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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

PSD: partido dos ricos

Foi oficialmente criado no dia 26 de outubro, o PSD (Partido Social Democrático), que, segundo as palavras de seu idealizador, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, não é um partido de direita, nem de esquerda, nem de centro. Provavelmente ele está correto, deve ser um partido das "oportunidades". De uma coisa é certo, a legenda é composta majoritariamente por ricos empresários, a maioria, ruralistas. Segundo o sítio Congresso em Foco, "mais da metade da nova bancada tem na atividade empresarial sua principal ocupação. A soma dos bens declarados à Justiça eleitoral pelos congressistas do PSD faz dele o segundo partido mais rico do Parlamento, atrás apenas do PMDB. Entre titulares, suplentes e licenciados, o PSD havia arrebanhado 57 deputados e dois senadores até a última segunda-feira. Desses, 42 (71%) são empresários urbanos ou rurais. Praticamente o mesmo número atua na defesa do agronegócio, como integrantes da bancada ruralista. Juntos, os discípulos do prefeito paulistano no Congresso acumulam um patrimônio de R$ 367,6 milhões. Ou seja, embora representem apenas 8,8% dos congressistas, eles respondem por quase 20% do total de R$ 1,94 bilhão declarado em bens pelos 667 parlamentares que exerceram mandato na atual legislatura".

Irregularidades
Das 144 mil assinaturas obtidas pela legenda para se configurar como partido e disputar as eleições, pelo menos 19 mil (cerca de 14%) estão em situação irregular. O Ministério Público já abriu investigação contra o PSD por conta de na lista de "apoiadores" contar com nomes de pessoas mortas, assinaturas duplicadas ou mesmo reconhecidas como falsas por seus reais signatários.

Se está assim antes de existir, imagine o que se pode esperar desse partido que não é de esquerda, direita, centro muito pelo contrário. Pela composição de seus parlamentares é possível prever o que esta legenda irá defender. 




 

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

KASSENGUE

Depois de ver a matéria que postei ontem aqui, o Bira apareceu com esta ótima charge. Garoto bom este Bira. Valeu!


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

São Paulo submersa na incompetência

Verão, altas temperaturas, chuvas, sujeira nas ruas e bocas de lobo mal conservadas são ingredientes certos para a proliferação do mosquito da dengue, doença que parecia sob controle há alguns anos, mas que volta a crescer na cidade mais rica do país.
E o que faz uma administração competente? Sabendo que nos primeiros meses do ano aumenta a incidência de chuvas, toma providências antecipadamente, certo? E o que fez o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassengue?
Em junho de 2009 terminou o contrato com uma empresa que fornecia para a Prefeitura de São Paulo 500 kombis que eram usadas por agentes de zoonoses fiscalizarem as casas em busca de focos do mosquito. Não foi feito novo contrato o que obrigou os agentes a fazerem o trabalho a pé. “Muita casa fica com larvas não detectadas. A cidade está praticamente indefesa diante da dengue”, alertou na época, uma agente ao jornal Folha de S.Paulo.
Em 19 de janeiro de 2010, a Secretaria Municipal de Saúde divulgou relatório apontando que 29 distritos da cidade estavam em estado de alerta por causa do risco de infecção de dengue. Os distritos em estado de alerta são: Anhanguera, Brasilândia, Casa Verde, Freguesia do Ó, Jaçanã, Mandaqui, Santana, São Domingos, Tremembé, Vila Maria, Vila Medeiros (zona norte); Artur Alvim, Carrão, Cidade Líder, Ermelino Matarazzo, Itaquera, Lajeado, São Miguel, Vila Jacuí (zona leste); Campo Grande, Campo Limpo, Capão Redondo, Cidade Ademar, Socorro (zona sul); Alto de Pinheiros, Butantã, Itaim Bibi, Morumbi (zona oeste); Bela Vista (centro). Em todo o Estado de São Paulo o número de casos quadruplicou, de 323 em janeiro de 2009, para 1.383 em janeiro deste ano.
Chuva, calor, indicadores de aumento nos casos de dengue entre 2008 e 2009, e qual é a atitude que o competente Kassengue tomou? Demitiu 439 agentes de zoonose. Segundo a Prefeitura, esses servidores estavam havia nove anos trabalhando de maneira “temporária” e como o contrato terminou não houve demissão. O Aedes aegypti deve ter adorado a notícia.
São Paulo está submersa não apenas pelas águas, mas principalmente pela incompetência de sua administração.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Campanha de Marta tenta impugnar de Kassab (e a mídia ignora)



A campanha da petista Marta Suplicy entrou na quinta-feira, 16, com representação na Justiça eleitoral para cassar a candidatura do demo Gilberto Kassab. Segundo o setor jurídico da campanha de Marta, o atual prefeito usou a máquina da Prefeitura para fazer sua campanha, em inauguração/comício em que Kassab aparece segurando um "checão" e anunciando investimentos no metrô. O sítio do DEM reproduziu a foto em clima de campanha.
Além da cassação do registro da candidatura, a campanha de Marta pede a punição de Kassab e do presidente do Metrô, José Jorge Fagali, com multa.

Cobertura ideológica
Os principais portais de notícias deram pouco ou nenhum destaque. Diametralmente oposto da atitude que tomaram em relação à peça veiculada por Marta que questiona se o eleitor conhece o Kassab. Quando o DEM entrou com representação contra a propaganda, TODOS os veículos noticiaram em letras garrafais, fizeram suítes durante dias, entrevistaram "especialistas" e os escambau.
No episódio atual, nem o portal Terra nem o Yahoo haviam dado uma linha em suas páginas principais. O Uol publicou uma chamada sem qualquer destaque e o Estadão deu a notícia com destaque, mas no mesmo quadro colocou uma nota do PSDB atacando a campanha Marta.

E ainda tem gente que se ilude com a imprensa deste país.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

A sensibilidade de Kassab





Esse vídeo é antigo, circula na internet há algum tempo, mas em época de eleição é sempre bom lembrar o comentário do atual prefeito de São Paulo -- que propaga ser um homem sensível aos problemas da população -- quando visitava a cratera aberta pela nas obras do metrô da estação de Pinheiros, que casusou a morte de 7 pessoas.

Em tempo: uma das empresas que lidera o consórcio responsável pela obra é a Odebretch, que foi expulsa recentemente do Equador por construir uma usina que não gera energia. Aqui construíram um buraco e ficou tudo na santa paz tucana.

Confira o vídeo

terça-feira, 7 de outubro de 2008

A vocação peemedebista do PSDB



Há 20 anos quando uma turma de “autênticos” saiu do PMDB bradando por ética e por um partido com princípios parecia para alguns que o cenário político brasileiro finalmente teria um representante da social democracia ao estilo europeu. Configurar-se-ia, assim, o tripé da democracia representativa burguesa, com um partido de bases de esquerda (PT), a social-democracia do PSDB e um partido que aglutinaria os setores mais conservadores da sociedade, hoje representado pela sigla DEM. Entre um e outro espectro, agrupamentos à esquerda mais radicalizados e sem base social (que o velho Lenin considerava a doença infantil do comunismo) e uma chuva de asteróides de fisiológicos espalhados por siglas que mais ninguém lembra o que se referem, como o próprio PMDB, o PTB, PDT, PPS e por ai vai. O PV, outro partido de inspiração européia, só herdou de seu primo europeu o nome, no Brasil exerce com competência sua missão de ser um balcão de negócios – caminho que o PCdoB aprende e aperfeiçoa rapidamente.
A história recente do país, no entanto, mostra que todos os cenários descritos nos velhos manuais de sociologia e ciência política podem continuar pegando pó nos armários, pois pouco refletem a trajetória desses partidos. O PT se configura como um competente partido social democrata, enquanto o PSDB se esfarela em disputas internas e não apresenta nenhum projeto consistente ao país, a não ser a repetição da surrada fórmula do neoliberalismo do consenso de Washington, que já deveria estar sepultada a sete palmos e é a gênese da atual crise do capitalismo.
O caso das eleições de São Paulo é típico sobre os caminhos que o PSDB trilha. Os principais caciques tucanos são oriundos do Estado. Desde 1994, os candidatos à presidência são da base paulista: FHC duas vezes, Serra e Alckmin. E justamente onde os emplumados têm seus grandes nomes, uma disputa entre Serra e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, levou o PSDB a lançar um candidato e fazer campanha para outro, o atual prefeito Gilberto Kassab.
À primeira vista, a passagem de Kassab para o segundo turno parece representar uma vitória para o projeto “Serra presidente”, mas significa, a médio prazo, mais uma pá de terra na cova do partido sonhado por Covas. Num momento em que o DEM perde força no Nordeste, seu tradicional reduto, e o casamento com os tucanos dá mostras de esgotamento em vários campos, o esquema Serra revigora o neoconservadorismo mesmo que o custo seja deixar seu próprio partido em frangalhos irrecuperáveis. Este é o bom companheiro que quer ser presidente da República.

Herança janista
Alçado quase ao acaso prefeito da maior cidade do país, Kassab manipulou com competência o sentimento conservador e autoritário de parte da sociedade paulistana; a mesma que ideologicamente aplaudia os ataques histriônicos de Jânio Quadros. Utilizando de apelos circenses como fechamento de casas noturnas, Kassab angariou simpatia de certa parcela da população. Alie-se a esse fato bom momento em que vive a economia do país, que reforça a tendência para que a população mantenha no governo quem já está – fenômeno que aconteceu em todas as capitais – e a eficiente propaganda de mídia promovida pela coligação do DEM, que dispunha do maior tempo de TV, e se configura um cenário quase inimaginável anos atrás: o PSDB se torna apêndice do DEM no principal reduto tucano.

Vitoriosos e nem tantos
Independentemente de vencer ou perder no segundo turno, Kassab se apresenta como nova liderança no campo conservador. O PSDB, no entanto, perde em qualquer cenário. A vitória de Kassab tende a aprofundar o racha tucano e Serra sabe que ainda não pode prescindir da máquina de seu partido na sucessão presidencial. Cada vez mais, o atual governador assemelha seus métodos ao de Orestes Quércia, que loteou o PMDB de acordo com suas conveniências políticas, mas pagou o preço de se tornar um partido inchado, sem referência programática e que serve apenas de suporte para outros. O sonho acalentado por Quércia, de ser presidente, acabou no momento em que fez a opção de desconfigurar o PMDB. Serra segue o mesmo caminho com seu PSDB.
Por irônico que pareça, o melhor caminho para o PSDB sobreviver como partido que polariza projetos para o país é justamente os eleitores de Alckmin votarem em Marta e montarem uma competente oposição. É um caminho difícil, mas menos suicida.

Só para constar
Em São Paulo disputam dois projetos; no Rio a população nem tem essa opção. Ninguém merece ter que escolher entre Eduardo Paes e Gabeira, o eterno e o neo reacionário.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Piada do ano: Kassab o engenheiro do ano


Para comemorar o dia do engenheiro, 11 de dezembro, o Instituto de Engenharia agraciou o alcaide paulistado, Gilberto Kassab, com o título de "engenheiro do ano". A homenagem (eufemismo para puxação de saco) tornou-se motivo de chacota.

O "engenheiro do ano" acaba de mostrar, novamente, suas habilidades (pode rir, é piada). Para "solucionar" problemas de trânsito de São Paulo, determinou que uma das faixas da avenida 23 maio - umas das mais importantes da cidade, que liga o centro ao aeroporto de congonhas - fosse destinada exclusivamente a motociclistas. A conclusão todo mundo viu, a mirabolante solução não durou nem uma semana e poderia não ter durado nem meia hora, bastava o "engenheiro do ano" e seus auxiliares perguntarem para qualquer uma das milhares de pessoas que utilizam a avenida.

Outra prova da competência do alcaide é a pavimentação das calçadas. No bairro de Pinheiros, a troca de calçamento de uma única rua (Teodoro Sampaio, com 2,5 km) iniciou há mais de oito meses e ainda não tem sequer metade da "obra" pronta. Só para comparação, Brasília foi construída em pouco mais de 4 anos e a maravilhosa São Petersburgo, na Rússia, a "Veneza do Oriente", inagurada em 1703, iniciou suas obras de fundação em 1697.

Na outorga da comenda, o Instituto de Engenharia justificou a indicação de Kassab por sua "destacada e singular atuação nas realizações da Engenharia Brasileira". Além de piorar o trânsito, não conseguir fazer calçamento de rua e rir da desgraça do buraco do metrô, qual outra "relevante" contribuição esse senhor deu para a engenharia?


sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Kassab fatura com projeto alheio


Em política, a frieza dos números nem sempre revela a real intensidade das disputas, mas sempre é um bom indicador dos ânimos do eleitorado e dos caminhos que políticos tendem a seguir. A um ano das eleições municipais, a disputa na maior cidade do país, São Paulo, dá uma prévia do que será a contenda em nível nacional para a sucessão presidencial.
São Paulo tem importância estratégica para os partidos. Além de ser o terceiro orçamento do país, atrás, apenas, do governo federal e do Estado de São Paulo, uma boa administração pode ser trampolim para pretensões maiores – leia-se governo do Estado e Presidência da República. O tucano José Serra, derrotado na disputa com Lula, lançou-se à prefeitura do município, elegeu-se governador, mas não tira o olho do Palácio do Planalto. Outro emplumado, Geraldo Alckmin, também derrotado por Lula nas últimas eleições, é nome certo para a disputa da Prefeitura paulistana.
Pesquisa divulgada pelo Ibope na semana passada indica que em um segundo turno em São Paulo, o atual prefeito Gilberto Kassab (DEM) venceria a ex-prefeita Marta Suplicy (PT) por 47% a 38% da preferência do eleitorado. Ironicamente, o bom desempenho de Kassab deve-se à continuidade de projetos gestados na administração Marta: a lei da cidade limpa, o bilhete único e os CEUs. Kassab, espertamente, se aproveita para deixar a impressão de que são de sua autoria os projetos. Ironicamente, Marta Suplicy, em cuja gestão foram iniciados os projetos, tem a maior taxa de rejeição entre os três principais candidatos.
Segundo a pesquisa do Ibope, se a eleição fosse hoje, Geraldo Alckmin superaria em um segundo turno tanto Kassab quanto Marta.
Marta Suplicy herdou uma São Paulo falida, após a desastrosa passagem de Celso Pitta, recuperou a cidade, lançou as bases de projetos que hoje são o principal cartão de visita da Prefeitura, mas não superou no imaginário popular a pecha de arrogante, que a fez perder a disputa passada.
Já Kassab, político inexpressivo e que ganhou a Prefeitura de presente com a saída de Serra, se aproveita bem dos projetos alheios para alavancar seu nome e tornar-se forte candidato à reeleição.
PSDB e DEM (ex-PFL), aliados de longa data, devem sair separados na disputa pela maior cidade do país. O PT, por sua vez, deve buscar alianças em um espectro político muito maior do que a da chamada esquerda; das três candidaturas, a menos garantida, ainda, é a da petista, que precisa passar por prévias e disputas democráticas no interior do partido, “problema” que outras legendas não tem por serem nomes tirados de conchavos de lideranças.
A campanha no próximo ano promete ser interessante e uma prévia do que aguarda a sucessão presidencial.
(na foto, Kassab bate boca com desempregado e o chama de vagabundo)