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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

O BRASIL CONDENADO A DÉCADAS DE ATRASO






“Quem não tem dinheiro não cursa universidade”, explicitou o deputado federal Nelson Marquezelli (PTB-SP) ao ser questionado sobre a PEC 241, que congela recursos que seriam investidos em Educação, Saúde e infraestrutura. 


Para quem ainda não entendeu. A PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 241, congela por 20 anos os investimentos públicos, ou seja, nada pode ser reajustado além da inflação do ano anterior. 
Se essa regra estivesse valendo desde 2003, a Educação (nos três níveis) teria tido uma redução de gastos no período de R$ 414 bilhões (de R$ 1,1 trilhão para R$ 686 bilhões) e a Saúde menos R$ 254 bilhões (de R$ 955 bi para R$ 701 bi).

FHC também promoveu cortes bilionários
Essa não é, entretanto, a primeira vez que setores que são função prioritária do Estado sofrem severos
cortes. Em 1998, no governo Fernando Henrique, o FMI (Fundo Monetário Internacional) exigiu um ajuste fiscal para aprovar a obtenção de um empréstimo de US$ 42 bilhões. 
De acordo com dados do Ministério da Fazenda, as despesas federais com Educação passaram de R$ 45,1 bi, em 1997, para R$ 25,4 bi em 1999, um efeito direto da subserviência ao FMI
Atualmente (antes da PEC), pela Constituição, a União deve destinar, no mínimo, 18% do que arrecada com impostos à Educação; os governos estaduais devem repassar 25% da arrecadação. Na Saúde, a parcela federal mínima é de 13,2% da Receita Corrente Líquida (RCL) em 2016. O número subiria até chegar a 15% em 2020. Estados e municípios repassam 12% e 15% da receita, respectivamente. Isso não vai mais acontecer.

Serviços essenciais ou commodity 
O Brasil pós golpe começa a inverter a tendência de se criar um Estado de bem-estar social (ainda muito distante do modelo europeu) para retornar a políticas neoliberais e promover novo ciclo de acúmulo acelerado de ganhos de capital. 
Segundo novos ideólogos da direita mundial, a privatização completa da Saúde, Educação, Previdência e outros serviços e direitos sociais servirá para ajudar países a sair da crise planetária do capitalismo. Dessa forma, por exemplo, Educação, deixaria de ser um processo de desenvolvimento intelectual e humano para se tornar uma commodity, um processo subordinado ao mercado. A reforma da Educação proposta pelo governo golpista caminha nessa direção. 

Royalties do pré-sal
Lembra daquele projeto para investir os royalties da exploração do pré-sal em Saúde e Educação? Esqueça. 
O PL 4567/16 já fez o serviço de retirar do Estado enorme quantia de recursos ao promover à iniciativa privada a operação dos campos do pré-sal. O PL 6726/13, que tramita na Câmara, prevê o fim da lei de partilha, concedendo ainda mais benesses ao capital privado.
Com a PEC 241, o fim da lei de partilha e o PL 4567 será impossível o país cumprir o compromisso de Plano Nacional de Educação; isso significa atrasar o desenvolvimento de milhões de crianças e jovens, comprometer o futuro de várias gerações e condenar o Brasil a décadas de atraso. 
Em vez de um emergente BRICs, o país caminha para voltar a ser uma colônia exportadora de matéria-prima, submissa a interesses internacionais; um país de mão de obra barata, sem direitos trabalhistas e com um judiciário a defender o capital; é o paraíso na terra para as multinacionais, que precisam de novos mercados para explorar sem as chatices de direitos trabalhistas como férias e licença-maternidade, licenças ambientais e outros entraves ao “moderno” capitalismo.      

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Ato dia 3 marca primeira grande atividade nacional da Frente Brasil Popular

foto Roberto Parizotti

Manifestação deste sábado tem como bandeiras a defesa da democracia, da Petrobrás e contra o ajuste fiscal do governo



Durante a coletiva de imprensa realizada no início da tarde no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, representantes da Frente Brasil Popular explicaram as bandeiras de luta e a convocação do ato que ocorre dias 2 e 3 em mais de 30 cidades pelo país.
Nesta sexta, dia 2, os atos ocorrem no Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Goiás e Sergipe. No sábado, as mobilizações acontecem nos estados da Bahia, Ceará, Minas Gerais, Rondônia, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Paraíba, Piauí, DF, Mato Grosso, Santa Catarina e São Paulo.
Na capital paulista, o ato tem início às 14h em frente ao Edifício da Petrobrás, na Av. Paulista, 901. João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do MST, explicou que os movimentos sociais e sindicais têm tradição de fazer atos durante a semana, mas que irão testar a organização em um sábado pelo simbolismo da data. "No dia 3 de outubro a Petrobrás completa 62 anos e a defesa da empresa é uma das bandeiras centrais da manifestação".
O presidente da CUT-SP, Douglas Izzo, informou que a data e o caráter do ato foram definidos pelas entidades que compõem a Frente Brasil Popular, criada dia 5 de setembro, e que reúne cerca de 60 entidades sindicais e do movimento social e popular. "Vamos às ruas de todo o país lutar pela defesa da democracia, da Petrobrás e contra o ajuste fiscal do governo. A manifestação se concentrará na Avenida Paulista, seguirá pela rua Brigadeiro Luiz Antonio até o Largo São Francisco e terminará na Praça da Sé, tradicional ponto de manifestações populares", informou Douglas Izzo.  
Além de São Paulo, o ato acontece em outras oito cidades do Estado (Campinas, Sorocaba, Itapeva, Ribeirão Preto, São José dos Campos, Bauru, Presidente Prudente e Araçatuba).
A coordenadora do Sindipetro Unificado e representante da FUP na coletiva, Cibele Vieira, explicou a importância da defesa da Petrobrás e das riquezas do pré-sal. "Com o pré-sal o Brasil passará de décimo primeiro para quinto maior produtor de petróleo do mundo é por isso que a Petrobrás está sendo tão atacada. A greve dos petroleiros em defesa da empresa está definida e irá ocorrer a qualquer momento".
Questionados sobre o apoio ao governo Dilma, ao mesmo tempo que criticam as políticas econômicas, Raimundo Bonfim, da Central dos Movimentos Populares, esclareceu que não existe dicotomia. "Somos firmes na defesa da democracia e contra as tentativas de golpe por parte da direita, mas temos claro que questionamos o ajuste fiscal do governo, essas duas posições não são excludentes".
O presidente da CUT São Paulo e dirigente da Apeoesp (Sindicato dos Professores) aproveitou para criticar a proposta do governador Geraldo Alckmin de acabar com 30% das salas de aula no Estado, promovendo uma reforma "que nada tem de pedagógico, poderá aumentar a violência nas salas de aulas e irá prejudicar milhares de famílias. Contra essa proposta do Estado estamos organizando um ato no dia 29 de outubro".

A mesa da coletiva foi composta por Douglas Izzo (CUT-SP), Raimundo Bonfim (CMP), Cibele Vieira (FUP), João Paulo Rodrigues (MST) e Carina Vital, presidente da UNE, que reforçou a necessidade de luta pela democracia e pelo pré-sal como forma de garantir o financiamento das políticas educacionais.