmente, Lula marcou uma cesta de três pontos. Primeiro: colocou o Brasil no centro da geopolítica mundial, coisa que professor algum da Sorbone jamais chegou perto. Segundo: sedimentou mais um passo de sua biografia como estadista e líder mundial. Terceiro: não tenham dúvida de que este acordo irá propocionar bons negócios econômicos para o país.
O curioso da biografia de Lula é que aquilo que a elite brasileira mais se utilizava para atacá-lo, não ter cultura, não ter faculdade, não falar inglês, sequer todos os dedos ter, são os atributos que lhe conferem a credibilidade internacional. Seus “defeitos” são seus maiores cacifes políticos.
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