segunda-feira, 24 de maio de 2010

terça-feira, 18 de maio de 2010

Lula e o vestibular para secretário geral da ONU

As negociações protagonizadas por Brasil e Turquia sobre o explosivo – literalmente - tema do enriquecimento de urânio pelo Irã foi um teste vestibular para as pretensões do presidente Lula de assumir a secretaria geral da ONU após o fim de seu mandato – e, de quebra, um prêmio Nobel da Paz. Se vai conseguir sucesso nessa empreitada é outra história, mas Lula passou com méritos no teste, conduziu as negociações com serenidade e enfrentou a desconfiança e o desprezo de Hillary Clinton, secretária de Estado do império.
As negociações abriram caminho para se evitar sanções e uma nova guerra na conturbada região. No Irã, a notícia foi festejada. O analista iraniano, Mohammad Marandi, da Universidade de Teerã, disse à BBC Brasil que o acordo foi uma vitória da diplomacia brasileira e uma resposta aos Estados Unidos.
Em clima de eleições, a oposição brasileira irá tentar minimizar a tacada diplomática de Lula. O principal argumento já foi dado por Washington: o Irã, e seu presidente Mahmoud Ahmadinejad não são confiáveis; assim, Lula teria sido inocente. O destino dos acordos cabe à história, muitos não foram cumpridos. Abro um parênteses para lembrar que neste maio completa 15 anos da greve dos petroleiros de 1995, que ocupou todas as manchetes de jornais por 32 dias. O motivo da maior greve petroleira da história do Brasil foi o fato de Fernando Henrique ter descumprido acordo assinado por seu antecessor, Itamar Franco.
Bem, voltando ao caso Irã. Mesmo que o acordo não vingue integralmente, Lula marcou uma cesta de três pontos. Primeiro: colocou o Brasil no centro da geopolítica mundial, coisa que professor algum da Sorbone jamais chegou perto. Segundo: sedimentou mais um passo de sua biografia como estadista e líder mundial. Terceiro: não tenham dúvida de que este acordo irá propocionar bons negócios econômicos para o país.
O curioso da biografia de Lula é que aquilo que a elite brasileira mais se utilizava para atacá-lo, não ter cultura, não ter faculdade, não falar inglês, sequer todos os dedos ter, são os atributos que lhe conferem a credibilidade internacional. Seus “defeitos” são seus maiores cacifes políticos.

sábado, 15 de maio de 2010

Pesquisa Vox Populi: a guerrilheira ultrapassa o fujão

Divulgada dia 15/5, a pesquisa do instituto Vox Populi aponta a pré-candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, com 38% das intenções de voto, contra 35% do tucano José Serra. Marina Silva aparece em terceiro, com 8% das intenções de voto.

Ainda mais desesperados, o fujão e sua trupe vão baixar ainda mais o nível da campanha. Uma velha tática conhecida é não expor o candidato fujão (fugiu do país na ditadura militar, não terminou a gestão como ministro da Saúde, não completou os mandatos à frente da prefeitura de São Paulo e do governo do Estado). e utilizar alguma sigla de aluguel - uma sigla verde talvez.

Escorrega, Serra, vamos eleger a primeira mulher presidente deste país.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Sindicato homenageia mártir da campanha do petróleo

Jornal A Tribuna, de 1º/10/1949,
anuncia o assassinato de Deoclécio Santana
O Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo inaugura no dia 24 de maio seu auditório, com uma homenagem a Deoclécio Santana, um dos mártires da campanha "O petróleo é nosso", das décadas de 1940/50. Ensacador do porto de Santos, Deoclécio foi assassinado no dia 30 de setembro de 1949.

A história
À medida que anoitecia naquele 30 de setembro, manifestantes se aglomeravam na esquina da Av. Siqueira Campos com a Rua Almirante Tamandaré. Havia alguns dias estava programado um ato público em apoio à campanha O petróleo é nosso (pelo monopólio do petróleo e criação da Petrobrás), mas o governo Eurico Gaspar Dutra, subserviente aos interesses estadunidenses, proibira manifestações desse gênero em todo o país; para garantir a ordem, policiais do Dops (Delegacia de Ordem Política e Social) e da Polícia Marítima de Santos ocuparam o local.
O alfaiate e membro do PCB, Hélio de Mello, subiu em uma mureta do bar Flor do Norte para iniciar um discurso, mas foi impedido por uma coronhada na cabeça, desferida por um policial. Começou o corre-corre. Mello, sangrando, se abrigou sob uma mesa de bilhar e ouviu os tiros e, em seguida, viu o corpo de Deoclécio Santana no chão. "Lembrar e homenagear este guerreiro e mártir é uma forma de mantermos a memória da luta dos brasileiros que deram sua vida por aquilo que acreditavam. O exemplo de Deoclécio nos motiva a lutar ainda mais", avalia o coordenador do Sindicato, Itamar Sanches, que convida a todos para a inauguração do auditório da entidade em São Paulo.

Um lutador consciente
O historiador e jornalista Paulo Matos, estudioso da história de Santos e, em particular, da vida de Deoclécio Santana, anotou em seu blog HTTP://WWW.JORNALSANTOSHISTORIAPAULOMATOS.BLOGSPOT.COM/. "Os registros mostram ser Deoclécio um líder, com participação social antiga até em lutas de caráter internacionalista. Como na greve contra os navios espanhóis do ditador fascista Francisco Franco –, pelo que foi preso em 1946, a 11/3. A riqueza que o país e a cidade anotam hoje deveu a ele, que não teve tempo de ter medo".