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terça-feira, 3 de abril de 2018

GOVERNO ENTREGA PRÉ-SAL A R$ 0,84 O BARRIL







As multinacionais de petróleo foram as grandes vencedoras da 15ª Rodada de Licitações que a ANP realizou dia 29, com participação de empresas de 11 países e apenas duas nacionais. Foram arrematados 22 dos 68 blocos ofertados, todos em áreas marítimas. A Petrobrás teve uma participação tímida, ficando com apenas sete blocos, sendo que seis deles em parceria com multinacionais: ExxonMobil (Estados Unidos), Statoil (Noruega), QPI (Catar) e Shell (Reino Unido).

Dos R$ 8 bilhões que o governo arrecadou em bônus de assinaturas, R$ 7,5 bilhões são referentes a nove blocos da Bacia de Campos localizados na franja do pré-sal, cujas reservas estimadas são de pelo menos 6,3 bilhões de barris de petróleo. Como já havia ocorrido na 14ª Rodada, as multinacionais foram novamente presenteadas com áreas petrolíferas altamente produtivas e lucrativas, pagando bônus de assinatura muito abaixo do que pagariam no regime de partilha e sem precisar deixar uma gota de óleo para o Estado brasileiro.

O prejuízo para a nação seria ainda maior se o TCU não tivesse retirado do leilão os dois blocos mais valiosos que Temer e sua turma pretendiam entregar de bandeja. A FUP também tentou barrar o leilão na Justiça, ingressando com Ação Civil Pública, onde denunciou, mais uma vez, os interesses escusos de Pedro Parente, que, além de ser sócio em uma empresa de consultoria de investimentos, ainda colocou na direção e no Conselho de Administração da Petrobrás executivos ligados à Shell e ao mercado financeiro.
Fonte: FUP

terça-feira, 30 de maio de 2017

FRENTE BRASIL POPULAR LANÇA PLANO DE EMERGÊNCIA

Lançamento do Plano Popular de Emergência - Foto Paulo Pinto/AGPT

A Frente Brasil Popular, organização que congrega mais de 60 entidades sindicais e populares lançou, na segunda-feira (29.mai.2017), no auditório TUCA (Teatro da Universidade Católica-PUC), em São Paulo, o Plano Popular de Emergência que aponta propostas para a retomada do desenvolvimento brasileiro com ampliação da igualdade e distribuição de renda. Clique aqui para ler a íntegra dodocumento com 77 propostas. 


O caderno aponta alternativas em dez pontos que sofreram retrocessos desde o golpe que alçou Michel Temer e sua gangue ao poder. As propostas versam sobre a democratização do Estado, direitos sociais e trabalhistas; políticas de desenvolvimento, emprego e renda; reforma agrária e agricultura familiar, reforma tributária; direito à saúde, educação, cultura e moradia; segurança pública; direitos humanos e cidadania; defesa do meio-ambiente e política externa soberana.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

SINDICALISTAS OCUPAM A CÂMARA E ENTREGA DO PRÉ-SAL NÃO AVANÇA





Durante toda a terça-feira (9.ago.2016), dirigentes sindicais petroleiros de diversos estados montaram acampamento em Brasília para acompanhar os debates sobre o Projeto de Lei PL 4567/16, que acaba com a obrigatoriedade da Petrobrás ser a operadora em todos os blocos do pré-sal. Na prática, esse projeto representa entregar o comando da exploração da maior riqueza nacional a empresas estrangeiras. 

O projeto teve origem no senado, pelas mãos de José Serra, compromisso que havia assumido com a estadunidense Chevron, em 2009 (conforme documentos revelados pelo Wikileaks).

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Você sabe por que a imprensa sindical acentua a palavra "Petrobrás" e a mídia comercial não?




A palavra "Petrobrás", designação da empresa Petróleo Brasileiro S.A, sempre foi acentuada por tratar-se de uma oxítona (recebem acento agudo ou circunflexo as palavras oxítonas terminadas em 'a', 'e' ou 'o', seguidas ou não de 's', diz a regra). 

Desde o início do mandato de Fernando Henrique (1995-2002), a palavra foi gradualmente perdendo seu acento, com o argumento de que não se acentuam siglas. O interesse, no entanto, era tornar a palavra mais "palatável" para estrangeiros, principalmente de língua inglesa (quem serão?). Com a quebra do monopólio do petróleo, em 1997, a mídia assumiu de vez a versão sem acentro (com exceção de alguns órgãos, entre eles o jornal O Estado de São Paulo, que até hoje mantém a grafia original).


Para resistir ao simbolismo desta desnacionalização, o movimento sindical se mantém firme na grafia acentuada.  

No ano 2000, a turma de FHC voltou à carga tentando mudar o nome da Petrobrás para PetroBrax, muito mais sonoro a ouvidos (e bolsos) anglo saxões. A "brincadeira" durou 48 horas e custou US$ 50 milhões (em valores do ano 2000) só para a agência de propaganda Und. 

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Gabrielli explica a compra de Pasadena e defende estratégia do negócio

Em fevereiro deste ano, o jornal Petroleir@s (Sindicato Unificado dos Petroleiros de SP) entrevistou com exclusividade o ex-presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli (edição 891). Por falta de espaço, algumas questões abordadas por Gabrielli não foram publicadas na versão impressa, uma delas dizia respeito à compra da refinaria de Pasadena, e que se tornou um dos argumentos para o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Pela importância que o tema novamente ganhou, reproduzimos a resposta do ex-executivo da Petrobrás, que ajuda a esclarecer as motivações econômicas e estratégicas que envolveram a decisão de comprar a refinaria. Confira a seguir a entrevista concedida a Norian Segatto.


Pergunta - Quem é leigo e lê as notícias sobre a Refinaria de Pasadena fica sem saber o que pensar de tantas informações desencontradas. Qual é o seu ponto de vista sobre a compra da refinaria, foi um mau negócio para a Petrobrás?

José Sérgio Gabrielli - Primeiro é preciso saber porque a Petrobrás comprou a refinaria nos Estados Unidos. Essa estratégia foi definida em 1997, naquele ano havia a perspectiva de não crescer o consumo de gasolina e diesel no país, de estagnação do consumo de derivados. Também era previsão, em 1997, que a produção de petróleo Marlim ia crescer. Se vai crescer a produção de petróleo e não vai crescer o consumo, não tem sentido crescer a refinaria no Brasil e sim buscar refino lá fora. Essa era a estratégia implementada pela Petrobrás até 2005. Em 2005, depois de ver várias refinarias, encontramos a de Pasadena, que estava relativamente barata, localizada no centro do refino norte americano, no Texas, que possui capacidade de refino de três milhões de barris, mais do que o Brasil todo refina; estava localizado na boca de um oleoduto de extraordinária capacidade para levar petróleo do Golfo do México a Nova Iorque, ou seja estava em um lugar logisticamente muito adequado.

A refinaria foi comprada por 7.400 dólares o barril, incluindo a refinaria. Como a capacidade de produção era de 100 mil barris, a Petrobrás comprou 50% por 380 milhões de dólares. Em 2006 ocorreram no mundo 11 grandes compras de refinarias, cinco delas nos Estados Unidos, a refinaria mais barata comprada nesse período foi por 3.400 dólares por barril, a mais cara, 19.500 dólares por barril, a média, 9.300 dólares, ou seja, a Petrobrás comprou abaixo da média. Por aí não pode dizer que teve prejuízo.
“O prejuízo vem de um parecer feito pelo ministro José Jorge, do TCU, que foi ministro de Minas e Energia de Fernando Henrique Cardoso, foi presidente do PFL, foi candidato a vice-presidente de Alckmin [Geraldo]. Ele desconsiderou o parecer dos técnicos do TCU... esse parecer é politicamente motivado, não é tecnicamente justificado” 
Uma segunda lógica. Quanto se esperava ganhar com a refinaria? No Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica, a Petrobrás projetava uma margem conservadora de 2006 até 2014. Se comparar essa projeção de margem operacional, com o que efetivamente ocorreu, a refinaria gerou 760 milhões de dólares a mais do que a Petrobrás esperava. De onde vem o prejuízo então?

O prejuízo vem de um parecer feito pelo ministro José Jorge, do TCU, que foi ministro de Minas e Energia de Fernando Henrique Cardoso, foi presidente do PFL, foi candidato a vice-presidente de Alckmin [Geraldo]. Ele desconsiderou o parecer dos técnicos do TCU, que por três meses ficaram dentro da Petrobrás  e atestaram que não teve erro no cálculo do preço da refinaria. Ele desconsiderou uma segunda auditoria, que também chegou à conclusão que não teve problemas, pegou um assessor de sua confiança que em 30 dias, sem ter ido uma vez à Petrobrás, cometeu vários erros de interpretação e erros técnicos.

O principal problema é ele faz um conceito de prejuízo pelo que foi pago pela refinaria e abate de uma das 27 planilhas feita por uma consultoria contratada pela Petrobrás. Por esse cálculo a refinaria deveria custar 1.860 dólares por barril, não existia isso em lugar algum, a mais barata foi 3.400. Consequentemente, o conceito de prejuízo que está nesse parecer é politicamente motivado, não é tecnicamente justificado.    
 
Outro conceito de prejuízo é o olhando para frente. Em dezembro de 2012, a Petrobrás levantou o que foi investido na refinaria, calculou o que ela poderia dar de margem no futuro, com as taxas de juros de 2012, projetou no futuro e identificou um prejuízo de 530 milhões de reais. Esse prejuízo foi lançado no resultado da Petrobrás, não tem nada a ver com o preço de compra.

Em 2013 e 2014 aconteceu um fenômeno muito importante nos Estados Unidos, a produção do gás de xisto e o dateoil, que é o petróleo de reservatórios fechados, geraram uma enorme disponibilidade de petróleo leve, barato e disponível, particularmente no Texas, através do campo de Eagle 4. Isso permite que a refinaria de Pasadena seja altamente lucrativa. Então, nos últimos dois anos a refinaria foi lucrativa. Onde está o prejuízo? É contabilidade política e não técnica.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Frente Brasil Popular, a defesa da Petrobrás e os interesses internacionais em disputaP

Neste 3 de outubro acontece a primeira grande atividade de rua da Frente Brasil Popular, que congrega entidades dos movimentos sociais, populares e sindicais. A FBP foi criada no dia 5 de setembro durante a Conferência Nacional Popular realizada em Belo Horizonte. Os atos deste sábado, que ocorrem em várias cidades do país, irão se posicionar em defesa da democracia, da Petrobrás e contra o ajuste fiscal proposto pelo governo. Em São Paulo, a concentração ocorre a partir das 14h em frente ao prédio da Petrobrás, na avenida Paulista.

A data escolhida não é aleatória. Em 3 de outubro, a maior companhia brasileira completa 62 anos de uma história que se confunde com a do país.

O petróleo sempre foi alvo de disputas. No Brasil, mesmo antes da criação da Petrobrás, a busca pelo chamado ouro negro já atiçava ânimos dos mais variados matizes. Em 1941, o nacionalista escritor Monteiro Lobato chegou a ser preso por escrever cartas ao presidente da República, Getúlio Vargas, demonstrando sua indignação pela política subserviente aos interesses estrangeiros na questão do petróleo. Na luta popular que se travou pela criação da Petrobrás, alguns pagaram seu idealismo com a vida, como o ensacador da doca de Santos, Deoclécio Santana, morto em choque com a polícia em 1949.

Frente à mobilização popular na campanha O petróleo é nosso, em 1951 Vargas encaminhou para o Congresso projeto de lei propondo a criação da Petróleo Brasileiro S.A.  Em outubro de 1953, finalmente foi sancionada a lei 2004, que deu origem à Petrobrás.

A empresa nasceu e cresceu sob a égide dessas disputas. Getúlio a cita em sua carta testamento: "Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma". Getúlio se suicidou, mas a empresa fundada em seu governo continuou a prosperar e ser o epicentro de interesses e crises. Um dos últimos atos do ex-presidente João Goulart, antes do golpe militar (1964), foi a encampação das refinarias privadas no país: a União S.A. (atual Recap, em Mauá), a Copam (atual Reman, em Manaus), a Ipiranga (RS) e a de Manguinhos (RJ). Logo após o golpe, o ditador general Castelo Branco reprivatizou as refinarias, demitiu centenas de trabalhadores e fechou sindicatos, como o dos petroleiros de Mauá (hoje Sindipetro Unificado de São Paulo).

Crise política
Que ninguém se engane, a atual crise econômica por que passa a Petrobrás tem na política a sua gênese. O mau desempenho do atual governo brasileiro se entrelaça a um emaranhado de conspirações internacionais dignas dos mais inventivos filmes de 007. Nesse enredo atuam os Estados Unidos, China, Brics, Oriente Médio, PSDB, conflitos bélicos e disputa por posições hegemônicas no tabuleiro internacional.

Todos conhecem importância estratégica do petróleo. Combustível responsável por 93% do transporte mundial, está presente em mais de três mil produtos. Derivados do petróleo entram na fabricação de remédios, componentes eletrônicos, lentes, fibras sintéticas, detergentes, câmeras fotográficas, cosméticos, tintas, lubrificantes, pneus, fertilizantes agrícolas, asfalto, móveis, xampus, pasta de dente, telefones celulares, canetas, componentes de automóveis entre muitos outros. Em seu nome travam-se guerras, atacam governos e promovem massacres de populações.

Geopolítica mundial
Relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), sediada em Paris, aponta os EUA como os maiores consumidores de petróleo do planeta. Dos cerca de 90 milhões de barris diários consumidos no mundo em 2013, 18,5 milhões (19,8%) foram para abastecer o mercado norte-americano; com uma população quatro vezes maior do que a estadunidense, a China vem em segundo lugar, com 11,7%; o Brasil é o sexto da lista, com o consumo de 3,1 milhões de barris\dia.

Para suprir sua crescente necessidade de petróleo, desde o final dos anos 50 os EUA priorizaram o controle geopolítico do Oriente Médio. As duas intervenções militares no Iraque (1991 e 2003) são exemplos dessa política.

A partir do início do século XXI, no entanto, outros (f)atores passaram a ter relevância. O avanço tecnológico permitiu aos Estados Unidos extrair petróleo de xisto por meio de um procedimento conhecido como fracking, o que o tornou auto suficiente e exportador da riqueza. Por outro lado, sua hegemonia mundial começou a ser ameaçada pelo crescimento da China e sua aliança com os demais Brics (Brasil, Rússia, Índia e África do Sul). O terceiro elemento foi a crise financeira deflagrada em 2008, cujo epicentro foi Wall Street. Essa combinação explosiva alterou o cenário mundial, com fortes implicações para o Brasil.

O jornalista e sociólogo Ignacio Ramonet, diretor do jornal Le Monde Diplomatique, resume assim o atual impasse estadunidense: "A Casa Branca tem claro que não pode realizar simultaneamente duas grandes guerras [Oriente Médio e China). Por esta razão Obama retirou a quase totalidade das tropas norte-americanas do Iraque e Afeganistão".
Como resposta ao crescimento da produção dos EUA, a Arábia Saudita passou a acelerar sua produção de petróleo, fazendo o preço do barril despencar de mais de 120 dólares, em 2013, para cerca de US$ 50 no final de 2014. Ao custo de extração de US$ 40, o petróleo de xisto torna-se inviável economicamente e a produção dos Estados Unidos começa a declinar, apesar de ser atualmente o maior produtor mundial.
A queda do preço do barril do petróleo afetou todas as companhias petrolíferas no mundo e a Petrobrás não foi exceção. Reside aí, segundo especialistas, a raiz dos problemas financeiros atuais da empresa.  

O Brasil e a Petrobrás
Plataforma P-36: 11 mortos
No final do governo Fernando Henrique, em 2002, a Petrobrás era uma companhia decadente, com menos de 35 mil funcionários, um histórico recente de acidentes (como o afundamento da Plataforma P-36, que causou a morte de 11 pessoas) e com o mais baixo valor da sua história: US$ 15 bilhões. O governo seguinte recuperou a empresa, a transformou em uma gigante internacional, com mais de 85 mil empregados próprios, responsável por 13% do PIB brasileiro.

Em 2008, após investir mais de R$ 200 milhões em pesquisas, a companhia descobriu as reservas de pré-sal, um imenso mar de petróleo de altíssima qualidade, que pode tornar o país um dos cinco maiores produtores do mundo. Para ter uma ideia, nos 60 anos existência da Petrobrás, as reservas de petróleo acumularam 14,2 bilhões de barris; apenas no campo de Libra, do pré-sal, é estimada uma reserva de 15 bilhões e as descobertas já feitas nos demais campos elevam para 60 bilhões de barris o potencial do pré-sal. Ao preço atual de US$ 50 o barril, o que já foi descoberto representa algo em torno de 3 trilhões de dólares.

Junto com a descoberta do pré-sal, o Estado brasileiro promoveu, em 2010, a mudança da legislação, estabelecendo a Lei de Partilha e concedendo à Petrobrás a primazia da exploração dos campos do pré-sal. Ao anúncio, o governo estadunidense e suas companhias de petróleo ficaram com o pelo mais eriçado que gato encurralado.

Seguiu-se uma série de iniciativas para contingenciar (ou destruir) o poderio internacional que a descoberta e sua posse pelo governo brasileiro poderiam trazer, como demonstram diversos telegramas trocados entre personalidades brasileiras e estrangeiras publicados pelo Wikileaks. Carla Lacerda, diretora da Exxon-Mobil, se ressentia de que o controle da Petrobrás pudesse prejudicar fornecedores norte-americanos. Patrícia Padral, diretora da Chevron no Brasil, foi além: “A estratégia das petroleiras para barrar o novo marco regulatório do pré-sal é fazer um forte lobby no Senado por meio do IBP, da Onip e da Fiesp”.

Como resposta às preocupações da Chevron, o então candidato à Presidência da República, José Serra (PSDB) enviou, segundo o Wikileaks, uma mensagem a Padral: “Deixa esses caras (do PT) fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer e aí nós vamos mostrar que o modelo antigo funcionava... E nós mudaremos de volta”, teria dito o agora senador, que cinco anos depois cumpre seu compromisso com a multinacional ao apresentar o Projeto de Lei do Senado (PLS) 131, que tira a Petrobrás como operadora única da exploração do pré-sal.

Outros dois projetos em tramitação na Câmara Federal, o PL 4973/13, de Raul Henry (PMDB-PE) e o PL 600/15, de Jutahy Magalhães (PSDB-BA), atacam diretamente a Lei de Partilha e propõem a volta ao modelo de concessão, menina dos olhos das multinacionais.

Os ataques não param por aí. Em maio de 2013, o vice presidente dos EUA, Joe Biden, durante visita ao Brasil, tentou fazer com que a presidente Dilma se comprometesse em rever a Lei de Partilha. Pouco depois veio a público que o governo brasileiro e a Petrobrás eram espionados pelos Estados Unidos; concomitantemente, começou uma série de protestos para acuar a presidente e seu governo.

PricewaterhouseCoopers (PWC), que, no final de 2014, recolheu os HDs de mais de três mil computadores que continham informações estratégicas sobre os campos de pré-sal entre outros dados sigilosos da companhia.

Para o estrategista norte-americano William Engdahl, "a razão para Washington querer a saída de Rousseff é clara. Ela é uma das cinco cabeças do Brics, que assinaram a formação do Banco de Desenvolvimento Brics, com reservas de US$ 200 bilhões; ela também apoia a criação uma nova moeda internacional para complementar e, eventualmente, substituir o dólar". 


Não é o fim da corrupção, a melhoria das contas públicas ou a queda da inflação que movem políticos e empresários conservadores e parte da mídia brasileira na arquitetura da queda do governo. Há uma disputa mundial em curso e o pré-sal é peça importante desse tabuleiro. É com essa compreensão que a Frente Brasil Popular conclama a população a defender a Petrobrás e a soberania energética da nação.  

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Farsa revelada

"Vou fortalecer a Petrobrás e todas as empresas públicas" bradava diante das câmeras de televisão um candidato que se esforçava para parecer ter alguma proposta consistente que se contrapusesse à avassaladora desvantagem da comparação entre o governo tucano (1995/2002) e o governo do presidente Lula (2003/2010).
Nos bastidores, entretanto, onde muitas coisas são decididas sem que a população tenha conhecimento, o verdadeiro Serra se mostrava e procurava acalmar as empresas petroleiras preocupadas com o poder que a Petrobrás terá com a nova lei do petróleo.
Em dezembro de 2009, um telegrama diplomático dos EUA – publicado pelo sítio Wikileaks – dá a dimensão da lesa pátria de Serra e acrescenta mais uma mentira à sua extensa biografia (lembram que ele disse ter sido o criador do FAT, do bolsa família etc.).
O telegrama afirma que Serra garantiu à Patricia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o Governo, da Chevron que ele mudaria a lei do petróleo, tirando a soberania da Petrobrás e mantendo os leilões para as áreas do pré-sal. O ex-candidato tucano, como de costume, negou tudo.
O caso é revelador e mostra, mais uma vez, algumas das facetas de um quase presidente da República: diz uma coisa para a população e outra para lobbistas e empresários estrangeiros; nega, sempre que é pego de calça curta (lembram que negou conhecer Paulo Preto, seu assessor e responsável por desvios de milhões do governo paulista) e demonstra profundo desprezo pelo que é brasileiro, sentimento compartilhado pela alta camarilha tucana.
Durante a campanha eleitoral, o movimento sindical petroleiro alertou sobre o perigo de retrocesso que representava Serra presidente, na época já havia claros indícios de suas posturas contra a soberania energética do Brasil, em declarações de assessores diretos como David Zylbersztajn (cunhado de FHC e ex-diretor da ANP) e Geraldo Biasoto, responsável pelo programa do PSDB na área de energia.
O projeto aprovado no Congresso, de autoria do governo, não contempla todas as reivindicações do movimento sindical, ainda vamos travar batalhas para avançar na definição da lei do petróleo, mas caso o país tivesse hoje Serra como presidente eleito, a Petrobrás estaria com os dias condenados à mercê de um carrasco implacável com o que é brasileiro e subserviente com as ordens que partem dos EUA.
Crime contra o Brasil é a único termo que define atitudes de José Serra e seu PSDB.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

ESSE ERA O PROJETO DE SERRA/FHC PARA A PETROBRÁS

E agora ele diz que nunca pensou em privatizar a empresa!
No final do ano 2000, FHC tentou mais uma tacada para privatizar a Petrobrás: anunciou a mudança do nome da empresa para Petrobrax (Na época, Henri Reichstul, presidente da Petrobrás nomeado por FHC disse que o "brás" do nome era associado com subdesenvolvimento, porque lembrava o Brasil). A marca, desenvolvida por uma "empresa especializada" por R$ 50 milhões, durou menos de uma semana; a população rejeitou perder a empresa que seus pais e avós haviam lutado para constituir nos anos 1950. Agora, em período eleitoral, Serra vem dizer que nunca tentaram privatizar a Petrobrás. Conta outra, Pinóchio!

Até tucano sabe disso!
O texto a seguir foi publicado na página do deputado estadual do PSDB Donald Fernandes (AC):
"De fato, o governo FHC tentou privatizar a Petrobras. Em 1977, Joel Rennó, que era presidente da Petrobras, contratou uma consultoria para orientar a empresa sobre como privatizar. Esta consultoria orientou para transformar a empresa numa holding e não privatizar a empresa como um todo, mas dividi-la em unidades independentes, chamadas de “Unidades de Negócios -UN-, que poderiam ser privatizadas. O processo de privatização iniciou. A FRONAPE (Frota Nacional de Petroleiros) foi uma das primeiras a serem preparadas. Neste caso, o processo não chegou a ser concluído. Hoje, ela existe com um CNPJ paralelo, com a denominação de TRANSPETRO. A refinaria de Porto Alegre, Alberto Pasqualini (REFAP), foi negociada com a REPSOL argentina/espanhola. Observando o organograma da Petrobras é possível verificar que o que anteriormente eram “superintendências”, hoje, são “Unidades de Negócios”, passíveis de venda, tais como UN – REDUC (RJ), UN –REPLAN (SP), UN –REGAP (MJ), UN – REVAP (SP), UN– AM (AM), UN– RNCE (RN), UN –BA (BA), UN-BC (Bacia de Campos.RJ), UN-RIO (Macaé-RJ) e UN-BS (Bacia de Santos-SP). Para que as privatizações das UN fossem efetivadas, o 'excesso' de contingente teria que ser minimizado. Com isso, a Petrobras terceirizou a força de trabalho. Reduziu os empregados de 62 mil em 1990 para 32 mil em 2000."

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Nenhuma indenização paga essa dor







Família de trabalhador morto na Petrobrás dia 4 de janeiro, participa de ato ocorrido nesta quinta, 15 de janeiro, em memória de William Vasconcelos e por mais segurança

FUP e Conselho Deliberativo realizam manifestação no Aeroporto de Vitória. Como represália, empresa tenta não embarcar trabalhadores que participaram do ato, mas esbarra na resistência dos sindicatos e é obrigada a negociar.

A diretoria e o Conselho Deliberativo da FUP promoveram nesta quinta, dia 15, no Aeroporto de Vitória (ES), ato em homenagem ao trabalhador Willian Vasconcelos, morto no dia 4 em acidente na Plataforma P-34. A manifestação fez parte da Semana de Mobilização pela Vida, que cobrou do Sistema Petrobrás mais segurança e mudanças na política de SMS. No dia 2 de setembro, o presidente Lula inaugurou, dali, a primeira extração simbólica do pré-sal. Três meses depois, a P-34, que opera no campo de Jubarte, no Espírito Santo, faria a primeira vítima fatal de 2009 no Sistema Petrobrás.
O diretor de saúde da FUP, Simão Zanardi, abriu o ato lembrando que o acidente na plataforma já era previsível e alertou os trabalhadores para cuidarem do maior patrimônio que possuem: a própria vida. “É necessário que cada um faça o seu papel, não se arriscando a executar uma tarefa em que possa haver qualquer risco à integridade física”, conclamou Simão. Ele relatou brevemente certos detalhes do acidente e, emocionado, dirigiu-se aos familiares de Willian para informar que por todo o país ocorreram atos de protesto à empresa e em solidariedade à dor dos familiares. “Willian era caldeireiro, sua função naquele domingo à noite era tirar 12 parafusos, ele havia tirado 10, faltavam dois quando ocorreu o acidente”, relatou. Dona Edna, tia de William, chorou durante quase todo o ato.
Representando o Sindipetro MG, o petroleiro Sérgio afirmou que a Petrobrás só pensa na produção, sem se importar com a segurança de seus funcionários. Paulo Neves, da oposição do Pará, realçou a necessidade de se travar uma ampla luta por mais segurança e mostrar a capacidade do petroleiro de se indignar com situações como a que vitimou o caldeireiro Willian, de 28 anos.
Silvanei, do Sindicato de SC-PR, reforçou a tese de que se não ocorrer mudanças na política de SMS novos acidentes irão ocorrer. “Isso não é uma fatalidade, é um acidente construído socialmente devido às condições de trabalho e segurança”, afirmou. Acácio, do Sindipetro AM denunciou que muitos trabalhadores, principalmente os terceirizados, operam com EPIs (Equipamento de Proteção Individual) danificados e exortou por mudanças na política de segurança.
Alexandre, do RN, usou o código de ética da empresa para reafirmar a dicotomia entre o discurso e a prática da Petrobrás. “Não podemos parar neste ato, temos de continuar o movimento”, disse. Lourenzon, do Sindipetro PE-PB, afirmou que não se trata apenas de incompetência dos responsáveis pela emissão de PT (Permissão de Trabalho), mas de falta de vontade política da empresa de investir em segurança e pediu a punição dos responsáveis. O companheiro Claudio, do NF, reafirmou a importância da luta por mais segurança. “Não adianta buscar apenas as conquistas econômicas se não temos segurança”, afirmou. Ao falar pelo Sindipetro BA, o companheiro Machado recordou da investigação do acidente ocorrido em Alagoas, o qual concluiu pela responsabilidade de dois trabalhadores e voltou a conclamar os trabalhadores a não executar atos inseguros.


Danilo, do Unificado de SP, não poupou adjetivos para afirmar que a Petrobrás cometeu assassinato e que faz uma opção política pela insegurança. “Isso só vai acabar quando colocarmos um gerente na cadeia”. O companheiro Zé Maria, do NF, relatou o histórico de problemas recentes ocorridos na P-34. “Uma comissão apurou diversas falhas na segurança da plataforma, que só por sorte não se tornou outra P-36; eu levei o relatório pessoalmente para o Estrela e a única providência que ele tomou foi transferir os trabalhadores que participaram das investigações”, afirmou Zé Maria.
O coordenador da FUP, Moraes, finalizou o ato reafirmando que o acidente não foi obra da fatalidade, mas dos erros da política de SMS, e que os gerentes e responsáveis serão acionados judicialmente. “Não aceitamos que a produção do pré-sal, que defendemos como patrimônio do povo brasileiro, seja explorado à custa do sangue de trabalhadores”, concluiu.

Provocação
Desde o início do ato, dirigentes da FUP alertaram a empresa para não liberar o embarque para a Plataforma sem os trabalhadores que participavam do ato. Fazendo ouvidos moucos e procurando se confrontar com as entidades sindicais, representantes da empresa autorizaram a partida do helicóptero sem a presença de alguns companheiros que participavam do ato.
Imediatamente após o final da manifestação, os dirigentes ocuparam o saguão da Petrobrás no aeroporto de Vitória e exigiram o embarque daqueles trabalhadores. Por cerca de duas horas o saguão foi ocupado pacificamente pelos petroleiros, enquanto a direção da FUP negociava com a gerência da Plataforma alternativas para embarcar os trabalhadores. O coordenador Eliseu alegou problemas burocráticos para embarcar os trabalhadores, no que foi imediatamente confrontado. “Quando é do interesse da Petrobrás, muda-se todo mundo, a qualquer hora, sem qualquer aviso”, questionou um dos trabalhadores.Ao final das negociações, o gerente geral da P-34, Barreto, se comprometeu a embarcar imediatamente os trabalhadores, colocando fim à provocação da Petrobrás, que quis responder com truculência a um ato em favor da vida.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Crime, arrogância e irresponsabilidade

No sábado, dia 4, um acidente na Pla-taforma P34, que opera no campo de Jubarte, no litoral Sul do Espírito Santo, causou três vítimas, uma fatal . Willian Robson Vasconcelos, que trabalhava para a UTG Engenharia, era caldeireiro, morador do Municipio de Serra – ES é mais um trabalhador que entra para a lista de tragédias causadas pela política de (in) segurança da empresa. Os outros dois trabalhadores sofreram escoriações e foram atendidos na enfermaria. Este foi o primeiro acidente de 2009, mas, infelizmente não será o único. No decorrer dos últimos anos, a política da (in) segurança Petrobrás tem assassinado, em média, dois trabalhadores por mês, em uma prova contundente de que a política de SMS está falida.
No dia seguinte ao acidente, o diretor de SMS da FUP, Simão Zanardi, denunciou em matéria ao jornal O Estado de S.Paulo (para lê-la acesse http://www.estadao.com.br/economia/not_eco302838,0.htm) que o acidente na Plataforma "já estava mais do que anunciado", pois a P34 há um ano vive em manutenção permanente. O Sindipetro-ES já havia encaminhado ofício à Petrobrás alertando para a necessidade de a plataforma ser encostada em um estaleiro para a manutenção. Mas o lucro falou mais alto, novamente.
Sentença de morte
Segundo Simão, não houve falha na válvula, como a empresa anunciou, "houve erro na APR [Análise Preliminar de Risco], que orientou o caldeireiro a fazer o serviço na linha pressurizada. O trabalhador morreu esmagado, com afundamento de crânio, pulmão e fraturas múltiplas".
Após essa tragédia, a atitude da Petrobrás foi sonegar informações à sociedade e impedir que Simão Zanardi entrasse na Plataforma, em completo desrespeito à representação sindical.
Criminalização
Enquanto gerentes e diretores da Petrobrás não forem processados criminalmente pouca coisa mudará na política de segurança da empresa, porque, para esses senhores da morte, o lucro é mais importante do que a vida. A FUP está estudando quais medidas podem ser tomadas para acionar judicialmente os responsáveis pelos acidentes.
Não dá mais para se esconderem atrás de argumentos de que contratam o serviço e a gata terceirizada é a responsável pelo treinamento dos trabalhadores e pela prevenção de acidentes. Mentiras, truculência, má-fé e irresponsabilidade são ingredientes certos para o caldeirão de morte que se tornaram os locais de trabalho da Petrobrás.